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A regra da "pausa para hidratação": quais os critérios de temperatura para interromper a partida

A pausa para hidratação é prevista quando a temperatura supera um certo valor.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 12/04/2026
07:08
Jogadores se hidratando na lateral: a pausa para “drinks break” é prevista por regulamentos que usam a temperatura do ar e índices de calor como parâmetro. (EDU ANDRADE/Fatopress)
imagem cameraJogadores se hidratando na lateral: a pausa para “drinks break” é prevista por regulamentos que usam a temperatura do ar e índices de calor como parâmetro. (EDU ANDRADE/Fatopress)

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A pausa para hidratação no futebol é uma medida para proteger a saúde dos atletas em altas temperaturas.
No Brasil, a CBF permite uma pausa por tempo, preferencialmente após 20 minutos, com duração curta.
A FIFA e ligas europeias adotam critérios como o índice WBGT para determinar a necessidade de pausas, com regras variando de acordo com a competição.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

Em dias de calor intenso, a imagem de jogadores se hidratando na beirada do campo, com a partida interrompida por alguns segundos, virou rotina no futebol moderno. Essa "pausa para hidratação" não é um favor à torcida nem um artifício de marketing: é uma medida de proteção à saúde dos atletas, prevista por regulamentos e entidades esportivas. O que muda de competição para competição é o parâmetro usado para decidir quando a partida deve parar para a equipe beber água. Enquanto alguns torneios adotam um simples limite de temperatura ambiente, outros já caminham para pausas fixas por tempo de jogo, independentemente do termômetro. O Lance! explica a regra da "pausa para hidratação".

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A regra da "pausa para hidratação"

Pausa de hidratação no Brasil (CBF)

No futebol brasileiro, a referência principal é o Regulamento Geral de Competições da CBF. O artigo 8º desse documento autoriza expressamente uma parada de hidratação (ou "pausa de hidratação") nas partidas oficiais. A regra traz dois critérios combinados:

  • Se a temperatura do ambiente superar 28 °C, o árbitro pode determinar a interrupção da partida para que os jogadores se hidratem.
  • Além disso, o árbitro tem o direito de usar seu critério e ordenar a pausa mesmo abaixo desse limite, se avaliar que o calor está afetando a segurança e a integridade dos atletas.

O mesmo artigo prevê que a parada deve ser aplicada, de preferência, após os 20 minutos de cada tempo, durando apenas alguns segundos, enquanto os jogadores bebem água nas linhas de fundo ou de lateral. O tempo de pausa é computado e, em geral, devolvido ao final do tempo de jogo, como parte dos acréscimos. Federações estaduais, como a paulista, costumam seguir essa mesma lógica, permitindo uma pausa curta (entre 30 segundos e 1 minuto) quando o calor está elevado, sempre sob comando do árbitro.

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Índices de calor e WBGT em outros torneios

Em ligas europeias, universitárias e em competições internacionais, o critério de pausa para hidratação costuma ir além de um simples número de graus. Muitas entidades utilizam o WBGT (Wet‑Bulb Globe Temperature), que é um índice de estresse térmico que combina temperatura do ar, umidade relativa, vento e radiação solar. Esse índice é mais preciso para indicar se o ambiente é perigoso, mesmo que o termômetro marque uma temperatura aparentemente aceitável.

No âmbito universitário dos EUA, por exemplo, a NCAA e as associações de árbitros de futebol orientam paradas de hidratação obrigatórias quando o WBGT atinge faixas específicas. Em contextos profissionais também, bancos médicos e comissões de arbitragem monitoram esses índices para recomendar à árbitro se cabe ou não uma pausa, mesmo quando a marcação de 28 °C ou 25 °C não é atingida. Em resumo, o WBGT serve como ferramenta técnica para evitar decisões baseadas apenas no termômetro sensível ao sol, aumentando a segurança dos atletas em dias úmidos e radiantes.

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Copa do Mundo e pausas fixas de 3 minutos

Na Copa do Mundo, os critérios de hidratação evoluíram ao longo das últimas edições. Em torneios anteriores, a Fifa previa pausas de hidratação quando a temperatura no início da partida superava 31 °C, com interrupção programada no meio de cada tempo, durando cerca de 3 minutos. Esse modelo buscava alinhar o calor extenso (clima de verão, estádios geograficamente quentes) com uma medida preventiva clara.

A partir de 2025/2026, a regra mudou sensivelmente. Agora, a Fifa determinou que haverá uma pausa de 3 minutos para hidratação em todos os jogos da Copa do Mundo, independente da cidade‑sede, da hora do jogo ou da temperatura exata registrada. O árbitro interrompe o jogo por volta dos 22 minutos de cada tempo, procurando o primeiro momento natural de parada (lesão, saída de bola, falta, etc.), e o jogo volta imediatamente após os jogadores se reabastecerem. Essa mudança foi feita para padronizar o critério, evitar debates sobre termômetros e otimizar o tempo de jogo, já que a pausa será prevista em todos os confrontos.

Como o árbitro decide na prática

Na prática, o árbitro não se limita a olhar apenas o termômetro. Ele observa sinais de estresse térmigo nos jogadores, como falta de ritmo, excesso de sinal de "cãibra", desorientação momentânea ou pedidos frequentes de água nos intervalos de lances. Muitos campeonatos oferecem apoio de bancos médicos e metereologistas, que informam dados de temperatura ambiente e, em alguns casos, WBGT, mas a decisão final sempre é do juiz.

Se o regulamento local permite, ele pode:

  • Declarar a pausa antes de o limite de temperatura ser atingido formalmente, se julgar que o ambiente está se tornando perigoso.
  • Aumentar ligeiramente a duração da parada em condições de extremo calor, garantindo que todos os jogadores tenham tempo real de beber água, sem atrasar excessivamente o jogo.

Em paralelo, sindicatos de jogadores, como o FifPro, reforçam que, em cenários onde o WBGT chega a índices muito altos (acima de 28–30 °C), a melhor solução pode ser remanejar o horário ou até adiar o jogo, em vez de confiar apenas em uma pausa de hidratação.

Em resumo, a regra da pausa para hidratação reúne dois objetivos: preservar a saúde dos atletas e manter o jogo dentro da programação. Enquanto o Brasil ancora a regra em aproximadamente 28 °C e no critério do árbitro, a Fifa opta por pausas fixas de 3 minutos em todos os jogos da Copa, e ligas internacionais recorrem cada vez mais a índices de calor como o WBGT para auxiliar a decisão.

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