Maior Copa do Mundo de todos os tempos começa sob expectativa e polêmicas

Mundial reúne 48 seleções em três países e 39 dias de duração

Enviados Especiais
11/06/2026 06:30
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento prévio à Copa do Mundo
Gianni Infantino participou de evento pré-Copa do Mundo nessa quarta-feira (Foto: Alfredo Estrella/AFP)
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MORRISTOWN, NJ (EUA) - A maior Copa do Mundo de todos os tempos começa nesta quinta-feira (11) sob muita expectativa dentro de campo e incertezas fora dele. Ao mesmo tempo em que o torcedor se foca na reunião de astros de 48 países na mais importante competição de futebol do planeta, o Mundial que está sendo organizado em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá convive com discussões sobre preços elevados, questões diplomáticas envolvendo participantes, deportação de árbitro, protestos paralelos e receio com segurança.

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Nas ruas e nas TVs dos Estados Unidos, a Copa do Mundo ainda não é exatamente uma realidade. As referências à competição são vistas em espaços pequenos de poucas lojas de rua e aeroportos. Nas emissoras de televisão, o foco ainda está nas partidas da final da NBA, entre o New York Knicks e o San Antonio Spurs.

Nas conversas com os moradores, quem mais demonstra entusiasmo são os estrangeiros que imigraram para os Estados Unidos. Na última semana, a reportagem do Lance! conversou com um egípcio, um indiano, dois dominicanos, um porto-riquenho e uma costarriquenha, que se mostraram felizes pelo país estar organizando a Copa do Mundo. Mas todos, sem exceção, reclamaram dos preços impeditivos dos ingressos. Assistir à estreia do Brasil na Copa do Mundo neste sábado (13), contra o Marrocos, custa o equivalente a R$ 6 mil, valor impraticável para quem se mudou para os EUA justamente em busca de melhores condições financeiras.

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Essa é uma das razões que fazem com que a imprensa local considere a possibilidade real de algumas partidas da Copa do Mundo serem realizadas com grandes vazios nas arquibancadas, mesmo que a procura por ingressos tenha sido a maior da história das Copas do Mundo.

Outro motivo é o endurecimento da política imigratória dos Estados Unidos, que nos últimos dias não poupou nem mesmo profissionais habilitados pela Fifa para a disputa da Copa do Mundo.

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Um caso rumoroso envolveu o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Escolhido o melhor do continente africano em 2025, ele foi selecionado para apitar a Copa do Mundo, mas teve a entrada barrada nos Estados Unidos assim que desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami, no sábado passado. Artan teve o visto negado e chegou a receber um passaporte diplomático para entrar no país, mas acabou deportado. O governo americano alegou suposto vínculo do árbitro com "grupos terroristas".

Banner da Copa do Mundo em poste em Miami
Anúncio da Copa do Mundo em Miami; maior Mundial de todos os tempos começa nesta quinta (Foto: Chandan Khanna/AFP)

A Somália é um dos 12 países que, desde o ano passado, têm restrição severa de ingresso nos Estados Unidos. Ela integra uma lista que tem ainda Afeganistão, Mianmar, Chade, Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Sudão e Iêmen.

Desses, Haiti e Irã são dois países que estão classificados para a Copa do Mundo. Torcedores das duas nações podem enfrentar problemas no desembarque, e nem mesmo profissionais credenciados para o Mundial têm garantia de entrada.

Desde o ano passado, o presidente Donald Trump vinha assegurando à Fifa que ninguém seria impedido de assistir à Copa do Mundo no país, mas decisões tomadas a semanas de iniciar o torneio demonstram o contrário.

Primeiro veio uma determinação para que a delegação do Irã, país que está oficialmente em guerra com os Estados Unidos, precise entrar e sair dos EUA sempre nos dias dos jogos. A seleção iraniana optou por ter sua base e treinos no México, mas terá os três jogos da fase de grupos do Mundial em Los Angeles e Seattle, na costa oeste americana.

E, recentemente, uma série de integrantes da delegação e de jornalistas iranianos tiveram vistos negados.

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No México, protestos tomam as ruas antes da abertura da Copa do Mundo

A Copa do Mundo começa oficialmente na tarde desta quinta-feira com a partida entre México e África do Sul, na Cidade do México. Nos últimos dias, a capital mexicana tem sofrido com intensos protestos, que têm justamente o palco da partida de estreia, o Estádio Azteca, como chamariz.

A manifestação é organizada por professores, que pedem aumento salarial de 100% em um momento em que o país gasta milhões de dólares para sediar uma Copa do Mundo pela terceira vez — as outras foram em 1970 e 1986. Sindicatos da categoria também criticam as políticas educacionais e previdenciárias do país.

Os protestos fecham vias de acesso ao estádio e rodovias importantes da Cidade do México, o que levanta severas preocupações acerca do deslocamento de torcedores para o estádio.

Entre os três países anfitriões da Copa do Mundo, o que tem passado incólume a polêmicas até aqui é o Canadá. As únicas polêmicas envolvendo a organização do Mundial foram internas, relativas a gastos públicos.

Estudantes chegam para se unir a protestos na Cidade do México
Estudantes chegam para se unir a protestos na Cidade do México (Foto: Yuri Cortez/AFP)

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