Análise Tática do Guffo: o que esperar dos brasileiros na Libertadores
Corinthians, Flamengo, Fluminense e Palmeiras projetam jogos decisivos rumo à semifinal

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A Libertadores 2026 chegou às quartas de final com quatro times brasileiros vivos na competição: Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Fluminense garantiram presença no mata-mata após disputadas partidas que misturaram domínio tático, sofrimento e sorte. O equilíbrio foi a marca das oitavas: sete empates nos jogos de ida, decisões nos pênaltis e classificações sofridas no final. O futebol sul-americano mostrou que o dinheiro brasileiro segue sendo fator preponderante, mas a diferença tática entre os clubes do continente está cada vez mais estreita.
Para mim, o Flamengo foi o time mais convincente na passagem. Eliminou o Cruzeiro em duelo nacional com domínio territorial absoluto no Maracanã, controle de posse e inversões rápidas para desmontar o bloco defensivo mineiro. Arrascaeta ditou o ritmo e decidiu, Samuel Lino foi fundamental nas infiltrações diagonais. A questão para as quartas é se o adversário será o Independiente del Valle ou o Tolima, definido no dia 25 de agosto. Se for o Del Valle, o Flamengo enfrenta um time de jogo posicional refinado que disputa a posse de bola de igual para igual. Se for o Tolima, o cenário é de imposição física e velocidade pelos flancos. Em ambos os casos, o fator decisivo será furar linhas compactas sem ceder espaço para os contragolpes. O repertório ofensivo rubro-negro é o mais amplo do continente, mas o balanço defensivo ainda é um ponto de interrogação do rubro-negro carioca.
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Um Palmeiras especialista na bola parada
O Palmeiras de Abel Ferreira passou pelo Cerro Porteño com resiliência coletiva e bola parada. Gustavo Gómez marcou de cabeça o gol da classificação e foi perfeito nas coberturas. O sistema de bloco médio do Verdão segue sendo o mais sólido do Brasil, e a letalidade em jogadas ensaiadas é uma arma que vale por um jogador a mais em campo. A projeção das quartas aponta para o duelo mais físico: LDU no Equador, na altitude de Quito. Abel deve desenhar uma linha de três zagueiros para proteger a área e valorizar a posse conservadora. A LDU sufoca na altitude com finalizações de longa distância e cruzamentos repetidos. O Palmeiras precisará aproveitar as poucas transições cedidas pela linha exposta da LDU quando ataca em seu estádio. É o confronto onde o coaching de Abel pode fazer a diferença tática mais significativa.

O outro gigante paulista, o Corinthians de Memphis Depay, Rodrigo Garro e Hugo Souza, eliminou o Rosario Central com uma entrega coletiva impressionante. Mesmo com a expulsão de Raniele no segundo tempo da volta, o time manteve compactação no bloco baixo e usou transições em velocidade pelos lados como válvula de escape. Breno Bidon foi o herói, pisando na área como elemento surpresa para desviar o cruzamento da classificação. A evolução defensiva do Corinthians sob Fernando Diniz é real: 10 clean sheets em 17 jogos, média de 0,71 gol sofrido por partida. O confronto das quartas contra o Estudiantes será um xadrez tático de dois times que vivem da combatividade. O Estudiantes adota um bloco médio agressivo e busca forçar o erro na saída de bola. O Corinthians explorará as costas dessa pressão com a velocidade de seus pontas acionados por Memphis Depay. Não será fácil pro time de Diniz.
Já o Fluminense passou pelo Independiente Rivadavia nos pênaltis, em uma eliminatória que expôs todos os problemas táticos que culminaram na demissão de Luis Zubeldía. O time teve dificuldade para furar o encaixe defensivo argentino, jogou parte do segundo tempo com um a menos e dependeu de Fábio para sobrevivir. A classificação veio, mas o processo tático deixou dúvidas. A projeção para as quartas contra o Platense é um choque de estilos puro: o Fluminense propõe posse paciente, o Platense monta parede em bloco baixo com linha de cinco e nega espaços centrais. O Tricolor precisará de amplitude extrema, do um contra um dos pontas e de ultrapassagens laterais para quebrar o ferrolho. O fator decisivo pode ser a saída de bola: o Fluminense arrisca muito na construção, e o Platense vive para punir exatamente esse tipo de erro com transições diretas.
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Em busca da hegemonia brasileira
Os quatro times brasileiros chegam às quartas com perfis táticos completamente diferentes entre si. O Flamengo é o mais ofensivo e tem o elenco mais poderoso. O Palmeiras é o mais sólido e tem o técnico com maior capacidade de ajuste fino em mata-mata. O Corinthians é o time que mais evoluiu coletivamente no pós-Copa. O Fluminense é o que chega mais instável, dependente de talento individual e resolvendo nos detalhes. Essa diversidade de identidades é o que torna a presença brasileira tão forte na competição: cada um dos quatro tem um mecanismo diferente de vitória, gerando confrontos imprevisíveis e com promessa de entretenimento.
O cenário para as quartas é de favoritismo brasileiro em três das quatro chaves. Flamengo, Palmeiras e Corinthians chegam como times melhores que seus adversários no papel e em campo. O Fluminense é o que corre mais risco, porque seu modelo tático ainda não encontrou solidez e o Platense é exatamente o tipo de time que pune a instabilidade defensiva. O risco geral é a altitude de Quito para o Palmeiras e a falta de ritmo competitivo dos adversários argentinos. A expectativa é de pelo menos três brasileiros nas semifinais. Se forem quatro, a Libertadores 2026 terá a terceira final brasileira consecutiva, consolidando a hegemonia que já é a mais longa da história do continente.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
➡️ A consciência do Flamengo de 2026
➡️ Por que Zubeldía caiu no Fluminense
➡️ A evolução do Corinthians de Diniz

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