Análise: Marrocos mostra armas para desafiar o Brasil na estreia da Copa
Equipe marroquinha apostas nas transições rápidas e no maestro Hakimi

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HARRISON, NJ (EUA) - Faltam poucos dias para a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, mas Carlo Ancelotti certamente já tem motivos para olhar com atenção para o primeiro adversário do Mundial.
O Lance! acompanhou de perto o empate de Marrocos sobre a Noruega, no Sports Illustrated Stadium, em Nova Jersey, e a impressão deixada pela equipe comandada por Mohamed Ouahbi foi clara: trata-se de um time extremamente organizado, perigoso em transições e que sabe exatamente como quer jogar.
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Se o torcedor brasileiro imagina encontrar um adversário que tentará disputar a posse de bola de igual para igual, a realidade parece ser diferente. Marrocos se sente confortável sem a bola, atuando no clássico 4-4-2. Mais do que isso: muitas vezes dá a impressão de estar sendo dominado, mas mantém total controle defensivo da partida.
A provável escalação da equipe para o duelo contra o Brasil é: Bounou, Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Bellmalli); Boaudi, El Ayanaoui, Ezzalzoui e Brahim Díaz; Ounahi e Saibani. Vale ressaltar que Mazraoui e Ezzalzoui deixaram o gramado no amistoso contra a Noruega com problemas físicos e serão reavaliados durante a semana.

A equipe africana defende de forma compacta, com os jogadores posicionados atrás da linha da bola e os espaços entre os setores bastante reduzidos. A pressão acontece de maneira inteligente e contextual. Quando identifica uma oportunidade de sufocar o adversário, o bloco sobe rapidamente. Caso contrário, os marroquinos preferem esperar pelo erro rival.
E é justamente nesse aspecto que mora um dos maiores perigos.
Marrocos joga muito em função da recuperação da posse. A equipe costuma permitir que o adversário troque passes e avance no campo, mas está sempre preparada para acelerar assim que recupera a bola. O gol sobre a Noruega no empate por 1 a 1, no Sports Illustrated Stadium, nasceu exatamente dessa característica: uma roubada de bola no campo ofensivo, transição rápida e finalização certeira de Brahim Díaz da entrada da área.
Quando parte para o ataque, o time impressiona pela velocidade e pela qualidade das decisões. A troca de passes entre defesa e ataque acontece em alta intensidade e com poucos erros. Dificilmente a equipe desperdiça a primeira ou a segunda ação após recuperar a posse.
Outro padrão bastante evidente é a busca por superioridade numérica nos corredores laterais. Lateral, volante, meia e atacante se aproximam para criar tabelas curtas e movimentações coordenadas. O objetivo é abrir espaço para infiltrações, principalmente nas costas dos zagueiros adversários.
Na coletiva, Ouahbi admitiu que o time precisa melhorar nas finalizações.
— Faltam pequenos ajustes, mas eu não me preocupo muito com isso. Sabemos que podemos marcar os gols, que podemos marcar muitos. E já me mostraram, então devemos manter a confiança. Sobretudo, acho que é com a confiança que vai funcionar. Estamos preparados e vamos poder mostrar uma boa imagem nos próximos jogos, com uma vitória, eu espero — analisou.
As entradas dos meias na área, aliás, são uma arma recorrente. Em diversos momentos contra a Noruega, os jogadores que vinham de trás atacaram os espaços deixados pela última linha defensiva, criando situações de perigo sem a necessidade de cruzamentos constantes.
Nas transições ofensivas, existe ainda um detalhe que merece atenção da defesa brasileira. Frequentemente o contra-ataque começa por um lado do campo e termina no outro. A bola circula rapidamente de um corredor ao outro até encontrar o atleta livre para finalizar. É um movimento repetido e claramente treinado por Ouahbi.
Hakimi é o símbolo da seleção marroquina
Se existe um jogador que simboliza essa dinâmica ofensiva, ele atende pelo nome de Achraf Hakimi. Atuando pelo lado direito, o lateral é o grande organizador das transições marroquinas. Quase todas as jogadas perigosas passam por seus pés. Seja com viradas de jogo, passes verticais ou conduções em velocidade, Hakimi funciona como um verdadeiro maestro do setor ofensivo.
Quando pressionado na saída de bola, porém, Marrocos não demonstra obsessão pela construção curta. O goleiro Yassine Bounou, conhecido como Bono, frequentemente opta pela ligação direta para o ataque, evitando riscos próximos à própria área.
O amistoso diante da Noruega deixou uma mensagem importante para o Brasil. O time de Mohamed Ouahbi talvez não encante pela posse de bola ou pelo volume ofensivo constante, mas é extremamente eficiente dentro de sua proposta. Compacto para defender, veloz para atacar e letal quando encontra espaços, Marrocos chega à estreia da Copa como um adversário muito mais perigoso do que os números ou a tradição podem sugerir. Em Nova Jersey, Ancelotti encontrará uma equipe que sabe sofrer sem a bola e que precisa de poucos segundos para transformar uma recuperação de posse em uma chance clara de gol.

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