Análise: O protagonismo silencioso de Vini Jr na Seleção
Atacante é o melhor jogador da Seleção na Copa do Mundo até o momento

Durante muito tempo, a cobrança sobre Vini Jr na Seleção Brasileira foi inevitável. O atacante que encantava a Europa com a camisa do Real Madrid carregava o peso de ainda não reproduzir com a mesma frequência no Brasil as atuações que o transformaram em um dos melhores jogadores do mundo. A resposta, porém, parece ter chegado no momento mais importante possível: a Copa do Mundo.
O baile de Vini Jr começou ainda antes do Mundial. No amistoso contra o Panamá, no Maracanã, na despedida da Seleção antes da viagem para os Estados Unidos, o camisa 7 apresentou um primeiro tempo de jogador decisivo. Marcou um dos gols da vitória por 6 a 2 e deu sinais claros de que algo diferente estava acontecendo.
Curiosamente, o protagonismo não foi construído com discursos ou promessas. Na entrevista coletiva antes da estreia contra o Marrocos, Vini Jr preferiu dividir responsabilidades. Não quis assumir sozinho o papel de estrela principal de uma Seleção que chegava cercada de expectativas e dúvidas. E foi exatamente isso que aconteceu.
Nos dias que antecederam os jogos contra Marrocos e Haiti, os holofotes estavam apontados para outros lados. Neymar era assunto constante por causa da recuperação da lesão grau 2 na panturrilha direita. Endrick, por sua vez, mobilizava torcida e imprensa que defendiam uma vaga entre os titulares de Carlo Ancelotti. Enquanto isso, Vini Jr trabalhava em silêncio.
Sem alarde, sem campanhas e sem discursos de efeito. E, quando a bola rolou, ele apareceu.
Contra o Marrocos, na estreia da Copa, foi o principal jogador brasileiro. Recebeu uma assistência magistral de Bruno Guimarães, chamou a responsabilidade e marcou o gol de empate no 1 a 1. Terminou eleito o melhor em campo.
Diante do Haiti, repetiu a dose. Participou diretamente de dois gols na vitória por 3 a 0, marcando uma vez e distribuindo a assistência para o primeiro gol brasileiro, marcado por Matheus Cunha. Mais uma atuação dominante, mais um prêmio de melhor jogador da partida.
Os números ajudam a explicar a transformação. Antes da preparação para a Copa do Mundo, considerando o período inicial de trabalho de Ancelotti, os amistosos e os compromissos anteriores, Vini Jr somava apenas dois gols em oito partidas e era constantemente cobrado por maior protagonismo.
Agora, após os dias de preparação na Granja Comary, os amistosos contra Panamá e Egito e os dois primeiros jogos do Mundial, o cenário mudou completamente. Em 12 jogos, já são cinco gols marcados. O atacante tornou-se o artilheiro da Era Ancelotti e igualou a marca de Estêvão, que acabou ficando fora da Copa por lesão.
A explicação talvez esteja justamente na relação com o treinador. Ancelotti foi quem melhor compreendeu e potencializou as características de Vini Jr no clube, nos tempos de Real Madrid. Foram dois títulos de Champions League, além do prêmio individual de melhor jogador do mundo conquistado pelo atacante. Agora, parece conseguir fazer o mesmo na Seleção. O atacante joga mais solto, mais confiante e mais próximo das zonas decisivas do campo.
O próprio jogador reconhece o momento especial:
— Como eu falei, estou na minha melhor fase física, técnica e mental. Sempre sonhei chegar a 100% na maior competição do mundo e estar assim, podendo fazer gols, dar assistências e realizar grandes partidas. Isso é importante porque me dá confiança para os próximos jogos. Estou em uma grande evolução para fazer jogos ainda melhores do que esse. Estou aqui para seguir evoluindo e fazer grandes partidas — analisou o jogador após a vitória diante do Haiti
A próxima semana promete recolocar Neymar no centro das atenções. O camisa 10 está liberado para voltar aos treinamentos com o grupo e tem grandes chances de ser relacionado para o confronto contra a Escócia, em Miami. Novamente, as manchetes devem girar ao redor dele.
Vini Jr provavelmente continuará longe dos holofotes, treinando em silêncio, correndo por fora e evitando discursos grandiosos.
Mas, até aqui, a Copa mostrou uma verdade simples: quando a bola começa a rolar, é ele quem chama a responsabilidade. E é justamente dessa forma, sem imposição e apenas jogando futebol, que o atacante vem assumindo o protagonismo da Seleção Brasileira.
Que o baile continue. Baila, Vini Jr.

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