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Estreantes da Copa: Cabo Verde usou paixão pelo futebol para recuperar tempo perdido

País se tornou independente em 1975 e teve ascensão meteórica no esporte

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
15/06/2026 06:00
Bubista abraça torcedores cabo-verdianos em tour pré-Copa do Mundo
Bubista ,treinador de Cabo Verde, abraça torcedores em tour pré-Copa do Mundo (Foto: Patrick Meinhardt / AFP)
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A seleção de Cabo Verde é uma das quatro estreantes na Copa do Mundo de 2026, organizada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, e estreia nesta segunda-feira (15), às 13h (de Brasília), contra a poderosa Espanha. A primeira classificação parece tardia, mas chegou até cedo para o país africano. A história dos cabo-verdianos no futebol é recente, o que torna ainda mais impressionante a conquista da vaga, sonho de uma nação apaixonada pelo futebol.

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O arquipélago de Cabo Verde, formado por dez grandes ilhas, das quais nove são habitadas, tornou-se independente de Portugal apenas em 1975. Três anos depois, a seleção do país fez sua estreia. Em 1982, formou-se a Federação Cabo-Verdiana de Futebol e, em 1986, a entidade filiou-se à Fifa. Mas a primeira participação nas Eliminatórias para a Copa do Mundo via Confederação Africana de Futebol (CAF) foi apenas antes do Mundial de 2002. Ou seja, a equipe precisou de somente sete chances para colocar o seu nome definitivamente na história do futebol.

A história do país africano no esporte foi acompanhada de perto pelo jornalista Moisés Évora, com 40 anos de profissão e principal nome na cobertura dos "Tubarões-Azuis". Em entrevista ao Lance!, o comunicador contou como a paixão dos cabo-verdianos pelo futebol teve influência brasileira. Para ele, as semelhanças entre os dois povos vão muito além.

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— O povo cabo-verdiano vive intensamente o futebol, mesmo antes da nossa independência. Acompanhamos também o futebol do Brasil, a Seleção de Pelé e Garrincha, de Zico. É uma paixão enorme. Eu costumo dizer que há semelhanças entre Brasil e Cabo Verde, a nível de cultura e esportes. Somos povos muito alegres, comunicativos. E o esporte não poderia deixar de ser um ponto muito forte de semelhança — afirmou.

Torcedores de Cabo Verde apoiam a seleção antes da viagem para os Estados Unidos
Torcedores de Cabo Verde apoiam a seleção antes da viagem para os Estados Unidos (Foto: Patrick Meinhardt / AFP)

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A evolução do país no futebol passa muito pela melhor organização da federação, que se reflete também nas competições de clubes. Atualmente, o campeonato nacional cabo-verdiano se inicia com disputas regionais e termina em competição por pontos corridos entre as melhores equipes.

A estrutura e os ótimos resultados esportivos consequentes são essenciais para convencer atletas a representarem a seleção. A população de origem cabo-verdiana fora do país é cerca de três vezes maior que a residente em Cabo Verde — no elenco convocado para a Copa, são 14 jogadores nascidos no exterior. Portanto, a federação mapeia talentos ao redor do mundo. Nos últimos anos, filhos de cabo-verdianos talentosos, como Nani e Nélson Semedo, defenderam a equipe de Portugal. Agora, porém, o convencimento de jogar pelos Tubarões-Azuis foi facilitado.

— É um fato que antes tínhamos pouca competitividade, só jogávamos torneios amistosos. A partir do momento em que começamos a jogar a Copa Africana de Nações, as Eliminatórias, é claro que as atenções mudaram. Eu viajo há muitos anos com a seleção, e antes não via essa conexão com a torcida. Hoje, o povo tem orgulho. É claro que a alternativa de jogar por seleções europeias era outra coisa. Mas hoje temos jogadores em várias partes do mundo, desde jovens, que querem representar Cabo Verde. Há tanta procura que sobram opções — contou Évora.

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Como Cabo Verde chega ao Mundial?

Enquanto tantas seleções, como até mesmo o Brasil, apostam em técnicos estrangeiros, Cabo Verde bancou um treinador nascido no país. E a escolha superou qualquer expectativa. O comandante é Pedro Brito, conhecido como Bubista, de 56 anos, profissional que acompanhou de perto o desenvolvimento da sua nação no futebol. Foi zagueiro, jogou na liga nacional e em Portugal, vestiu a braçadeira de capitão dos Tubarões-Azuis, treinou equipes cabo-verdianas e passou pela seleção como auxiliar. Em janeiro de 2020, assumiu o cargo atual, no qual soma 28 vitórias, 14 empates e 19 derrotas.

