Pressão alta, intensidade e maturidade: o Japão que pode cruzar o caminho do Brasil
Equipe de Hajime Moriyasu alia organização coletiva, pressão alta e ambição ofensiva

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Se o mata-mata da Copa do Mundo começasse hoje, o Brasil teria pela frente um adversário que vem provocando um misto de respeito e preocupação entre torcedores brasileiros: o Japão. A possibilidade do confronto não é apenas uma projeção distante. Pelo cenário atual do Mundial, a Seleção Brasileira, líder do Grupo C, enfrentaria justamente o segundo colocado do Grupo F. Neste momento, a posição pertence aos japoneses, que somam quatro pontos, os mesmos da Holanda, ficando atrás apenas pelo critério de gols marcados.
O receio em torno de um eventual duelo tem explicação. O Japão chega à Copa de 2026 vivendo talvez o momento mais sólido de sua história. A equipe comandada por Hajime Moriyasu não apenas acumula resultados expressivos, mas também apresenta um futebol moderno, intenso e extremamente competitivo.
A maior prova disso apareceu na goleada por 4 a 0 sobre a Tunísia, a maior vitória do Japão em Copa do Mundo. O resultado fez a equipe igualar seu recorde de gols marcados em uma única edição do torneio.
- 6 gols em 2026 (apenas dois jogos)
- 6 gols em 2018 (quatro jogos)
- 5 gols em 2002
- 5 gols em 2022
- 4 gols em 2010

Alta intensidade é a marca do Japão na Copa do Mundo
O que mais chama atenção é a postura do Japão em campo. Mesmo quando está em vantagem no placar, mantém a intensidade e continua buscando o gol. Contra a Tunísia, dominou completamente a partida, com 62% de posse de bola, 582 passes trocados e controle absoluto das ações (11 finalizações).
O comportamento contrasta, por exemplo, com o do próprio Brasil diante do Haiti. Após abrir vantagem confortável, a Seleção diminuiu o ritmo e ofereceu espaços ao adversário. O Japão costuma fazer justamente o contrário.
Um time que muda sem perder a identidade
Embora normalmente seja escalado em um 3-4-2-1, com Kubo, Maeda e Ueda na frente, o Japão está longe de ser uma seleção presa a esquemas no Mundial. Talvez sua principal virtude seja justamente a capacidade de adaptação. Dependendo do adversário e do momento da partida, os japoneses alteram posicionamentos, pressionam alto, recuam linhas ou aceleram a circulação da bola. É uma seleção que se comporta como um verdadeiro "camaleão" tático.
A pressão pós-perda é uma das marcas registradas. Quando perde a posse, a equipe reage imediatamente para recuperar a bola ainda no campo adversário.
Outro aspecto interessante está na construção ofensiva. Os zagueiros participam ativamente da saída de bola e procuram passes verticais por dentro do bloco adversário. A ideia é acelerar a jogada e encontrar rapidamente jogadores entrelinhas, algo que exige alto nível técnico e entendimento coletivo. Isso ficou claro contra a Tunísia.
Moriyasu chama atenção até sem falar
Na beira do campo, Hajime Moriyasu, técnico do Japão, também virou personagem da Copa. Enquanto muitos treinadores vivem os jogos de forma explosiva, o comandante japonês mantém postura extremamente serena. Quase não gesticula e observa a partida com calma impressionante. Mas isso não significa ausência de intervenção.

Um detalhe curioso é a forma como passa instruções aos jogadores. Moriyasu utiliza uma grande prancheta com desenhos de jogadas treinadas previamente e mostra as movimentações diretamente para seus atletas durante as paralisações. É um retrato fiel de uma equipe extremamente organizada.

Ueda lidera geração que amadureceu na Europa
Entre os destaques individuais está Ayase Ueda. Na goleada sobre a Tunísia, o atacante marcou dois gols e distribuiu uma assistência, além de cinco finalizações, uma grande chance criada e dois passes decisivos.
Apesar do destaque individual, o principal diferencial japonês talvez esteja no coletivo. A maior parte do elenco atua na Europa e chega ao Mundial após anos enfrentando os principais campeonatos do planeta. Essa maturidade ficou evidente ao longo do ciclo, com nove partidas consecutivas sem derrota.
- Em 2022, o Japão liderou um grupo com Alemanha e Espanha.
- Em 2023, goleou os alemães por 4 a 1.
- Em 2025, venceu o Brasil por 3 a 2.
- Em 2026, chegou ao Mundial após campanha dominante nas Eliminatórias.
Zico já havia ligado o alerta
Antes mesmo do início da Copa, Zico, maior ídolo brasileiro da história do futebol japonês, demonstrava preocupação com um possível encontro entre as duas seleções.
— Primeiro que, para mim, não existe mais surpresa no futebol. O futebol está muito igual, então tudo pode acontecer. O Japão atravessa um momento bom, com um futebol agressivo, competitivo, buscando sempre a vitória. Quase todos os jogadores jogam na Europa, em grandes times, grandes campeonatos, onde ganham maturidade. Então, acho que o Japão pode passar de fase bem e terminar em boa posição. É uma pena a possibilidade de ter o Brasil no meio do caminho, mas eu acho que a seleção japonesa pode fazer um bom Mundial, como sempre tem feito — afirmou ao Lance!.
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Por que o torcedor brasileiro está receoso?
A resposta passa por três fatores. O primeiro é o histórico recente. O Japão venceu o Brasil neste ciclo, em vitória de virada por 3 a 2.

O segundo é o momento atual. Os japoneses vivem uma sequência de resultados mais consistente do que a própria Seleção Brasileira. E o terceiro é o estilo de jogo. Enquanto o Brasil ainda busca consolidação sob o comando de Carlo Ancelotti, o Japão parece uma equipe pronta, com identidade clara, mecanismos definidos e comportamento coletivo consolidado.
Próximo jogo do Japão
Na última rodada do grupo, o Japão retorna a Dallas para encarar a Suécia, na quinta-feira (25), às 20h. No mesmo dia e horário, a Tunísia irá enfrentar a Holanda, em Kansas City.
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