Queda no ataque e bloqueio explica eliminação precoce do Brasil na VNL masculina
Raio-X mostra que passe foi o fundamento que menos prejudicou na campanha

A campanha do Brasil na Liga das Nações de vôlei masculino terminou antes do esperado. Após um início promissor, com direito a invencibilidade na primeira semana classificatória, a Seleção caiu de rendimento e acumulou cinco derrotas nas últimas oito rodadas, ficando fora do mata-mata. As estatísticas ajudam a entender o que motivou a eliminação e apontam que o principal problema esteve na eficiência ofensiva e no bloqueio.
Embora a equipe de Bernardinho tenha se mantido regular na recepção e minimizado os erros na última semana, a capacidade de converter ataques em pontos diminuiu significativamente ao longo da competição. O Brasil encerrou a primeira fase com média de 34,5% de eficiência no ataque, aproximadamente cinco pontos percentuais abaixo de Japão (39,4%) e Polônia (39,7%), as duas seleções que lideraram a classificação da VNL.
O bloqueio, ou a falta dele, foi outro problema com um média de apenas 2,02 por parcial. O fundamento até começou bem, mas teve uma queda drástica de 51% na quantidade de bloqueios da primeira (39) para a última semana classificatória (19).

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Ataque perdeu força após a primeira semana
Jogando em casa na semana de abertura, contra Irã, Bélgica, Sérvia e Argentina, a Amarelinha registrou média de 41,7% de eficiência ofensiva. Foram atuações consistentes, que renderam três vitórias por 3 sets a 1 e uma no tie-break.
A partir da segunda semana, porém, o cenário foi outro. Nas oito partidas seguintes, o aproveitamento caiu para 30,8%, uma redução de quase 11 pontos percentuais em relação ao início do torneio, em Brasília (DF). Essa queda coincide com os confrontos diante dos principais adversários e ajuda a compreender os tropeços que tiraram o Brasil da disputa por vaga nas quartas de final.
Na derrota para a Itália, a conversão de ataques em pontos foi de apenas 29%. Contra a Eslovênia, caiu para 15%, o segundo pior índice da campanha. Já diante dos Estados Unidos, o aproveitamento despencou para 14%, o menor registrado pela Seleção em toda a VNL.
Enquanto isso, Japão e Polônia mantiveram um padrão muito mais estável durante toda a fase classificatória. Com média de 39,4% no ataque, a seleção nipônica alcançou marcas próximas ou superiores a 40% em oito jogos, com destaque para os 54% de eficiência registrados na vitória sobre Argentina, na última rodada.
Os poloneses, por sua vez, ficaram com uma média ligeiramente superior, 39,7%, chegando a ter 56% contra a Alemanha e 51% diante do próprio Japão.

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Bloqueio deixou a desejar
O bloqueio poderia ter se tornado a principal arma brasileira para recuperar os pontos perdidos, mas o time treinado por Bernardinho foi pouco produtivo no fundamento. Foram 89 pontos em 44 sets — média de 2,02 por parcial —, além de uma queda drástica de 51% na quantidade de bloqueios da primeira (39) para a última semana classificatória (19).
A diferença no número de bloqueios nas partidas deixa ainda mais explícita a falta de domínio sobre o fundamento. Com desempenho irrisório, a Seleção Brasileira saiu de quadra com dois e cinco pontos contra Eslovênia e Estados Unidos, respectivamente, que, por sua vez, marcaram 12 e 13 vezes no fundamento.
Polônia, com 124 bloqueios, e Eslovênia, com 112, são concorrentes diretos que cumpriram bem a missão de fechar a rede. As seleções europeias ficaram com médias de 2,53 e 2,29 pontos por set, respectivamente.
Recepção positiva não se transformou em pontos
Ao contrário do ataque, a recepção manteve um nível competitivo durante praticamente toda a campanha. O Brasil fechou a primeira fase com média de 50,2% de recepções positivas por partida, índice superior aos 48,9% do Japão e aos 47% da Polônia.
A Seleção fez excelentes apresentações no passe, como os 62% registrados na vitória sobre a França, mas também teve momentos de oscilação, caso dos 38% na derrota para os Estados Unidos. Contudo, até mesmo o Japão, único time invicto da VNL, teve dias piores, com 36% de aproveitamento contra França e Bélgica.
Isso mostra que o comportamento da recepção foi muito mais regular do que o do ataque. A linha de passe brasileira conseguiu, em boa parte dos jogos, entregar boas condições para a distribuição das jogadas. O problema aparecia na sequência, quando os atacantes encontravam dificuldades para superar ou explorar o bloqueio adversário, ou simplesmente finalizar os contra-ataques.
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Erros diminuíram, mas não resolveram o problema
Outro argumento frequentemente associado à campanha brasileira é o excesso de erros. As estatísticas mostram, porém, um cenário mais equilibrado. O Brasil encerrou a primeira fase com 288 erros, média de 24 por partida. Desses, 183 aconteceram no saque, o equivalente a cerca de 64% do total.
Apesar de o número superar os de Japão e Polônia, a diferença é pequena. A seleção japonesa terminou a fase de classificação com 266 erros, média de 22,1 por jogo, enquanto a Polônia somou 264, média de 22.
Além disso, é possível ver uma evolução da Seleção masculina ao longo do torneio. Na primeira semana foram 107 erros. Na segunda, 110. Já na terceira e última etapa, esse número caiu para 71, a menor marca da campanha, embora pese o fato de que jogou menos quatro sets na útima semana.
A redução aconteceu principalmente no saque. Depois de falhar 76 vezes no serviço na primeira semana, a equipe caiu para 63 na segunda e, em seguida, 44 na terceira.

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