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Ancelotti tenta quebrar escrita: nunca um técnico estrangeiro ganhou a Copa do Mundo

Mundial tem 27 treinadores dirigindo seleções de outros países, um recorde

PorIgor ReisRio de Janeiro (RJ)
13/06/2026 07:00

Supervisionado porJosé Emílio Aguiar,
Carlo Ancelotti inicia neste sábado a caminhada para tentar se tornar o primeiro técnico estrangeiro campeão da Copa do Mundo (Foto Mauro PIMENTEL/AFP)
Carlo Ancelotti inicia neste sábado a caminhada para tentar se tornar o primeiro técnico estrangeiro campeão da Copa do Mundo (Foto Mauro PIMENTEL/AFP)
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A Copa do Mundo de 2026 é a edição com maior presença de técnicos estrangeiros da história. Das 48 seleções participantes, 27 serão comandadas por treinadores de outras nacionalidades, reflexo de um futebol cada vez mais globalizado e conectado. No entanto, um dado segue desafiando essa tendência: nenhum técnico estrangeiro conseguiu conquistar um título mundial. Uma escrita que o italiano Carlo Ancelotti tentará quebrar a partir deste sábado (13), quando a Seleção Brasileira inicia contra o Marrocos o caminho para buscar o hexa.

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Ao longo de quase um século de história da competição, todas as seleções campeãs levantaram a taça sob o comando de treinadores nascidos no mesmo país que representavam. A escrita atravessou gerações, diferentes estilos de jogo e transformações profundas no futebol internacional.

Nem mesmo nomes consagrados conseguiram quebrar essa barreira. O caso mais emblemático aconteceu na Copa do Mundo de 1978, quando o austríaco Ernst Happel, bicampeão da Champions League com o Feyenoord e o Hamburgo, conduziu a Holanda até a final do torneio disputado na Argentina. Depois de eliminar adversários fortes e confirmar o status de potência da Laranja Mecânica, a seleção holandesa acabou derrotada pelos anfitriões na decisão. Até hoje, o vice-campeonato segue como a melhor campanha de um treinador estrangeiro em Mundiais.

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Além de Happel, o inglês George Raynor também foi vice em 1958, dirigindo a Suécia na final em que os donos da casa perderam para o Brasil por 5 a 2, no primeiro título da Seleção.

O austríaco Ernst Happel foi vice-campeão dirigindo a Holanda na Copa de 1978 (Foto: Reprodução)

Dois técnicos brasileiros chegaram à semifinal

Dois técnicos brasileiros chegaram perto. Otto Glória levou Portugal ao terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966, numa seleção que tinha o craque Eusébio. E Luiz Felipe Scolari, o Felipão, foi quarto colocado em 2006, comandando a equipe que tinha Luis Figo e Cristiano Ronaldo.

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Desde o vice-campeonato de Happel, outros profissionais tentaram repetir ou superar o feito, mas sem sucesso. Em diferentes edições, seleções apostaram em técnicos de fora para implementar novas metodologias, modernizar estruturas e buscar resultados imediatos. Ainda assim, a combinação entre identidade nacional, conhecimento cultural e pressão do ambiente de Copa tem se mostrado um obstáculo difícil de superar.

O cenário ganha ainda mais relevância em 2026. Pela primeira vez, mais da metade das equipes do torneio será dirigida por treinadores estrangeiros. Entre eles estarão nomes experientes e vencedores no futebol de clubes, acostumados a decisões continentais e títulos nacionais.

A principal atenção estará voltada para Carlo Ancelotti. Contratado para comandar a Seleção Brasileira, o italiano chega aos Estados Unidos, México e Canadá cercado por expectativas e com a missão de encerrar um jejum brasileiro que já dura desde 2002. Ao mesmo tempo, carrega a oportunidade de alcançar um feito jamais conquistado por qualquer treinador estrangeiro na história das Copas. Na véspera da estreia, Ancelotti disse considerar uma honra e uma responsabilidade a missão de dirigir o Brasil numa Copa.

O espanhol Roberto Martinez, terceiro colocado com a Bélgica em 2018, é outro candidato, agora dirigindo Portugal, do craque Cristiano Ronaldo. O alemão Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, é mais um estrangeiro entre as seleções favoritas.

Caso uma seleção dirigida por um técnico de outra nacionalidade levante a taça em 2026, o Mundial marcará não apenas uma mudança de campeão, mas também o fim de uma das marcas mais resistentes da história do futebol. Até lá, a escrita segue intacta: em Copas do Mundo, os jogadores cruzaram fronteiras, os estilos se misturaram e os treinadores viajaram pelo planeta, mas a taça sempre voltou para casa acompanhada de um comandante da mesma nacionalidade.

Portugal tem estreia na Copa marcada contra RD Congo, no dia 17 de junho (Foto: John MacDougall/AFP)
O espanhol Roberto Martinez recebe afago de CR7: ele dirigirá Portugal depois de brilhar na Bélgica (Foto: John MacDougall/AFP)

Veja seleções que tem treinadores estrangeiros:

São esses os treinadores que vão tentar quebrar a escrita de 96 anos: desde 1930, nenhum técnico estrangeiro conquistou a Copa do Mundo.

