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Análise tática do Guffo: o nó tático de Pedro Emanuel em Jair Ventura

Mesmo com um a menos em São Januário, o Vasco dominou as ações

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
29/08/2026 10:26

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Andrés Gómez gritando com a camisa do Vasco
Andrés Gómez comemora seu gol durante partida contra o Vitória (Foto: Jorge Rodrigues/AGIF/Folhapress)

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Finalizados os jogos de ida das quartas de final da Copa do Brasil, o principal destaque foi o nó tático de Pedro Emanuel em Jair Ventura. O placar do jogo foi magro. A diferença tática, gigantesca. O cruz-maltino poderia ter vencido por uma margem confortável, tamanha a superioridade demonstrada mesmo em inferioridade numérica. E o Vitória só segue vivo no confronto por um motivo único: a dificuldade crônica do Vasco em transformar suas chances em gols.

O jogo começou com Pedro Emanuel poupando jogadores pensando no Cruzeiro no sábado pelo Brasileirão. A mudança era seis por meia dúzia: Puma na lateral, Ramon Rique e Barros no meio, Andrés Gomez pela direita, Colídio pela esquerda e Spinelli como centroavante fixo. O Vasco no 4-3-3 já era superior ao Vitória em 11 contra 11. Controlava a segunda bola, invertia rápido de um lado para o outro e não cedia um único contra-ataque. Jair Ventura armou o Vitória num 4-1-4-1 para povoar o meio e tirar o jogo do Vasco por dentro, mas a estratégia era inócua porque o Vasco tinha saída de três com Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton dando amplitude, e Colídio fixando os zagueiros com refinamento técnico impressionante.

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A expulsão que não mudou o domínio

A expulsão de Barros mudou o cenário, mas mudou pouco o domínio. Pedro Emanuel baixou o time para um 4-4-1 e jogou de forma inteligente. O problema é que Spinelli era o homem da frente e tinha perfil de briga, velocidade para a transição. Foi ali que Pedro Emanuel pensou rápido e resolveu o nó tático que Jair Ventura não esperava.

A jogada de mestre foi tirar Spinelli e colocar Paulo Henrique pela direita, um dos jogadores mais rápidos do Brasileirão. Colídio centralizado, com inteligência para baixar e funcionar como meia. Andrés Gomez reposicionado pela esquerda. Três jogadores com velocidade e qualidade técnica formando um tridente de contra-ataque que expôs a zaga lenta do Vitória. Cada vez que o Vitória se lançava para frente, os corredores ficavam escancarados. Jair Ventura tinha um problema e tanto: não tinha extremo de um contra um por nenhum lado, não tinha amplitude pela esquerda e dependia de Mateuzinho centralizando para tentar algo. O Vitória é um time que marca poucos gols pós-Copa do Mundo e tem muita dificuldade de criar. Contra um Vasco bem organizado em bloco baixo, essa dificuldade ficou potencializada.

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Tudo como planejado para o Vasco

O gol nasceu exatamente como Pedro Emanuel planejou. Colídio brigando pela bola e ajeitando para Andrés Gomez. Paulo Henrique arrastando a marcação. Colídio arrastando também. Andrés Gomez com espaço para puxar para dentro. O detalhe genial da jogada está no gesto corporal: Gomez levantou a cabeça, perfilou o corpo como se fosse dar o passe para Colídio ou abrir para Paulo Henrique, e no último segundo cortou para a perna não dominante. Toda a zaga do Vitória e o goleiro Lucas Arcanjo foram enganados pela intenção falsa. O futebol é um jogo de engano, e o colombiano enganou até o último frame da jogada. Na arte abaixo, o Vasco no minuto do gol.

arte com a estratégia do Vasco utilizada contra o Vitória
Arte: Lance!

Para o jogo da volta, espera-se outro duelo tático. O Vasco de Pedro Emanuel é um time bem treinado, em evolução e que sabe o que fazer com e sem a bola. O Vitória pode até passar de fase no Barradão, mas vai precisar suar muito mais do que suou em São Januário. O risco para o Vasco é a falta de gol, que permanece como cicatriz. O Vitória tem o Barradão como trunfo de desespero. A expectativa é de uma volta dificílima para o time baiano, porque o Vasco mostrou que com dez jogadores consegue ser superior taticamente. Com onze, a tendência é de que a diferença se amplie ainda mais.

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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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