Colunistas do Lance! fazem balanço da estreia do Brasil e favoritos ao título da Copa do Mundo
Com diferentes visões, colunistas do Lance! destrincham a primeira rodada do Mundial

Com a primeira rodada da Copa do Mundo encerrada, a Seleção Brasileira começou a caminhada em busca do hexacampeonato com um empate diante do Marrocos. O resultado deixou dúvidas sobre o desempenho da equipe de Carlo Ancelotti e abriu debate sobre o que o Brasil precisa melhorar para a sequência do torneio. Colunistas do Lance! analisam a atuação da Amarelinha, destacam os principais pontos da estreia e projetam o que esperar dos próximos desafios.
Fala, Guffo 🗣️
A primeira rodada já mostrou algumas tendências táticas desta Copa e também sinalizou quais seleções realmente podem ambicionar o título. A qualidade técnica individual e coletiva de França, Argentina, Estados Unidos e Inglaterra colocou estas equipes no topo. Tenho a sensação de que pelo menos uma dessas seleções deve chegar à final da Copa.
Por outro lado, algumas seleções consideradas "zebras" podem complicar o caminho de favoritas, e não se surpreenda se vermos uma Costa do Marfim, um Congo, um Marrocos, uma Colômbia ou um Japão chegando a uma semifinal. E onde fica o Brasil nesta projeção?
Dentro das tendências táticas que esta Copa apresentou até agora, está o aproveitamento dos chamados "espaços livres" nas costas das linhas defensivas (geralmente médias ou altas). O Brasil pode crescer na competição se encaixar uma escalação que saiba aproveitar essa tendência. Ancelotti já preparou a base do seu modelo de jogo para isso. Falta achar os jogadores certos. Tomara que dê tempo e possamos ver o Hexa mais perto do que se pensa.
Na visão de Lúcio de Castro
É importante marcar logo que impressões sobre uma primeira rodada são o que o nome indica: apenas impressões superficiais mesmo. Retratos parciais e ainda bem iniciais que podem ou não se consolidar ao longo da Copa.
É fato também que as copas hoje em dia não trazem nenhuma revolução, surpresa. Afinal, há um mês estávamos vendo uma final de Champions League. O jogo que está sendo jogado é globalizado e todo mundo vê.
Mas é possível, tendo como base ainda essa pequena amostragem, ver alguns fragmentos dessa foto do momento.
Antes de qualquer coisa, e é ótimo que seja assim, temos até aqui o Mundial dos grandes craques. Confirmando a excelência. O recital de Lionel Messi, Mbappé mais uma vez em Copa do Mundo, Haaland. E, no apagar das luzes da primeira rodada, Harry Kane. Sinal de que o futebol muda, mas o craque sempre será a alma do jogo.
Além disso, até aqui temos uma tendência de muitos gols que deve diminuir nas próximas fases, já mais equilibradas. Mas que constatam que o aumento para 48 seleções aumentou alguma disparidade entre os extremos, ou seja, as grandes seleções e as menores.
Já entre as chamadas seleções "médias" e as grandes, o vácuo parece ter diminuído. É quase uma perda de respeito, a noção de que elas podem enfrentar as chamadas "gigantes" tradicionais.
E aí temos a notícia ruim para o Brasil. Com seu ciclo atormentado, limitações evidentes, caos da cartolagem, falta de elenco, vácuo nas laterais, vácuo na presença de jogadores mais decisivos. E uma incógnita no meio de campo.
E, se alguém tinha dúvida, a maturidade das seleções africanas.
Nos aspectos do jogo, se não temos uma revolução, como já dito, temos claramente algumas consolidações nessa Copa: a pressão alta chegou para ficar. E incomodar muito, cada vez mais agressiva e coordenada. Os chamados "blocos médios" são muito compactos. Meios de campo povoados.
A contramão do Brasil nesse aspecto parece muito temerária, diga-se de passagem. E a Argentina, como símbolo desse "centrocampismo", dominando o jogo. E, diante desses blocos tão compactos, a figura do velho "ponta" cada vez mais valiosa. O jogador do 1x1, cada dia mais valorizado. O time que tem o seu, tem ouro. As transições parecem até aqui mais rápidas, numa evolução do modelo Barcelona/Espanha que predominou e foi imitado principalmente em 2010 e 2014. E, por fim, a ver se isso irá se confirmar com o desenrolar da competição, um triste ocaso de um gigante, com Cristiano Ronaldo em campo incompatível com o jogo de alto nível. A ver, craques sempre podem calar a boca da massa. Mas não é o indicativo até aqui. Por enquanto, é o que temos.
Tópicos de Tironi
1 - A Copa é física! Times fortes fisicamente foram bem na primeira rodada. Quando aliam força física e técnica, ficam muito fortes, casos da França e da Inglaterra. Essas duas seleções foram as que mais me impressionaram.
2- Destaque para os Estados Unidos. Enfrentou rival difícil e também por ser muito forte fisicamente e rápido, fez uma das grandes estreias desta Copa.
3- Argentina. Confesso que me surpreendeu positivamente. A preparação foi meio secreta, sem grandes confrontos depois de 2022, mas jogou muito bem na estreia (apesar do adversário fraco). Me surpreendeu também Messi. (Mas Messi não surpreende nunca!). Eu explico: não esperava que ele demonstrasse tão boa forma física. Parece mais em forma do que quatro anos atrás.
4 - Decepções foram o Brasil, Espanha e Portugal. Em comum: times mais frágeis fisicamente. No caso da Espanha e de Portugal, times extremamente técnicos, mas que sucumbiram diante de retrancas bem feitas. No caso do Brasil, o que mais assusta é a falta de uma ideia de time. Neste aspecto, Portugal e Espanha estão à frente.
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Agenda do Brasil na Copa do Mundo
Brasil x Haiti
⚽ Fase de grupos (Grupo C)
📅 19 de junho, sexta-feira, às 21h30 (de Brasília)
🏟️ Lincoln Financial Field, Filadélfia, EUA
Brasil x Escócia
⚽ Fase de grupos (Grupo C)
📅 24 de junho, quarta-feira, às 19h (de Brasília)
🏟️ Hard Rock Stadium, Miami, EUA
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