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Análise tática do Guffo: onde encaixar Thiago Almada no Flamengo?

Contratação de 28 milhões de euros traz peso de craque, mas desafia Leonardo Jardim

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
28/07/2026 11:34
Atualizado há 1 minutos

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Thiago Almada em ação pela Argentina contra a Argélia na estreia da Copa do Mundo
Thiago Almada em ação pela Argentina contra a Argélia na estreia da Copa do Mundo (Foto: Michael Steele/AFP)

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Thiago Almada no Flamengo parece uma daquelas contratações que excitam a torcida e assustam o adversário, mas que, na prancheta tática, esbarra num problema clássico do futebol moderno: onde encaixar um craque quando o time já tem craques demais para a mesma função? Se confirmar, o argentino chega por algo próximo a 28 milhões de euros, a terceira contratação mais cara do Brasileirão, e não vem para sentar no banco.

Para entender melhor o Almada, é preciso voltar ao que ele fez no Botafogo. O argentino é, por natureza, um ponta esquerda destro que cai por dentro. No 4-2-3-1 de Artur Jorge, ele jogava como ponta, mas sua movimentação natural o levava para a zona central, deixando o corredor para o lateral (geralmente Alex Telles). Almada não é um extremo de beirada. Ele baixa na base da jogada para ver o jogo de frente, ditar o ritmo e, no terço final, cortar para dentro para finalizar ou criar. É um perfil que conversa bem com o que Jardim pede, mas que também gera um "probleminha" estrutural.

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O lugar de Lino seria o natural

A primeira opção óbvia seria colocá-lo no lugar de Samuel Lino. O problema é que Lino virou peça fundamental sob Jardim. São 14 participações em gols nos 24 jogos do português no comando, mais de uma a cada dois jogos, número absurdo para alguém que não é nem 9 nem 10. Mais do que isso, Lino assumiu a função de romper nas costas da defesa, algo que Jardim tinha com Kaio Jorge no Cruzeiro e que adaptou para o Flamengo porque Pedro é um craque de outra característica. Tirar o Lino agora para encaixar o Almada significa mudar o mecanismo ofensivo. Veja na arte abaixo esse encaixe.

Análise tática de Almada jogando no Flamengo
Análise tática de Almada jogando no Flamengo (Arte: SportsBase)

A segunda via seria encaixar Almada como camisa 10 no lugar de Arrascaeta. O uruguaio vem da melhor temporada desde 2019, foi decisivo sozinho em 2025, mas a realidade física não mente. Com 32 anos, o histórico de lesões é alarmante: 114 dias fora na temporada 24/25, problemas em todas as temporadas desde que chegou ao clube. Arrascaeta não vai jogar todos os jogos, isso é fato. E quando ele não estiver disponível, Almada é o substituto natural para a função de articulador central. O argentino já fez isso no Botafogo quando Savarino não estava disponível, e foi muito bem. A questão é se ele será apenas um reserva de luxo ou se Jardim ousará jogar com os dois juntos. Veja na arte abaixo esse encaixe.

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Análise tática de Almada jogando no Flamengo centralizado
Análise tática de Almada jogando no Flamengo (Arte: SportsBase)

A terceira possibilidade, Almada na ponta direita, é a que mais me preocupa. O Flamengo tem uma tradição recente de pontas direitos que caem por dentro: Paquetá, Carrascal, Everton Ribeiro em 2019. Todos canhotos. Almada é destro. Se você o colocar na direita, ele perde o corte natural para dentro, que é sua maior característica. Ele passa a ser um jogador de beirada, algo que ele nunca foi. É desperdiçar 28 milhões de euros para transformar um criador em um corredor.

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O melhor elenco das Américas pode ser um problema?

A solução, na minha visão, passa por mobilidade. Jardim não precisa escolher entre Almada e Arrascaeta, pode jogar com os dois, desde que entenda que o Flamengo precisa de um sistema de trocas constantes de posição à frente, com Pedro como referência fixa. Arrascaeta já jogou como meia esquerda na era Gabigol-Bruno Henrique. Almada pode flutuar entre a ponta e o centro. Lino, quando estiver em campo, faz o papel de rompedor. O problema é que esse modelo exige laterais que ataquem por fora para compensar os pontas que caem por dentro, e o Flamengo não tem esses laterais hoje.

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O cenário realista é que o Flamengo vai ter um elenco de altíssimo nível para os setores ofensivos e de meio-campo, e nem todos vão jogar juntos. A ideia de um "time titular ideal" pode ser uma ilusão que só levará a debates inúteis. Lesões irão acontecer: Pedro tem histórico importante de ausências por lesões e Arrascaeta é uma incógnita física constante. Almada não vem para ser reserva; vem para ser titular, mas em qual posição dependerá de quem estiver disponível e de como Jardim quiser atacar cada adversário. O risco é gastar 28 milhões em um ponta que cai por dentro quando o Flamengo precisa desesperadamente de um lateral que ataque por fora. O talento do argentino é indiscutível, mas talento sem encaixe tático é luxo caro em um time que já tem luxo de sobra.

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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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