Ancelotti tenta quebrar escrita: nunca um técnico estrangeiro ganhou a Copa do Mundo
Mundial tem 27 treinadores dirigindo seleções de outros países, um recorde

A Copa do Mundo de 2026 é a edição com maior presença de técnicos estrangeiros da história. Das 48 seleções participantes, 27 serão comandadas por treinadores de outras nacionalidades, reflexo de um futebol cada vez mais globalizado e conectado. No entanto, um dado segue desafiando essa tendência: nenhum técnico estrangeiro conseguiu conquistar um título mundial. Uma escrita que o italiano Carlo Ancelotti tentará quebrar a partir deste sábado (13), quando a Seleção Brasileira inicia contra o Marrocos o caminho para buscar o hexa.
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Ao longo de quase um século de história da competição, todas as seleções campeãs levantaram a taça sob o comando de treinadores nascidos no mesmo país que representavam. A escrita atravessou gerações, diferentes estilos de jogo e transformações profundas no futebol internacional.
Nem mesmo nomes consagrados conseguiram quebrar essa barreira. O caso mais emblemático aconteceu na Copa do Mundo de 1978, quando o austríaco Ernst Happel, bicampeão da Champions League com o Feyenoord e o Hamburgo, conduziu a Holanda até a final do torneio disputado na Argentina. Depois de eliminar adversários fortes e confirmar o status de potência da Laranja Mecânica, a seleção holandesa acabou derrotada pelos anfitriões na decisão. Até hoje, o vice-campeonato segue como a melhor campanha de um treinador estrangeiro em Mundiais.
Além de Happel, o inglês George Raynor também foi vice em 1958, dirigindo a Suécia na final em que os donos da casa perderam para o Brasil por 5 a 2, no primeiro título da Seleção.

Dois técnicos brasileiros chegaram à semifinal
Dois técnicos brasileiros chegaram perto. Otto Glória levou Portugal ao terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966, numa seleção que tinha o craque Eusébio. E Luiz Felipe Scolari, o Felipão, foi quarto colocado em 2006, comandando a equipe que tinha Luis Figo e Cristiano Ronaldo.
Desde o vice-campeonato de Happel, outros profissionais tentaram repetir ou superar o feito, mas sem sucesso. Em diferentes edições, seleções apostaram em técnicos de fora para implementar novas metodologias, modernizar estruturas e buscar resultados imediatos. Ainda assim, a combinação entre identidade nacional, conhecimento cultural e pressão do ambiente de Copa tem se mostrado um obstáculo difícil de superar.
O cenário ganha ainda mais relevância em 2026. Pela primeira vez, mais da metade das equipes do torneio será dirigida por treinadores estrangeiros. Entre eles estarão nomes experientes e vencedores no futebol de clubes, acostumados a decisões continentais e títulos nacionais.
A principal atenção estará voltada para Carlo Ancelotti. Contratado para comandar a Seleção Brasileira, o italiano chega aos Estados Unidos, México e Canadá cercado por expectativas e com a missão de encerrar um jejum brasileiro que já dura desde 2002. Ao mesmo tempo, carrega a oportunidade de alcançar um feito jamais conquistado por qualquer treinador estrangeiro na história das Copas. Na véspera da estreia, Ancelotti disse considerar uma honra e uma responsabilidade a missão de dirigir o Brasil numa Copa.
O espanhol Roberto Martinez, terceiro colocado com a Bélgica em 2018, é outro candidato, agora dirigindo Portugal, do craque Cristiano Ronaldo. O alemão Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, é mais um estrangeiro entre as seleções favoritas.
Caso uma seleção dirigida por um técnico de outra nacionalidade levante a taça em 2026, o Mundial marcará não apenas uma mudança de campeão, mas também o fim de uma das marcas mais resistentes da história do futebol. Até lá, a escrita segue intacta: em Copas do Mundo, os jogadores cruzaram fronteiras, os estilos se misturaram e os treinadores viajaram pelo planeta, mas a taça sempre voltou para casa acompanhada de um comandante da mesma nacionalidade.

