Craques do vôlei celebram representatividade LGBTQIA+ na Seleção
Douglas, Adriano, Maique e Pureza usam o voleibol como instrumento de representatividade

A Seleção Brasileira Masculina de Vôlei estreia na Liga das Nações nesta quarta-feira (10), às 20h (horário de Brasília), contra o Irã. Em pleno mês do Mês do Orgulho LGBTQIA+, quatro dos convocados que vão defender a amarelinha se destacam por usar as quadras como um mecanismo para exterminar preconceitos e promover a representatividade no esporte: Douglas Souza, Adriano Xavier, Maique Reis e Douglas Pureza.
A presença deste quarteto em um torneio do nível de competitividade e visibilidade da VNL, que reúne as melhores seleções do mundo, simboliza um avanço importante na promoção de espaços para homossexuais no meio esportivo. É através dele que estes jogadores superam os estigmas impostos pela homofobia todos os dias e provam que a quadra fala por si só.
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O campeão olímpico Douglas Souza não se considera pioneiro do movimento LGBTQIA+ no vôlei brasileiro, mas reconhece que foi o primeiro a ter sua sexualidade igualmente respeitada neste ambiente.
— Para mim, é uma honra. Vieram (outros atletas LGBTQIA+) antes de mim, lógico. Mas aqui, dentro da Seleção, de ser respeitado e tratado da mesma forma, primeiro veio o Douglas, depois o Maique. Eu tinha colocado isso como uma meta pessoal, de não me aposentar da Seleção até ter um outro que pudesse continuar. Isso, para mim, era o mais importante, sabe? Mostrar que todo mundo é igual, que todo mundo pode disputar posição. Ali, dentro da quadra, nada importa. O que importa é a sua performance, o que você pode entregar — afirmou o ponteiro de 30 anos, em entrevista ao Lance!.
De volta à Seleção após cinco anos aposentado, Douglas é tido como um dos atletas mais carismáticos do Brasil e soma quase dois milhões de seguidores nas redes sociais, onde compartilha a rotina de treinos, jogos e a vida pessoal. No entanto, o carinho e o reconhecimento pela sua representatividade não se limitam apenas às plataformas digitais.
— Eu vivo minha vida muito tranquilo, porque eu tiro um pouco dessa pressão de cima de mim. O vôlei amador é muito conhecido por ter bastante gays assim, da comunidade, que acompanham e torcem. Então, eu recebo muitas mensagens, não só nas redes sociais, mas até também em jogos da galera que fala que se inspira. Eu me sinto muito feliz e grato de poder viver tudo isso, de ter trabalhado para conseguir chegar até aqui e de me manter, porque eu sei o quão importante isso é para a comunidade — finalizou Douglas.
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Melhor líbero da Liga das Nações em 2025, Maique reconhece o valor da sua convocação e das de seus companheiros em meio aos desafios diários enfrentados pela comunidade LGBTQIA+. Na Seleção, ele também enxerga a oportunidade de inspirar mais homossexuais a seguirem carreira no esporte.
— Com certeza vai além das quadras (a representatividade). É uma luta que temos diariamente. A gente sempre tem que estar trabalhando muito mais do que os outros para se provar. Não falo só no meio do esporte, mas em qualquer outro trabalho. Então, ver nós quatro aqui, gays assumidos, para mim tem um significado extremamente importante. Não só para nós que estamos aqui, vestindo a camisa da Seleção e defendendo a nossa comunidade, mas também para o público "vôleifã". Acho que a gente consegue inspirar muitas pessoas, muitos "Maiques", "Douglas", "Adrianos" e "Purezas" que vão vir por aí — pontuou o líbero de 28 anos.
Além da forte ligação que existe entre os quatro, outro fator que tem ajudado no enfrentamento dos desafios diários é o acolhimento por parte da comissão técnica de Bernardinho. Para Maique, ao convocarem jogadores assumidamente homossexuais, o treinador bicampeão olímpico e seus auxiliares escolheram defender a causa LGBTQIA+.
— A comissão técnica é muito aberta e, querendo ou não, abriu as portas para ter quatro gays aqui. Existe uma sociedade lá fora que retalia e ainda reprime a nossa comunidade, então eles também "botam peito" ali e defendem. É extremamente importante ver o Bernardo e a nossa comissão toda, o Fronckowiak, que são pessoas que estão juntas com a gente. Eles sempre perguntam se estamos nos sentindo bem, se estamos passando por alguma coisa. Além desse respeito, eles têm esse cuidado com a gente no dia a dia — completou Maique.
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Agenda da Seleção Masculina na primeira semana da VNL, em Brasília
- Quarta-feira, dia 10 de junho (20h) - Brasil x Irã - SporTV, GE TV e VBTV
- Quinta-feira, dia 11 de junho (20h) - Brasil x Bélgica - SporTV e VBTV
- Sábado, dia 13 de junho (11h) - Brasil x Sérvia - SporTV, GE TV e VBTV
- Domingo, dia 14 de junho (18h) - Brasil x Argentina - SporTV e VBTV
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