Análise: Brasil evolui na Copa, acha time ideal e ganha força
Seleção Brasileira chega em alta na fase de mata-mata da Copa do Mundo

MIAMI, FL (EUA) - Depois de uma estreia repleta de dúvidas contra o Marrocos, a Seleção Brasileira transformou a própria trajetória dentro da Copa do Mundo. Em três partidas, o time de Carlo Ancelotti saiu de uma atuação preocupante para uma exibição segura diante da Escócia, encontrou uma formação equilibrada, consolidou protagonistas e chega ao mata-mata com a sensação de que evoluiu no momento mais importante da competição.
Quatro anos depois da Copa do Catar, a Seleção Brasileira apresenta um roteiro completamente diferente. Em 2022, o time comandado por Tite iniciou a competição em alta, venceu Sérvia e Suíça com autoridade, mas perdeu força justamente na última rodada da fase de grupos, quando foi derrotado por Camarões. Mesmo utilizando uma equipe alternativa, o Brasil deixou uma impressão de fragilidade às vésperas do mata-mata.
Na Copa de 2026, o caminho foi inverso. A equipe começou mal e foi construindo sua melhor versão rodada após rodada.
O empate por 1 a 1 diante do Marrocos foi um alerta. Durante boa parte do primeiro tempo, o Brasil sofreu para competir. Os erros na saída de bola foram constantes. Casemiro e Lucas Paquetá não conseguiam controlar o meio-campo, Ibañez demonstrava nervosismo e Igor Thiago pouco produzia no setor ofensivo. Não fosse a inspiração de Vini Jr e algumas intervenções importantes do sistema defensivo, o prejuízo poderia ter sido maior. Como admitiu Danilo após a partida, o resultado acabou sendo melhor do que a atuação.
Mas foi justamente naquele jogo que Ancelotti começou a moldar sua equipe. As mudanças promovidas ao longo da partida indicaram caminhos que seriam aprofundados nos confrontos seguintes.
Contra o Haiti, o crescimento já era perceptível. O Brasil encontrou dinâmica, intensidade e confiança. Vini Jr voltou a ser decisivo, enquanto Matheus Cunha deu sinais claros de que poderia ocupar um papel central no esquema. Autor de dois gols, o atacante viveu sua afirmação no torneio. Ao mesmo tempo, Bruno Guimarães e Paquetá passaram a se entender melhor no meio-campo, dando mais fluidez à construção das jogadas. Houve momentos de pressão haitiana na etapa final, mas a vitória por 3 a 0 mostrou uma equipe mais organizada e competitiva.
O ápice da evolução veio diante da Escócia. Precisando da vitória para confirmar a liderança do grupo, o Brasil mostrou controle, maturidade e entendimento coletivo. Ancelotti parece ter encontrado sua formação ideal.
A defesa passou a funcionar de maneira híbrida. Parte de uma linha de quatro, mas se transforma em linha de três durante a construção ofensiva, liberando principalmente Danilo para atacar os espaços. O lateral-direito, aliás, fez uma de suas melhores apresentações na competição, chegando à linha de fundo e participando da criação das jogadas.
O maior avanço, porém, aconteceu no meio-campo. O setor que parecia perdido na estreia virou um dos pontos fortes da equipe. Ancelotti organizou um losango que potencializou as características de seus principais jogadores. Casemiro protege a defesa, Bruno Guimarães dá ritmo, Paquetá conecta os setores e Matheus Cunha atua como vértice ofensivo, circulando entre linhas e aproximando-se dos atacantes.
Na frente, a dupla que melhor representa a evolução brasileira é formada por Vini Jr e Matheus Cunha. O atacante do Real Madrid assumiu o protagonismo técnico da Seleção, enquanto Cunha se transformou em uma espécie de ponta de lança, combinando mobilidade, finalização e leitura de jogo. Um cria espaços; o outro os aproveita.
E ainda houve tempo para a cereja do bolo. O retorno de Neymar, após meses de luta contra problemas físicos, acrescentou um ingrediente extra ao ambiente brasileiro. Seus pouco mais de 20 minutos em campo tiveram valor simbólico e competitivo. Ainda longe da melhor condição física, o camisa 10 iniciou sua busca por ritmo justamente quando a Copa entra em sua fase decisiva.
O Brasil não encerra a fase de grupos como favorito absoluto. Mas chega ao mata-mata em ascensão. E, em torneios curtos, crescer no momento certo costuma valer mais do que começar voando e perder altitude pelo caminho. A Seleção de Ancelotti parece ter entendido essa lição. Agora, terá a chance de provar que sua melhor versão ainda está por vir.

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