Matheus Cunha fala da relação com Haaland e quer apagar trauma das Copas

Atacante confia em boa atuação da Seleção diante dos rivais deste domingo

Enviados Especiais
03/07/2026 16:34
Atualizado há 52 minutos
Matheus Cunha participa de coletiva da Seleção Brasileira
Matheus Cunha fala de Haaland e de fracassos da Seleção (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

MORRISTOWN, NJ (EUA) - A eliminação precoce nas últimas Copas do Mundo ainda faz parte das conversas dentro da Seleção Brasileira. Às vésperas do confronto contra a Noruega, pelas oitavas de final do Mundial, o atacante Matheus Cunha revelou que o grupo comandado por Carlo Ancelotti conversa internamente sobre os fracassos recentes e trabalha para transformar essa lembrança em motivação — o Brasil foi eliminado pela Bélgica, em 2018, e pela Croácia, em 2022. O atacante deixou claro que o objetivo é escrever uma nova história e encerrar o ciclo de decepções que acompanha a equipe há anos.

— Temos algumas conversas sobre o momento exato da eliminação, de não querer viver aquilo de novo ou da escola de onde ele vem. Alguns atletas passaram por isso em outras Copas. Temos que fazer o máximo possível para sumir com esse fantasma. Independentemente de quem venha pela frente, temos que passar por essa dificuldade. Espero que, desta vez, seja diferente e a gente possa contar a nossa história.

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A declaração foi dada nesta sexta-feira (3), no hotel onde a delegação brasileira está concentrada em Nova Jersey. Titular da equipe e cada vez mais consolidado no esquema de Carlo Ancelotti, Matheus Cunha, que já marcou três gols na Copa do Mundo, destacou que o momento vivido pela Seleção aumenta a confiança do grupo e fortalece o entrosamento construído desde a chegada do treinador italiano.

Segundo o atacante, a repetição da base da equipe tem facilitado o entendimento entre os jogadores, embora a ausência de Lucas Paquetá obrigue a comissão técnica a buscar novas alternativas para a montagem do meio-campo.

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— É difícil responder essa pergunta. Depende do plano de jogo do treinador. Estamos cada vez mais confiantes com esse entrosamento e a continuidade que estamos tendo. Dá uma confiança muito grande repetir algumas coisas, demonstrando para vocês e para nós que está dando certo. Vamos sentir falta do Paquetá, porque estávamos criando uma rotina de entrosamento. Depende do que o treinador vai querer para a equipe. Não quero ter a responsabilidade de ser o treinador agora.

Matheus Cunha também comentou a preparação para enfrentar uma seleção que deverá atuar com linhas compactas e apostar na organização defensiva. O atacante explicou que Ancelotti vem preparando diferentes alternativas para quebrar esse tipo de marcação e ressaltou que sua função dentro de campo pode variar conforme a necessidade da partida.

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— Cada jogo tem uma dificuldade diferente. Creio que o plano tático e as formações acabam mudando muito durante os jogos. Estou jogando como camisa 9, mas também faço uma função parecida com a de um ponta em um losango, como meia de criação flutuando. O Odegaard faz muito isso também e, às vezes, atua até como volante, mas é um meia. O treinador e a comissão técnica dão funções diferentes aos jogadores de acordo com cada partida, e isso é comum. Contra o Japão, enfrentamos um bloco defensivo compacto, e ele pediu para eu ficar um pouco mais aberto para criar espaços. Se a Noruega vier da mesma forma, estaremos preparados para nos adaptar durante o jogo.

Outros trechos da coletiva de Matheus Cunha

Relação com Haaland

— Já enfrentei o Haaland algumas vezes e fui mais feliz do que ele. Temos uma relação bacana, mas estamos acostumados a enfrentar muitos jogadores desse nível ao longo da temporada. Também enfrentei o Haaland quando joguei na Alemanha.
(NR: foram cinco jogos entre os jogadores na Premier League e na Bundesliga. Haaland venceu quatro, Matheus Cunha apenas um. O último duelo entre os dois, o Manchester United venceu por 2 a 0, em jogo válido pelo Campeonato Inglês).

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Haaland e o favoritismo do Brasil

— Acho que somos duas equipes muito respeitosas. O quão grande é o Haaland, citar o respeito pela nossa Seleção, fala muito mais sobre ele do que sobre nós. Ele vai entrar em campo querendo ganhar. É gratificante receber esse respeito. O Scaloni sempre colocou o Brasil em um patamar muito alto, mas isso depende muito mais de nós do que das outras seleções. Existem equipes que o mundo inteiro diz que precisam ser batidas. Aos poucos, vamos mostrando quem somos. Fico feliz por ajudar as coisas a acontecerem de uma forma melhor. Espero que esse favoritismo seja confirmado dentro de campo, mostrando tudo aquilo que estamos prontos para fazer.

Calor e adaptação durante os treinos

— Hoje, no treino, estávamos desesperados. A gente costuma fazer sauna depois da atividade, mas ela foi cancelada. Acho muito bom ter essas pausas. Conseguimos ter outras conversas de ajustes com o treinador. Recebemos informações claras e ajustes importantes. Vejo isso de forma positiva. Não sei até que ponto isso será sempre assim, mas estamos adaptados. Quanto mais informações tivermos para melhorar dentro de campo, melhor será.

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Confiança da equipe

— Vejo que, com todo respeito, favoritismo não entra em campo. Por mais que alguns tenham seus pensamentos e confiança nos companheiros, isso não ajuda durante os 90 minutos. Tudo pode acontecer. O que nos ajuda é a confiança em nós mesmos, a confiança que cresce depois dos gols e também a confiança transmitida pelos companheiros. Isso acaba virando uma bola de neve, e esperamos evoluir cada vez mais.

A responsabilidade de defender a Seleção

— A responsabilidade do brasileiro é ganhar a Copa do Mundo por toda a história que vocês citaram. Não vejo como querer ser maior do que quem veio antes. Não faz sentido pensar dessa forma. Queremos construir a nossa própria história e marcar o coração dos brasileiros da mesma forma que as gerações anteriores marcaram o nosso. Temos vontade de alcançar grandes objetivos, mas, acima de tudo, queremos dar orgulho ao povo brasileiro. Se for para marcar essa geração, que seja conquistando mais uma estrela. Foi assim que eles ficaram eternizados.

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Versatilidade em campo

— Não sei. Tenho diferentes funções. No momento em que o Paquetá sai e entra o Endrick, passo a jogar mais como um terceiro homem. Vou ter muitos momentos em que precisarei me adaptar a funções diferentes, seja no meio, no ataque ou até marcando o extremo adversário. Me sinto bem em posições nas quais consigo potencializar os meus companheiros.

A Seleção Brasileira encerra a preparação neste sábado antes de enfrentar a Noruega, no domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

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Matheus Cunha imita surfista em comemoração de gol contra a Escócia na Copa do Mundo
Matheus Cunha, do Brasil, imita surfista em comemoração de gol contra a Escócia na Copa do Mundo (Foto: Patricia de Melo Moreira / AFP)

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