Rafaela Silva pega dois anos de suspensão e pode perder Tóquio-2020
Brasileira apresentou defesa de doping por fenoterol no dia 15 de janeiro e recebeu o resultado na quinta-feira. Com novo advogado, o caso irá à Corte Arbitral do Esporte

A campeã olímpica Rafaela Silva pegou suspensão de dois anos por doping por decisão da Federação Internacional de Judô (IJF, em inglês). Se não conseguir reduzir a pena, ela perderá os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. A informação foi publicada pelo "Globo Esporte" e confirmada pelo LANCE!.
A entidade entendeu que a atleta teve responsabilidade pela ingestão de fenoterol, substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada).
A brasileira foi flagrada durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, em exame feito no dia 9 de agosto do ano passado. Meses depois, perdeu a medalha de ouro na categoria até 57kg do evento continental.
Rafaela atribuiu o contato com fenoterol, comum em remédios para doenças respiratórias, após brincar com Lara, de sete meses, que toma medicamentos para asma.
O contato com a criança, filha da judoca Flávia Rodrigues, também do Instituto Reação, aconteceu no dia 4 de agosto. A tese da defesa foi de que o fenoterol entrou no organismo de Rafaela após ela ter dado o nariz para a menina chupar, em gesto de brincadeira.
O advogado Bichara Neto trabalhou no caso até a última quinta-feira. O fato de a judoca ter feito sauna na ocasião foi um dos argumentos usados para justificar o resultado analítico adverso. O bioquímico L.C. Cameron reuniu dados para reforçar a tese. Mas as explicações não convenceram o painel da IJF.
Após a suspensão, a atleta informou que passará a ser defendida pelo advogado Marcelo Franklin, especialista em doping. Ele entrará com recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS), última esperança da campeã olímpica na Rio-2016 de reduzir a pena.
No final de agosto, ela voltou a ser testada durante o Campeonato Mundial, em Tóquio, no Japão, quando levou o bronze individual e o bronze por equipes, e os exames não apontaram nenhuma irregularidade.
A brasileira decidiu se colocar em suspensão voluntária a partir do dia 25 de outubro. Por ter sido flagrada com uma substância especificada pela Agência Mundial Antidoping (Wada), a pena não foi automática. Em certos casos, ela pode estar associada à ganho de performance.
Antes, em meio à divulgação do doping, Rafaela chegou a disputar competições e subir ao pódio. Ela conquistou o bicampeonato dos Jogos Mundiais Militares, em Wuhan (CHN), no dia 19 de outubro, e ficou com o bronze no Grand Slam de Brasília, no dia 6 de outubro.
O gancho para doping por fenoterol varia entre uma advertência até dois anos de suspensão se for comprovada a ausência de intenção, mas com algum grau de negligência.
Principal nome do judô brasileiro na atualidade, Rafaela também era uma das maiores apostas do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para a Olimpíada do Japão. Ela aparece atualmente em quarto lugar no ranking mundial, dentro da zona de classificação direta para o megaevento.
A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) informou em nota que "seguirá acompanhando os desdobramentos do processo legal referente ao caso de doping envolvendo a judoca da seleção brasileira, Rafaela Silva, com a confiança de que a justiça prevalecerá. O texto diz ainda que "Rafaela Silva é campeã olímpica e mundial, exemplo de superação dentro e fora dos tatames e um dos maiores ídolos do esporte brasileiro". A entidade prometeu prestar "o suporte que lhe couber" e avisou que só se pronunciará novamente após a decisão final do processo.

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