Sindicato vê risco à recuperação judicial do Vasco após decisão sobre a SAF

Entidade que representa empregados de clubes manifesta preocupação com pagamento de dívidas

PorIgor ReisRio de Janeiro (RJ)
09/07/2026 22:01
Atualizado há 1 minutos
Pedrinho caminha pelos corredores de São Januário antes de partida do Vasco
Afastado do comando do Vasco por decisão judicial, Pedrinho aguarda o desfecho da disputa (Foto Matheus Lima / Vasco)

O Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas e Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Sindeclubes) divulgou uma nota pública na qual manifesta preocupação com a decisão liminar que afastou o Conselho de Administração da SAF do Vasco. Segundo a entidade, a medida gera insegurança quanto ao cumprimento do Plano de Recuperação Judicial e pode colocar em risco o pagamento de milhares de credores trabalhistas que aguardam há anos pelo recebimento de seus créditos.

De acordo com o sindicato, a decisão ocorre em um momento considerado decisivo para o clube e pode comprometer a continuidade do processo de recuperação financeira. A entidade afirma que a preservação da estabilidade da gestão é importante para garantir a execução do Plano de Recuperação Judicial homologado pela Justiça.

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Sindicato cita preocupação com retorno da 777 Partners

Na manifestação, o Sindeclubes afirma que a preocupação é ampliada pelo retorno do controle societário à 777 Partners. Segundo o sindicato, o grupo enfrenta litígios judiciais nos Estados Unidos, acusações públicas de irregularidades na condução de seus negócios e um quadro amplamente divulgado de insolvência financeira, com ativos submetidos a medidas constritivas.

O sindicato também demonstra preocupação com a nomeação de uma interventora para administrar a SAF. Na nota, a entidade afirma que não há experiência conhecida da profissional na gestão de futebol de alto rendimento, o que, em sua avaliação, amplia os riscos em um momento estratégico da temporada.

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Nota aponta possíveis impactos financeiros

O Sindeclubes destaca que o Vasco disputa competições capazes de gerar receitas extraordinárias, como a Copa do Brasil e a Sul-Americana. Segundo a entidade, um eventual enfraquecimento da gestão pode comprometer premiações e arrecadações provenientes desses torneios, afetando a continuidade do processo de recuperação financeira.

A nota também afirma que um eventual rebaixamento à Série B provocaria uma redução significativa das receitas do clube, cenário que, de acordo com o sindicato, colocaria em risco a capacidade de cumprir integralmente o Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores.

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Entidade destaca resultados da gestão afastada

Na avaliação do Sindeclubes, a gestão da SAF afastada pela decisão judicial apresentou resultados concretos na reorganização institucional e financeira do Vasco. Como exemplo, a entidade cita a aprovação do Plano de Recuperação Judicial por aproximadamente 98% dos credores, além dos balanços divulgados e da recuperação da credibilidade da instituição.

O sindicato também reconhece os esforços da atual gestão do Vasco para solucionar os passivos da instituição. Segundo a nota, poucas recuperações judiciais de clubes brasileiros acompanhadas pela entidade apresentaram um nível semelhante de comprometimento com a reconstrução institucional e financeira.

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Sindicato defende retomada da governança

Ao concluir a manifestação, o Sindeclubes defende o restabelecimento da atual estrutura de governança da SAF do Vasco. Para a entidade, essa medida representa a alternativa que melhor preserva a estabilidade da gestão, a geração de receitas, a continuidade do processo de recuperação judicial e o cumprimento integral do plano aprovado, em benefício de todos os credores trabalhistas e dos colaboradores ativos.

Estádio de São Januário durante a pausa da Copa do Mundo
Estádio de São Januário durante a pausa da Copa do Mundo (Foto: Pedro Cobalea)

Veja a íntegra da nota do Sindeclubes

O SINDECLUBES manifesta sua profunda preocupação com a decisão liminar que afastou o Conselho de Administração da SAF.
A medida gera enorme insegurança quanto ao cumprimento do Plano de Recuperação Judicial, colocando em risco o pagamento de milhares de credores trabalhistas que aguardam há anos a satisfação de seus créditos.
A preocupação é agravada pelo retorno do controle societário à 777 Partners, grupo que enfrenta graves litigos judiciais nos Estados Unidos, acusações públicas de irregularidades na condução de seus negócios e um quadro amplamente divulgado de insolvência financeira, com ativos submetidos a medidas constritivas, bem como pela nomeação de uma interventora sem experiência conhecida na gestão do futebol profissional de alto rendimento.
O Vasco vive um momento decisivo da temporada. Um eventual enfraquecimento da gestão poderá comprometer receitas extraordinárias fundamentais, como premiações e arrecadações decorrentes da Copa do Brasil e da CONMEBOL Sul-Americana. Da mesma forma, um eventual rebaixamento à Série B representaria uma drástica redução das receitas, colocando em sério risco a continuidade do processo de recuperação e a capacidade de cumprimento integral do Plano aprovado pelos credores.
O SINDECLUBES registra que a atual gestão da SAF, liderada pelo presidente do associativo e pelo Conselho de Administração ora afastado, apresentou resultados concretos de reorganização institucional e financeira. A expressiva aprovação do Plano de Recuperação Judicial por aproximadamente 98% dos credores, aliada aos balanços divulgados e à recuperação da credibilidade da instituição, demonstra que a SAF passou a trilhar um caminho consistente de reestruturação, ciente de que a recuperação de uma empresa recebida em situação extremamente delicada não se realiza da noite para o dia.
O SINDECLUBES também reconhece os esforços e empenho da atual gestão do Clube de Regatas Vasco da Gama e SAF Vasco da Gama em resolver as questões dos passivos do Clube. Na experiência deste sindicato, acompanhando recuperações judiciais em diversos clubes brasileiros, raras vezes se encontrou uma gestão com tamanho comprometimento com a reconstrução institucional e financeira de uma entidade esportiva.
Diante desse cenário, o SINDECLUBES entende que ser melhor aos colaboradores requer o restabelecimento da atual estrutura de governança da SAF, às suas funções, por entender que essa medida representa a alternativa que melhor preserva a estabilidade da gestão, a geração de receitas, a continuidade do processo de recuperação e, sobretudo, o cumprimento integral do Plano de Recuperação Judicial em benefício de todos os credores trabalhistas e aos colaboradores ativos.
José Pinheiro dos Santos
Presidente SINDECLUBES
Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas e Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro

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