Vasco: advogado de Lamacchia garante e explica diferenças com a 777

Marcos Lamacchia negocia compra da SAF do Vasco

PorPedro CobaleaRio de Janeiro (RJ)
17/07/2026 19:39
Atualizado há 1 minutos

Em entrevista ao Ge, o advogado André Sica, representante do empresário Marcos Lamacchia na compra da SAF do Vasco, garantiu a operação da venda, detalhou processos e explicou as diferenças para a 777 Partners, empresa anteriormente acionista da SAF Cruz-Maltina.

O Lance! apurou com exclusividade que, em um cenário sem a entrada de um novo investidor, a projeção é de que a dívida do Vasco alcance aproximadamente R$ 1,8 bilhão até o fim de 2030. A estimativa considera um cenário intermediário, sem premissas excessivamente otimistas ou pessimistas. Dívidas relacionadas ao futebol representam pouco mais de R$ 500 milhões deste montante.

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— O perfil desse investidor é tão diferente da 777, mas tão diferente, é difícil até começar a dizer o quão diferente ele é. Primeiro: ele tem recursos muito maiores e muito mais ilimitados. Ele tem uma abundância de recursos, não escassez. Segundo, é um investidor local, conhecido. É uma pessoa conhecida, que sabe onde está. É uma pessoa que sabe a grandeza do futebol. Uma pessoa que não tem finalidade econômica. Ele enxerga todo o universo do futebol e tudo aquilo que o futebol pode gerar para ele. Ele não tem vontade de desinvestimento, ele tem vontade de investimento. Ele não tem vontade de tirar, ele tem vontade de pôr. A gente está falando de água e óleo aqui.

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Vasco x Guarani - Josh Wander, sócio fundador da 777 Partners
Advogado de Lamacchia garante diferenças claras com perfil de investidor da 777 Partners, ex-acionista do Vasco (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

Sica, representante de Lamacchia na entrevista, estruturou o investimento no Vasco em três pilares: pagamento de dívidas, equilíbrio do fluxo de caixa e melhoria desportiva. A operação cobre um passivo bilionário acumulado pelo clube e prevê aportes para contratações e infraestrutura ao longo de até dez anos.

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A primeira coisa, antes de mais nada, é que o juiz da RJ abra um processo competitivo. O juiz da RJ precisa aceitar a transação que foi feita e, a partir dessa transação, abrir um processo competitivo para que outros investidores possam apresentar outras propostas. O Marcos se dispôs, dentro dessa recuperação judicial, a ser o que a gente chama de stalking horse, que é o cavalo perseguido, ou seja, a oferta dele vai balizar as outras. Pelo menos, eles têm que ultrapassar a oferta dele. Isso ainda precisa ser deferido pelo juízo, mas enfim, então a gente precisa de um início de processo competitivo.

Segunda coisa que precisa acontecer: a gente precisa concluir uma auditoria no Vasco satisfatória, ou seja, precisa concluir que todas as garantias e declarações que o Vasco deu ao longo desse processo, elas de fato ocorreram e estão aperfeiçoadas, ou seja, eu não vou encontrar nada nessa auditoria que me indique a não compra do Vasco. Então preciso concluir essa auditoria.

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E depois, finalmente, eu preciso que os órgãos internos do Vasco aprovem. Então, vou passar pelo Conselho e vou passar pela Assembleia (sócios do clube). Eles têm que aprovar. E eles ainda podem dizer não. A gente deu um passo enorme, que foi a assinatura do contrato, o protocolo deste contrato perante o juízo do RJ foram passos enormes. Mas a gente sabe que há outros passos pela frente. E não são poucos e não são simples.

Sica também revelou que as negociações, iniciadas há mais de dois anos e meio, chegaram a ser interrompidas várias vezes por disputas internas no clube, e que o presidente Pedrinho foi o responsável por manter Marcos Lamacchia na mesa.

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— O processo mudava muito ao longo do tempo, isso foi ruim, foi desgastante. Por isso que a gente fala que o grande mérito do Pedrinho foi manter o Marcos nessa mesa, porque não é mentira e não é segredo para ninguém que o Marcos e nós quase deixamos essa mesa algumas vezes. Porque foi uma mesa itinerante, foi uma mesa conturbada durante esses dois anos e meio. Mas finalmente, acho que depois dessas idas e vindas, a gente concluiu o processo e assinou um acordo de investimento com condições precedentes. E são diversas as condições precedentes.

— Não é um processo nada simples. Você está fazendo uma compra de uma unidade produtiva dentro de uma recuperação judicial. Então, isso por si só tem o seu ritmo. Em que pé estamos? Acho que finalmente a gente concluiu mais de dois anos e meio de negociação. Não foi simples. Eu acho que as idas e vindas dentro da política do Vasco atrapalharam muito, interromperam muito o processo.

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