'Com Bernardinho, Rexona dá aula aos rivais no quesito poder de reação'
Após 11º título da Superliga, time prova ser o mais bem preparado do Brasil no emocional

Rotular Bernardinho de "desequilibrado" pelos "ataques" do técnico com as suas jogadoras soa como uma contradição diante da realidade dos fatos, se bem analisados.
Após o 11º título da Superliga, o Rexona-Ades deu nova prova de que é a equipe mais bem preparada do Brasil no aspecto emocional. Não é absurdo concluir que isso só acontece graças a uma boa cabeça do seu treinador.
Não é apenas a sequência de títulos e a hegemonia em nível nacional que surpreendem: o time se diferencia por quebrar um paradigma do vôlei feminino do Brasil.
O país das antes "amarelonas" e do "vexame" de Atenas-2004, ou dos "fracassos" dos Mundiais de 2006 e 2010 contra a Rússia, dá aula no quesito poder de reação nas mãos do treinador. A final contra o Dentil/Praia Clube é só um exemplo.
Em âmbito internacional, o primeiro a superar os clichês acima foi José Roberto Guimarães. Ao conduzir o Brasil ao bicampeonato olímpico, Zé pôs a Seleção em patamar de respeito frente às outras nações. Mas o fator psicológico ainda preocupa.
A Superliga mostrou que a maioria dos times tem dificuldade de lidar com cenários de pressão, mesmo em vantagem confortável no placar. Um contra-ataque perdido, um saque errado, um ace do rival e pronto. O que era jogo na mão vira o fardo mais pesado do mundo. Menos no Rexona.
Na semifinal, a equipe saiu atrás na série contra o Vôlei Nestlé. No segundo jogo, chegou a perder a segunda parcial por 21 a 16, ficando a quase um set de ser eliminada, mas reverteu e despachou o oponente no terceiro jogo.
Na decisão de domingo, deixou escapar o controle no segundo set e, na terceira etapa, perdia por 23 a 18. Mas virou de novo!
E não é de hoje que isso acontece. Em 2008/2009, o Rexona caiu no primeiro duelo da semi contra o extinto Brasil Telecom, de Brusque (SC), mas reverteu um 2 a 0 contra no confronto seguinte. Depois, virou a série e faturou a taça.
As peças em quadra mudaram, mas a competência fora dela é a mesma.
A capacidade de não se intimidar, mesmo quando tudo parece conspirar a favor do adversário, é uma das maiores lições que os times comandados por Bernardinho e sua comissão técnica deixam.
Que o exemplo sirva para inspirar os oponentes que tentam quebrar a hegemonia atual. O Praia Clube, com o competente Ricardo Picinin à frente de um projeto sério e de longo prazo, já deu o primeiro passo.
* Jonas Moura é repórter do LANCE!

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