  1. Carlo Ancelotti (Itália) - Brasil
  2. Roberto Martinez (Espanha) - Portugal
  3. Thomas Tuchel (Alemanha) - Inglaterra
  4. Mauricio Pochettino (Argentina) - Estados Unidos
  5. Marcelo Bielsa (Argentina) - Uruguai
  6. Ralf Rangnick (Alemanha) - Áustria
  7. Vincenzo Montella (Itália) - Turquia
  8. Julen Lopetegui (Espanha) - Catar
  9. Sebastián Beccacece (Argentina) - Equador
  10. Gustavo Alfaro (Argentina) - Paraguai
  11. Carlos Queiroz (Portugal) - Gana
  12. Néstor Lorenzo (Argentina) – Colômbia
  13. Rudi Garcia (França) – Bélgica
  14. Sabri Lamouchi (França) – Tunísia
  15. Sébastien Migné (França)– Haiti
  16. Sébastien Desabre (França) – Congo
  17. Hugo Broos (Bélgica) – África do Sul
  18. Dick Advocaat (Holanda) – Curaçao
  19. Graham Arnold (Austrália) – Iraque
  20. Georgios Donis (Grécia) – Arábia Saudita
  21. Jesse Marsch (EUA) – Canadá
  22. Vladimir Petković (Bósnia) – Argélia
  23. Fabio Cannavaro (Itália) – Uzbequistão
  24. Graham Potter (Inglaterra) - Suécia
  25. Daren Bazeley (Inglaterra) - Nova Zelândia
  26. Thomas Christianssen (Dinamarca) - Panamá
  27. Jamal Sellami (Marrocos) - Jordânia*

* Alguns treinadores ganharam cidadania do país após o seu trabalho na seleção nacional, como foi o caso de Jamal Sellami, que conquistou o título de cidadão da Jordânia após decreto do Rei Abdullah. A decisão foi tomada em reconhecimento das suas significativas contribuições para o futebol jordaniano, que incluem liderar a seleção nacional à sua primeira qualificação para o Mundial.

O alemão Thomas Tuchel comanda a Inglaterra e é um dos candidatos a quebrar a escrita (Foto Richard Pelham/AFP)

Veja seleções que tem treinadores do próprio país:

Caso essa escrita permaneça na Copa do Mundo de 2026, sobram apenas 21 seleções nessa equação de possíveis campeãs.

  1. Javier Aguirre (México)
  2. Ronald Koeman (Holanda)
  3. Hong Myung-bo (Coreia do Sul)
  4. Miroslav Koubek (Tchéquia)
  5. Murat Yakin (Suíça)
  6. Sergej Barbarez (Bósnia e Herzegovina)
  7. Mohamed Ouahbi (Marrocos) *Nascido na Bélgica, família marroquina.
  8. Steve Clarke (Escócia)
  9. Tony Popovic (Austrália)
  10. Julian Nagelsmann (Alemanha)
  11. Emerse Faé (Costa do Marfim) *Nascido na França, mas atuou pela seleção marfinense.
  12. Hajime Moriyasu (Japão)
  13. Hossam Hassan (Egito)
  14. Amir Ghalenoei (Irã)
  15. Luis de la Fuente (Espanha)
  16. Bubista (Cabo Verde)
  17. Didier Deschamps (França)
  18. Pape Thiaw (Senegal)
  19. Stale Solbakken (Noruega)
  20. Lionel Scaloni (Argentina)
  21. Zlatko Dalic (Croácia) *Nascido na antiga Iugoslávia, em território da Bósnia.
Mbappé e Deschamps na apresentação da França (Foto: Thomas Padilla / POOL / AFP)
Deschamps com o craque Mbappé: campeão como técnico e jogador (Foto: Thomas Padilla/POOL/AFP)

Veja a lista de treinadores campeões do mundo:

  1. 1930 - Alberto Suppici (Uruguai)
  2. 1934/1938 - Vittorio Pozzo (Itália)
  3. 1950 - Juan López Fontana (Uruguai)
  4. 1954 - Sepp Herberger (Alemanha)
  5. 1958 - Vicente Feola (Brasil)
  6. 1962 - Aymoré Moreira (Brasil)
  7. 1966 - Alf Ramsey (Inglaterra)
  8. 1970 - Zagallo (Brasil)
  9. 1974 - Helmut Schön (Alemanha)
  10. 1978 - César Luis Menotti (Argentina)
  11. 1982 - Enzo Bearzot (Itália)
  12. 1986 - Carlos Bilardo (Argentina)
  13. 1990 - Franz Beckenbauer (Alemanha)
  14. 1994 - Carlos Alberto Parreira (Brasil)
  15. 1998 - Aimé Jacquet (França)
  16. 2002 - Luiz Felipe Scolari (Brasil)
  17. 2006 - Marcello Lippi (Itália)
  18. 2010 - Vicente del Bosque (Espanha)
  19. 2014 - Joachim Löw (Alemanha)
  20. 2018 - Didier Deschamps (França)
  21. 2022 - Lionel Scaloni (Argentina)

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