Veja seleções que tem treinadores estrangeiros:
São esses os treinadores que vão tentar quebrar a escrita de 96 anos: desde 1930, nenhum técnico estrangeiro conquistou a Copa do Mundo.
- Carlo Ancelotti (Itália) - Brasil
- Roberto Martinez (Espanha) - Portugal
- Thomas Tuchel (Alemanha) - Inglaterra
- Mauricio Pochettino (Argentina) - Estados Unidos
- Marcelo Bielsa (Argentina) - Uruguai
- Ralf Rangnick (Alemanha) - Áustria
- Vincenzo Montella (Itália) - Turquia
- Julen Lopetegui (Espanha) - Catar
- Sebastián Beccacece (Argentina) - Equador
- Gustavo Alfaro (Argentina) - Paraguai
- Carlos Queiroz (Portugal) - Gana
- Néstor Lorenzo (Argentina) – Colômbia
- Rudi Garcia (França) – Bélgica
- Sabri Lamouchi (França) – Tunísia
- Sébastien Migné (França)– Haiti
- Sébastien Desabre (França) – Congo
- Hugo Broos (Bélgica) – África do Sul
- Dick Advocaat (Holanda) – Curaçao
- Graham Arnold (Austrália) – Iraque
- Georgios Donis (Grécia) – Arábia Saudita
- Jesse Marsch (EUA) – Canadá
- Vladimir Petković (Bósnia) – Argélia
- Fabio Cannavaro (Itália) – Uzbequistão
- Graham Potter (Inglaterra) - Suécia
- Daren Bazeley (Inglaterra) - Nova Zelândia
- Thomas Christianssen (Dinamarca) - Panamá
- Jamal Sellami (Marrocos) - Jordânia*
* Alguns treinadores ganharam cidadania do país após o seu trabalho na seleção nacional, como foi o caso de Jamal Sellami, que conquistou o título de cidadão da Jordânia após decreto do Rei Abdullah. A decisão foi tomada em reconhecimento das suas significativas contribuições para o futebol jordaniano, que incluem liderar a seleção nacional à sua primeira qualificação para o Mundial.

Veja seleções que tem treinadores do próprio país:
Caso essa escrita permaneça na Copa do Mundo de 2026, sobram apenas 21 seleções nessa equação de possíveis campeãs.
- Javier Aguirre (México)
- Ronald Koeman (Holanda)
- Hong Myung-bo (Coreia do Sul)
- Miroslav Koubek (Tchéquia)
- Murat Yakin (Suíça)
- Sergej Barbarez (Bósnia e Herzegovina)
- Mohamed Ouahbi (Marrocos) *Nascido na Bélgica, família marroquina.
- Steve Clarke (Escócia)
- Tony Popovic (Austrália)
- Julian Nagelsmann (Alemanha)
- Emerse Faé (Costa do Marfim) *Nascido na França, mas atuou pela seleção marfinense.
- Hajime Moriyasu (Japão)
- Hossam Hassan (Egito)
- Amir Ghalenoei (Irã)
- Luis de la Fuente (Espanha)
- Bubista (Cabo Verde)
- Didier Deschamps (França)
- Pape Thiaw (Senegal)
- Stale Solbakken (Noruega)
- Lionel Scaloni (Argentina)
- Zlatko Dalic (Croácia) *Nascido na antiga Iugoslávia, em território da Bósnia.

Veja a lista de treinadores campeões do mundo:
- 1930 - Alberto Suppici (Uruguai)
- 1934/1938 - Vittorio Pozzo (Itália)
- 1950 - Juan López Fontana (Uruguai)
- 1954 - Sepp Herberger (Alemanha)
- 1958 - Vicente Feola (Brasil)
- 1962 - Aymoré Moreira (Brasil)
- 1966 - Alf Ramsey (Inglaterra)
- 1970 - Zagallo (Brasil)
- 1974 - Helmut Schön (Alemanha)
- 1978 - César Luis Menotti (Argentina)
- 1982 - Enzo Bearzot (Itália)
- 1986 - Carlos Bilardo (Argentina)
- 1990 - Franz Beckenbauer (Alemanha)
- 1994 - Carlos Alberto Parreira (Brasil)
- 1998 - Aimé Jacquet (França)
- 2002 - Luiz Felipe Scolari (Brasil)
- 2006 - Marcello Lippi (Itália)
- 2010 - Vicente del Bosque (Espanha)
- 2014 - Joachim Löw (Alemanha)
- 2018 - Didier Deschamps (França)
- 2022 - Lionel Scaloni (Argentina)
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