Análise: como expulsão de Barros 'ajudou' o Vasco a vencer o Vitória
Cruz-Maltino superou o rival com um jogador a menos por mais de 80 minutos

A expulsão de Barros, aos 18 minutos do primeiro tempo, mudou completamente o roteiro da partida entre Vasco e Vitória, pelas quartas de final da Copa do Brasil. No entanto, dentro dos cenários possíveis para a partida, a inferioridade numérica acabou levando o jogo para um caminho que, no fim das contas, favoreceu o Cruz-Maltino.
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Barros tentou afastar a bola da defesa, mas ela bateu em Renato Kayzer e voltou na direção do atacante do Vitória. Sem o domínio da jogada, o volante vascaíno abriu o braço e colocou a mão na bola para impedir a sequência do lance. Inicialmente, o árbitro Matheus Candançan mostrou apenas o cartão amarelo. Após ser chamado pelo VAR, porém, revisou a jogada no monitor e mudou a punição para vermelho direto, interpretando que Barros era o último homem e havia impedido uma oportunidade clara de gol.

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A decisão provocou muitas reclamações no gramado, nas arquibancadas e também fora de campo. Houve uma confusão envolvendo dirigentes, integrantes das comissões técnicas e a equipe de arbitragem. Depois da partida, o diretor de futebol, Admar Lopes, fez uma reclamação formal sobre a arbitragem.
Apesar de ter ficado com um jogador a menos durante mais de 80 minutos, o Vasco conseguiu vencer por 1 a 0 e, principalmente, foi a equipe que criou as melhores oportunidades ao longo da partida.
Expulsão mudou completamente o cenário de Vasco x Vitória
Jogar com um jogador a menos, evidentemente, não é uma vantagem. A questão é que a expulsão obrigou as duas equipes a adotarem comportamentos diferentes daqueles que provavelmente teriam apresentado em igualdade numérica.
Antes do cartão vermelho, o cenário era relativamente claro: o Vasco teria a iniciativa, buscaria controlar a posse e pressionar o Vitória, enquanto a equipe de Jair Ventura poderia apostar nos contra-ataques. Com a expulsão, a situação se inverteu.
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O Vitória passou a ter a obrigação de controlar as ações da partida e atacar um Vasco recuado. O problema é que ter a posse e precisar propor o jogo não parece ser uma situação confortável para a equipe baiana.
Os números do Vitória na temporada, considerando Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana, reforçam essa impressão. Em sete partidas nas quais teve mais posse de bola que o adversário, a equipe soma apenas uma vitória, um empate e cinco derrotas, com 19% de aproveitamento, segundo dados do Sofascore.
Vasco encontrou espaço para contra-atacar
A mudança também fez Pedro Emanuel alterar a estrutura do Vasco. Spinelli deixou o campo e Paulo Henrique foi deslocado para atuar mais avançado pelo lado.
A escolha ganhou importância ao longo da partida. Com força física e velocidade, Paulo Henrique se tornou uma alternativa para atacar os espaços deixados pelo Vitória quando a equipe baiana precisava avançar suas linhas.
Foi justamente nesse contexto que o Vasco conseguiu ser perigoso, mesmo com um jogador a menos. No começo do segundo tempo, Andrés Gómez chegou a balançar as redes antes de marcar o gol da vitória, mas o lance foi anulado por impedimento. Logo na sequência, desta vez sem regularidades, o colombiano marcou o gol do triunfo cruz-maltino. Além disso, Facundo Colidio ainda acertou a trave em uma bela jogada e esteve perto de ampliar.
A sensação durante boa parte do segundo tempo era de que o Vasco estava mais próximo de fazer o segundo gol do que o Vitória de encontrar o empate.

Pedro Emanuel reconheceu mudança provocada pelo vermelho
Após a partida, Pedro Emanuel admitiu que a expulsão modificou o comportamento do Vitória e abriu espaços que poderiam não existir caso as duas equipes permanecessem com 11 jogadores.
— Apresentamos uma equipe fresca. 11 para 11, confesso que não sei se teríamos tantas oportunidades, porque o Vitória iria abaixar a linha — afirmou o treinador vascaíno.
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Do outro lado, Jair Ventura reconheceu que sua equipe teve dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades perigosas.
— No intervalo tiramos um volante e colocamos um atacante, fomos para cima, mas sofremos com contra-ataques. Tivemos posse de bola, mas fomos pouco produtivos, essa é a verdade — disse o treinador do Vitória.
A expulsão de Barros não deixou de ser um problema para o Vasco. Pelo contrário: obrigou o time a atuar em inferioridade numérica durante mais de 80 minutos, aumentou consideravelmente o risco de sofrer um gol e levou o desgaste físico dos jogadores ao limite. Um cenário especialmente preocupante diante da sequência da equipe, que já volta a campo no sábado, contra o Cruzeiro, em São Januário, em um confronto direto na luta contra o rebaixamento. A partida será fundamental para o Cruz-Maltino tentar deixar o Z-4 do Brasileirão.
Porém, a partir do momento em que o jogo passou a exigir do Vitória justamente aquilo que a equipe menos demonstrava saber fazer, o cartão vermelho também alterou a partida em uma direção inesperadamente favorável ao Cruz-Maltino.
O Vasco abriu mão da posse, protegeu mais a própria área e passou a explorar os espaços. O Vitória teve a bola, mas não conseguiu transformar o domínio territorial em perigo real. No roteiro que surgiu depois da expulsão, quem acabou mais confortável foi justamente quem tinha um jogador a menos.
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