EUA justificam veto a árbitro somali por supostos vínculos com terrorismo
Árbitro de 34 anos foi barrado pelo governo norte-americano

O governo Trump impediu o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan de atuar na Copa do Mundo. A justificativa para a decisão, anunciada na terça-feira (9), baseia-se em supostos vínculos do profissional com "suspeitos de integrar organizações terroristas". Barrado nos Estados Unidos às vésperas do início do torneio, o juiz integrava a lista dos 52 árbitros escalados pelo comitê organizador.
O bloqueio na alfândega
Eleito o melhor árbitro da África em 2025, Artan faria história como o primeiro representante de seu país a atuar em uma Copa do Mundo. Contudo, o serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) impediu sua participação no último fim de semana, logo após seu desembarque em Miami.
Uma autoridade norte-americana justificou a inelegibilidade do viajante com base na Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), mesmo diante de relatos de que ele portava um visto válido.
— Após uma inspeção mais detalhada, foram descobertas informações desabonadoras, incluindo associação com suspeitos de integrar organizações terroristas — disse a autoridade. "Após uma inspeção mais detalhada, foram descobertas informações desabonadoras, incluindo associação com suspeitos de integrar organizações terroristas", completou a autoridade.

Indignação e diplomacia travada
O governo da Somália lamentou a decisão e informou que as tratativas com Washington e com a Fifa não obtiveram êxito.
— Suas conquistas internacionais são motivo de honra e orgulho para o povo somali — afirmou o Ministério dos Esportes em comunicado.
A Federação Somali de Futebol (SFF) classificou o episódio como um revés para um profissional reconhecido pela integridade. Em contrapartida, a Fifa adotou postura neutra e declarou que "não participa dos processos migratórios dos países anfitriões, incluindo a concessão de vistos, e foi informada pelas autoridades de que a situação do sr. Artan não será alterada neste momento".
Resiliência e o rigor de Washington
Apesar do episódio, Artan demonstrou tranquilidade no aeroporto de Istambul antes de regressar à Somália:
— Gostaria de agradecer à Fifa por ter me apoiado durante todo esse processo, assim como ao povo somali. Sou muito grato à Fifa e também à CAF (Confederação Africana de Futebol) — declarou o árbitro à Reuters.
Rigidez norte-americana
O comissário da CBP, Rodney Scott, ratificou nesta terça-feira que viajantes são regularmente impedidos de entrar nos Estados Unidos por não atenderem aos requisitos legais ou por representarem uma ameaça.
— Não me importa qual é a sua profissão. A lei continua sendo a lei — disse Scott durante um evento em Washington promovido pelo Center for Immigration Studies, organização que defende políticas de imigração mais restritivas.
— Se você não atende aos requisitos para entrar no país, não vamos permitir sua entrada apenas porque queremos que você arbitre uma partida — completou o comissário.
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