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Brasil estreia contra Marrocos na Copa sem repetir fórmula dos grandes camisas 9

Ancelotti aposta em ataque com mais mobilidade para iniciar o Mundial

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
13/06/2026 06:00
Carlo Ancelotti conversa com Matheus Cunha: ele foi o falso 9 na maioria dos jogos da Seleção com o treinador (Foto: Victor Eleutério/Folhapress)
Carlo Ancelotti conversa com Matheus Cunha: ele foi o falso 9 na maioria dos jogos da Seleção com o treinador (Foto: Victor Eleutério/Folhapress)
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Em Nantes, numa tarde de junho de 1998, Ronaldo marcou pela primeira vez em uma Copa do Mundo. O adversário era Marrocos. Aquele gol, que abriu a vitória por 3 a 0 sobre os marroquinos, seria o primeiro de uma trajetória que terminaria com 15 bolas na rede, transformando o camisa 9 no maior artilheiro brasileiro da história dos Mundiais.

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Vinte e oito anos depois, Brasil e Marrocos voltam a se encontrar em uma Copa. O palco agora é o MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A partida deste sábado, às 19h (de Brasília), abre a caminhada das duas seleções no Grupo C, que também conta com Haiti e Escócia.

A coincidência marca uma mudança na Seleção Brasileira. O país que mais marcou gols em Copas do Mundo, com 237, desembarca na América do Norte sem um centroavante consolidado como referência ofensiva.

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Copa do Mundo chega sob ameaça de calor extremo e riscos à saúde

Brasil x Alemanha - Final da Copa do Mundo de 2002 - Ronaldo Fenômeno
Ronaldo, herói do penta, fez 15 gols em Copas, o primeiro deles contra Marrocos (Foto: Pedro Ugarte /AFP)

Ronaldo foi a última referência

Durante décadas, o ataque brasileiro foi construído ao redor de goleadores. Leônidas da Silva abriu o caminho, em 1938, marcando sete gols e se tornando artilheiro da Copa na Itália. Ademir de Menezes repetiu o feito e marcou nove vezes em apenas seis partidas na Copa de 1950. Vavá foi decisivo nos títulos de 1958, com cinco gols, e 1962, com mais quatro. Careca brilhou em 1986, balançando as redes cinco vezes, e voltou a se destacar em 1990, com dois gols. Romário comandou o tetra, marcando em cinco ocasiões. E Ronaldo elevou o padrão ao atingir 15 gols em quatro edições.

Mesmo em 1970, quando o dono da camisa 9 era Tostão, um jogador que se movimentava por todo o ataque, o Brasil teve o artilheiro da competição. Jairzinho marcou sete vezes e fez gols em todos os jogos daquele Mundial.

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A história da Seleção em Copas quase sempre passou pelos pés de um finalizador. O presente aponta para outra direção.

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Desde que assumiu a equipe, Carlo Ancelotti construiu um ataque mais móvel, menos dependente de um homem fixo dentro da área. Em 12 partidas, o Brasil marcou 26 gols. Nenhum jogador ultrapassou cinco. O artilheiro da era Ancelotti é Estêvão, com cinco gols. Com uma lesão, porém, o jogador do Chelsea está fora do Mundial. Vinicius Júnior aparece logo atrás, com três.

Entre os atacantes de característica mais próxima à de centroavante, apenas três gols foram marcados: dois de Igor Thiago e um de Endrick.

A escolha de Ancelotti foi colocar Matheus Cunha como referência mais avançada. O atacante do Manchester United participa da construção das jogadas, recua para dialogar com os meias e abre espaços para os pontas. Seu papel se aproxima mais do de um articulador ofensivo do que do de um finalizador clássico.

Os números ajudam a entender esse movimento. Em oito jogos pela Seleção sob o comando de Ancelotti, Cunha ainda não marcou. Soma uma assistência, média de 1,2 finalização por partida e apenas 0,2 chute no alvo por jogo.

Endrick, Rayan e Igor Thiago: o atacante do Brentford é o único com características de um centrovante clássico (Foto by Mauro Pimental/AFP)

Números de Igor Thiago e Endrick impressionam

Enquanto isso, os números de Igor Thiago chamam atenção. O atacante chega ao Mundial com 25 gols em 40 partidas pelo Brentford, clube da Premier League. Participou de um gol a cada 132 minutos e precisou de apenas 3,5 chutes para marcar. Pela Seleção, os indicadores são ainda mais expressivos: dois gols e uma assistência em quatro partidas, participação direta em gol a cada 44 minutos, 80% de pontaria nas finalizações e média de apenas 2,5 chutes para balançar as redes.

Endrick também aparece como alternativa. Em sua temporada de clubes, somou oito gols e oito assistências em 24 jogos, participando diretamente de um gol a cada 108 minutos. Pela Seleção, aproveitou as poucas oportunidades recebidas. Em apenas três partidas, marcou uma vez, deu uma assistência e participou diretamente de um gol a cada 52 minutos.

A convocação dos dois parece funcionar como uma espécie de plano alternativo para um time cuja engrenagem ofensiva não gira em torno do centroavante.

Existe ainda uma possibilidade que permanece mais como hipótese do que como realidade imediata. Neymar.

Ancelotti já afirmou que vê o camisa 10 atuando próximo da área, exercendo uma função semelhante à de um falso 9. A ideia seria aproximá-lo do gol, liberando-o de parte das responsabilidades de construção e aproveitando sua capacidade de associação com os atacantes pelos lados.

Os números recentes mostram que ele continua capaz de ocupar zonas decisivas do campo. Desde o início da temporada 2025/26, Neymar marcou 13 gols e deu cinco assistências em 27 partidas pelo Santos. Participou diretamente de um gol a cada 125 minutos e manteve média de três finalizações por jogo.

O debate sobre o centroavante acompanha a Seleção há mais de uma década. Desde a aposentadoria de Ronaldo da Seleção, após a Copa de 2006, o Brasil busca uma sucessão que nunca se consolidou. Em 2010, Luís Fabiano foi o dono da camisa 9 e fez três gols. Na Copa seguinte, Fred marcou apenas um. Em 2018, Gabriel Jesus passou em branco e, no último Mundial, no Catar, Richarlison brilhou com um golaço na estreia contra a Sérvia, mas não repetiu a grande atuação nos jogos seguintes.

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Ancelotti escolheu iniciar o caminho do Brasil na Copa apostando na mobilidade, na troca de posições e na ocupação coletiva dos espaços.

A história dos Mundiais mostra que o Brasil frequentemente encontrou seus momentos mais marcantes quando teve um goleador como referência. A trajetória da equipe nos Estados Unidos, Canadá e México dirá se, desta vez, será possível escrever um capítulo diferente.

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