Luiz Gomes: 'Saída de Ramirez pode abrir a porteira das demissões'
Para o colunista do LANCE!, saída do treinador será um teste para a nova regra no Brasileiro

A maior novidade do regulamento do Brasileirão deste ano, que limitou os clubes a uma substituição de técnico ao longo do torneio, parece não ter intimidado os cartolas. Com apenas duas rodadas, duas cabeças já rolaram: Alberto Valentim no Cuiabá, após um empate na estreia, e o espanhol Miguel Angel Ramirez essa semana no Internacional.
A demissão de Ramirez será um teste para a nova regra. A diretoria do Inter, na mesma reunião em que decidiu defenestrar o treinador, sexta-feira de manhã, discutiu abertamente formas de burlar a determinação da CBF. Para isso, sua saída seria descaracterizada como uma demissão, seria oficializada como uma decisão de comum acordo entre o clube e o profissional, o que escaparia da limitação.
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Se a tática vingar, a porteira das demissões estará aberta, que ninguém tenha dúvidas disso.
Porém, não é certo que Ramirez concorde em fazer parte da maracutaia. Motivos, cá pra nós, ele não tem nenhum. O espanhol chegou ao Beira-Rio com a promessa de um trabalho de longo prazo e a possibilidade de fazer uma mudança estrutural no futebol do Colorado. Durou apenas três meses com 22 partidas, 11 vitórias, sete derrotas e quatro empates, um aproveitamento de 56%.
É certo que o desempenho do ex-comandante do Independiente del Valle do Equador ficou muito aquém do esperado nesse curto período em Porto Alegre. A pressão de perder o gaúcho para o Grêmio, de ser eliminado na Copa do Brasil pelo Vitória, de uma goleada histórica para o Fortaleza e de uma campanha sofrível na Libertadores era pesada demais sobre os seus ombros. Só uma diretoria realmente comprometida com um trabalho de longo prazo sem o imediatismo dos resultados seria capaz de bancá-lo. E o Inter está muito longe disso.
O rompimento não deve ser fácil. Ramirez tem a faca e o queijo na mão: foi demitido quando estava de licença médica, em isolamento por conta da Covid-19, o que a lei trabalhista brasileira não permite e ele pode contestar na Justiça. Além disso, tem a receber uma multa proporcional ao tempo restante do contrato de dois anos, o que pode significar até 2 milhões de dólares - não de reais.
Pretendido por clubes do Brasil, da Europa e dos EUA quando deixou o Equador, o treinador sabia dos riscos que corria por aqui com a cultura de resultados tupiniquim. Por isso soube se proteger muito bem, com cláusulas indenizatórias no seu contrato. Se perdeu a aposta no campo, o que é fato, seu cacife está longe de ter se esvaziado na mesa de negociações.

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