US Open de 2022 despede-se de lenda, vê ídolo cair precocemente, mas consagra novas joias do tênis
Números 1 do mundo, campeões Iga Swiatek e Carlos Alcaraz largam na frente na busca pelo status de vigentes ícones do esporte

Definitivamente, o US Open de 2022 jamais será esquecido. A série de histórias e grandes jogos transformou a edição em uma das mais épicas dos últimos tempos. Porém, a maior das certezas é que o tênis está vivendo uma mudança de era.
O Grand Slam da despedida da lendária Serena Williams selou a campeã Iga Swiatek como a bola da vez entre as mulheres. Na chave masculina, que viu Rafael Nadal ser eliminado nas oitavas de final após uma sequência de jogos ruins, a consagração do vencedor Carlos Alcaraz carimba uma espécie de "passagem de bastão".
Para além dos precoces feitos, Swiatek e Alcaraz, os novos números 1 dos rankings da WTA e ATP, catapultam suas jovens carreiras justamente no período onde o tênis abre brechas para o surgimento e a construção de vigentes reis e rainhas.
Se, nas últimas décadas, Serena, Nadal, Djokovic e Federer quase não permitiram a ascensão de rivais por longo prazo (o que abriu margem para frequentes discussões sobre uma suposta monotonia nos circuitos), agora a dupla terá um caminho para ser percorrido sem ter que encarar a pressão e a sombra de conviver com os ídolos - ainda que Alcaraz, certamente, tenha chances de enfrentar o espanhol e o sérvio em futuros torneios.
Produtos do tênis moderno, Swiatek e Alcaraz possuem um arsenal técnico. São versáteis, potentes e precisos, capazes de trocarem bolas contra um adversário com consistência do fundo de quadra. Mentalmente, não costumam naufragar em situações de adversidades. Que o diga o espanhol, que enfrentou três jogos consecutivos de cinco sets em Nova Iorque.
Campeã de Roland Garros em 2021, Swiatek explodiu de vez na atual temporada. Chegou a ficar 37 jogos invicta, a maior sequência de vitórias desde Venus William em 2000, e conquistou sete títulos (Roland Garros e US Open; WTA 1000 de Indian Wells, Miami e Roma; WTA 500 de Stuttgart e Doha). São 57 triunfos ao todo em 2002. O aproveitamento em finais é espantoso: desde que foi derrotada na primeira decisão que disputou na carreira (WTA 250 de Lugano, em 2019), Iga venceu todas as outras que participou (dez), sem perder nenhum set.
Campeões do US Open de 2022, Swiatek, de 21 anos, e Alcaraz, de 19, são os novos queridinhos do tênis
A trajetória de Alcaraz guarda lembrança com a de Swiatek. Ele começou a temporada como número 35 do ranking e, depois da eliminação na 3ª fase do Australian Open para o italiano Matteo Berretini, deu início a uma fascinante arrancada rumo ao topo. Campeão em 2022 do ATP 500 do Rio e dos Masters 1000 de Miami e Madrid, a campanha vencedora no US Open o coloca como o tenista mais novo da história a virar o número 1 do mundo.
Além do talento, das taças e da jovialidade, a leve postura que Swiatek e Alcaraz apresentam dentro e fora de quadra cativa os fãs, que crescem a cada dia. Nas competições, a conexão com público faz dos dois verdadeiros xodós. Na edificação de novos ícones do esporte, Swiatek e Alcaraz se credenciam, com argumentos sólidos, como candidatos reais.

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