Endrick é a solução para a Seleção? Colunistas opinam antes de Brasil x Haiti
Torcedores pedem oportunidade para o atacante, mas tendência é que Ancelotti opte por Matheus Cunha
A atuação abaixo do esperado de Igor Thiago na estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo reacendeu uma discussão que acompanha a Amarelinha desde a convocação: chegou a hora de Endrick ganhar uma oportunidade entre os titulares? Após o empate com o Marrocos, Ancelotti admitiu que fará mudanças para o confronto desta sexta-feira (19) contra o Haiti. Embora a tendência seja a entrada de Matheus Cunha, parte da torcida brasileira passou a defender a utilização do jovem atacante de 19 anos, que ainda não entrou em campo no Mundial.
O Lance! ouviu os colunistas Eduardo Tironi, Guffo e Lúcio de Castro para responder duas perguntas: Endrick pode ser a solução para os problemas ofensivos da Seleção? E ele merece começar jogando diante do Haiti?
Endrick é a solução para a Seleção?
Para Guffo, a resposta é cautelosa. O colunista acredita que o atacante não deve ser tratado como uma solução isolada para os problemas do Brasil, mas vê potencial para que ele seja uma peça importante dentro de um sistema mais adequado às suas características.
— Não. Mas ele pode sim ser parte da solução, pelas características físicas e técnicas que ele possui. Ainda mais se tiver ao lado alguém vertical como Luiz Enrique ou Rayan — avaliou.
A visão de Tironi segue linha semelhante. Para ele, o problema passa menos pelo talento do atacante e mais pela confiança que Ancelotti demonstra ter, ou não, no jogador.
— Eu acho que ele pode ajudar. Mas o Ancelotti precisa acreditar nisso. E pelas declarações dele até aqui… acho que não acredita muito — afirmou.

Já Lúcio de Castro faz uma leitura mais crítica do contexto geral da Seleção. Para ele, é um erro colocar sobre um jogador tão jovem o peso de "grande solução" em meio ao Mundial.
— Acho que precisam ser duas coisas diferentes: uma é Endrick merecer jogar e a carência que a Seleção mostrou ali. A outra é, a essa altura, em plena Copa do Mundo, depois de um ciclo de quatro anos, termos que pensar em um menino de 19 anos como "grande solução". Isso mostra e comprova que tem algo muito errado nessa preparação e nesse ciclo — analisou.
Endrick deve ser titular contra o Haiti?
Se a primeira pergunta gerou respostas parecidas, a segunda dividiu menos opiniões. Segundo Guffo, Endrick deveria iniciar a partida contra o Haiti independentemente da atuação de Igor Thiago diante do Marrocos.
— Ele deve ser titular pelas suas características e não pela partida jogada pelo Igor; que é um bom jogador, só tem características e valências diferentes. Explico na minha coluna do Lance! essa escalação: um meio com Fabinho, Bruno e Danilo Santos. Ataque com Vini, Endrick e Luiz Enrique — opinou.
A avaliação parte da ideia de que o atacante oferece mobilidade, agressividade e profundidade que podem potencializar o jogo dos pontas brasileiros.
Tironi também escalaria Endrick desde o início, embora não acredite que essa será a decisão de Ancelotti.
— No meu time o Endrick seria titular como atacante pelo meio. Mas acho que não será ele. Acho que será o Matheus Cunha — disse.
Na mesma linha, Lúcio de Castro defende que Endrick deveria ser titular, enquanto Igor Thiago ficaria restrito a situações específicas de jogo.
— Sim, acho que Endrick deve ser o titular e Igor Thiago deve ser cogitado apenas em um daqueles momentos em que faltam poucos minutos, o time perdendo, e resta jogar bola cruzada na área. E que Endrick e Matheus Cunha deveriam estar na frente dele — afirmou.
O que deve fazer Ancelotti?
A fala do treinador após a estreia indicou que mudanças acontecerão diante do Haiti. O principal questionamento está justamente na referência ofensiva.
Igor Thiago teve dificuldades para participar do jogo contra a forte marcação marroquina e terminou substituído. Matheus Cunha surge como favorito para assumir a vaga por já ter sido utilizado por Ancelotti em outros momentos do ciclo, mas Endrick segue como a alternativa que desperta maior expectativa entre os torcedores.
No dia anterior ao jogo contra o Haiti, Ancelotti abordou o tema. Ele destacou a força e potencial de Endrick, mas pediu paciência.
- Temos que colocar Endrick no momento correto (risos). Vamos esperar um pouco. Vai ser importante", garantiu o treinador. Matheus Cunha é mais associativo, tem mais qualidade de segundo atacante do que de referência, algo que o Igor Thiago tem. Ele é forte, é muito agressivo. Endrick não é nem um, nem outro. Endrick é um talento extraordinário. O Brasil vai aproveitar das suas qualidades nessa e na próxima Copa do Mundo - iniciou Ancelotti.

- Ele é paciente, não tem pressa, é muito maduro para a sua idade. São aspectos importantes. A família perto dele também é paciente, são aspectos importantes - completou.
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