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SAF do Botafogo divulga balanço financeiro com dívida bilionária e receita recorde

Glorioso vive crise profunda com incerteza societária; auditoria não esclarece

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Leonardo Bessa
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 01/05/2026
02:33
John Textor vive momento de incerteza na SAF do Botafogo (Foto: Mauro Pimentel/AFP)
imagem cameraJohn Textor vive momento de incerteza na SAF do Botafogo (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

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A SAF do Botafogo publicou na noite da última quinta-feira (30/4) o balanço financeiro referente ao ano de 2025. O documento de 81 páginas divulgou o clube com receita recorde na temporada passada e uma dívida bilionária, que vem aumentando a cada dia da grave crise enfrentada pelo projeto iniciado nos primeiros meses de 2022.

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Entenda o cenário da SAF do Botafogo após suspensão de poderes da Eagle Bidco

O faturamento de 2025 foi de R$ 1,44 bilhão, o maior da história do Glorioso. A maior parte foi com venda de atletas, chegando a R$ 733 milhões. O resto do montante é somado à R$ 269 milhões em premiações (impulsionado pela campanha no Mundial de Clubes), R$ 92 milhões em publicidade, R% 52 milhões com sócio-torcedor e R$ 60 milhões com vendas de produtos.

Já o passivo do clube, os valores a serem pagos e que têm perturbado John Textor, chega a R$ 2 bilhões, sendo R$ 260 milhões de receita não auferida. No balanço, com esse parâmetro, a dívida foi representada na casa de R$ 1,8 bilhão. O valor, assim como a receita, é o maior da história do Botafogo.

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De acordo com o documento disponibilizado no site oficial (CLIQUE AQUI), a SAF do Botafogo chegou aos R$ 550 milhões reduzidos de dívida do Botafogo Social, tendo pago R$ 80 milhões dessa quantia em 2025. O clube social, vale destacar, é presidido por João Paulo Magalhães e detém 10% das ações.

Receita do Botafogo em 2025 (Foto: Reprodução)
Receita do Botafogo em 2025 (Foto: Reprodução)

Sobre as demonstrações financeiras, Textor, agora afastado, mas que esteve à frente no período do balanço, reconheceu o fracasso no modelo de colaboração na rede multiclubes da Eagle. O tema foi parar na Justiça, com o Alvinegro cobrando mais de R$ 700 milhões do Lyon.

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— É importante reconhecer os desafios enfrentados. O modelo de colaboração multiclubes, que nos ajudou a atingir a melhor temporada dos nossos 120 anos de história, e com sucesso similar para nossos clubes parceiros, se provou extremamente frágil, criando desafios significativos à medida que buscamos manter nossa relevância global. Assumimos essa realidade com responsabilidade e clareza — escreveu o empresário.

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Auditoria da SAF do Botafogo

A BDO, empresa contratada para auditoria independente sobre as demonstrações contábeis, emitiu abstenção de opinião e citou que, em meio ao pedido de recuperação judicial da SAF, no fim de abril, e o cenário de incerteza no projeto, "não foi possível obter evidências de auditoria apropriadas e suficientes", podendo afetas ativos, passivos, patrimônio líquido e fluxo de caixa.

A auditoria aponta para dúvida quanto à saúde do projeto em sua operação.

— O Clube apresenta capital circulante negativo de R$ 952.032 mil (R$ 549.048 mil em 2024) e passivo a descoberto de R$ 431.917 mil (R$ 141.220 mil em 2024). A continuidade de suas atividades depende das diversas medidas que a administração deve adotar para assegurar a recuperação financeira da Companhia e o alcance do equilíbrio econômico de suas operações — diz parte do relatório do auditor independente.

Trecho de relatório na auditoria do Botafogo (Foto: Reprodução)
Trecho de relatório na auditoria do Botafogo (Foto: Reprodução)

Quanto aos problemas com operações com o Lyon e Eagle Bidco, a BDO escreveu que não há premissas suficientes nas demonstrações para os cálculos de possibilidade de recuperação dos valores cobrados. Na prática, a empresa indicou ao longo de seus 13 parágrafos, que o trabalho de auditoria independente foi prejudicado, como por ausências de documentações para suporte em receitas e débitos, além de confirmações bancárias.

Cenário atual

O Botafogo vive momento delicado financeiramente em meio à guerra por controle das ações. Nos últimos dias, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) tirou todos os poderes de decisão da Eagle Bidco, empresa acionista majoritária, e manteve Durcesio Mello, nomeado diretor-geral da SAF após o Tribunal Arbitral da FGV tirar Textor. Os próximos passos devem ser decisivos.

Durcesio Mello terá de convocar Assembleia Geral Extraordinária, onde o Botafogo Social, único acionista com poder, irá votar sobre sua permanência. Além disso, há a expectativa por aprovação para entrada de aporte, além de proposta de novo investidor.

A GDA Luma, empresa que emprestou os primeiros 25 milhões de dólares, é a mais cotada no momento. John Textor balança na SAF e pode estar vivendo os últimos momentos no Glorioso.

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