— Bubista é uma pessoa humilde, simples, amiga, com trajetória rica no futebol. É uma pessoa calma, que sabe lidar com os ambientes mais quentes com tranquilidade e transmite isso para dentro do campo. Os jogadores confiam nele. É um homem que mostra o valor da humildade. Foi eleito o melhor treinador africano do ano em 2025 — relatou o jornalista.

O elenco de Cabo Verde para a Copa do Mundo é formado 100% por atletas que atuam no exterior: muitos jogam em Portugal, outros tantos em ligas como Turquia e Rússia, além de um representante na Espanha, o zagueiro Logan Costa (Villarreal). A equipe mescla veteranos, como o goleiro Vozinha (Chaves) e o atacante Ryan Mendes (Igdir FK), com jovens talentos, exemplo de Wagner Pina (Trabzonspor). O plantem também mistura jogadores que se notabilizam pela velocidade e força com peças mais técnicas, entre as quais se destaca o ponta Telmo Arcanjo (Vitória de Guimarães).

E foi com esse grupo que os Tubarões-Azuis conseguiram os resultados mais expressivos de sua história ao longo deste ciclo. A primeira grande demonstração de força aconteceu na Copa Africana de Nações de 2023, quando a equipe de Bubista alcançou as quartas de final e perdeu nos pênaltis para a África do Sul. Depois, liderou o Grupo D das Eliminatórias para a Copa do Mundo, superando uma das seleções mais tradicionais do continente: Camarões.

O desafio, claro, será ainda maior no Mundial. Integrante do Grupo H, Cabo Verde já enfrentará duas campeãs mundiais na primeira fase: Espanha, nesta segunda, e Uruguai, no dia 21. A outra adversária é a Arábia Saudita. Na visão de Moisés Évora, o time cabo-verdiano será capaz de se adaptar de acordo com os rivais.

— É uma seleção que tem um pouco de tudo. Defende bem, mescla jogadores jovens e veteranos em uma mistura que traz consistência. Nota-se que tem vários modelos de jogo: poderá tentar jogar no contra-ataque, jogar no erro do adversário e também construir o jogo quando necessário. Temos jogadores muito rápidos, técnicos e outros carregadores de piano, claro. E os resultados não têm surgido por acaso. Mas a grande qualidade da seleção de Cabo Verde é a união: é um grupo muito forte, amigo, lutador — concluiu.

Jogadores de Cabo Verde treinam em início de preparação para a Copa do Mundo
Jogadores de Cabo Verde treinam em preparação para a Copa do Mundo (Foto: Patrick Meinhardt / AFP)

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Campanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo

SeleçãoPontosJogosVitóriasEmpatesDerrotasSaldo

Cabo Verde

23

10

7

2

1

+ 8

Camarões

19

10

5

4

1

+ 12

Líbia

16

10

4

4

2

+ 2

Angola

12

10

2

6

2

+ 1

Maurícia

6

10

1

3

6

- 10

Essuatíni

3

10

0

3

7

- 13

Sobre Cabo Verde

Características gerais:

  1. Localização: África (arquipélago no Oceano Atlântico)
  2. População: 560.899 habitantes (3ª menor da África)
  3. Língua oficial: português
  4. Área: 4.033 km² (5ª menor da África)
  5. Religião predominante: catolicismo

Seleção:

  • Recordista de jogos: Ryan Mendes (96), ainda em atividade
  • Maior artilheiro: Ryan Mendes (22), ainda em atividade

Jogadores mais valiosos da atual seleção:

JogadorClubePosiçãoIdadeValor

Logan Costa

Villarreal (ESP)

Zagueiro

25

€ 18 milhões

Wagner Pina

Trabzonspor (TUR)

Lateral-direito

23

€ 11 milhões

Kevin Lenini

FK Krasnodar (RUS)

Volante

27

€ 5 milhões

Sidny Cabral

Benfica (POR)

Lateral-direito

23

€ 5 milhões

Telmo Arcanjo

Vitória (POR)

Ponta direita

24

€ 3 milhões

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