Marquinhos, o sereno capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo
Zagueiro adota tom conciliador e lidera pelo exemplo

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MORRISTOWN, NJ (EUA) - As entrevistas são recheadas de respostas longas, bem contextualizadas, com tom de voz sereno e que se mantém igual do início ao fim. A interação com torcedores é sempre cordial. E mesmo quando um se exalta, ele contorna sem sair da linha. Foi assim na sexta-feira (5), quando a Seleção Brasileira chegou a um hotel em Cleveland e os primeiros jogadores desceram do ônibus sem cumprimentar os torcedores. Um deles, revoltado, soltou impropérios. Marquinhos então chegou até o torcedor e, olho no olho, apenas pediu:
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— Fica calmo, cara. Estamos aqui.
Funcionou. Rendeu até um pedido de desculpas, acrescido de um "Vai, Corinthians!" do torcedor impaciente. Foi a partir do time paulista que o defensor, atualmente capitão do Paris Saint-Germain, saiu para ganhar status de atleta reconhecido mundialmente.
Marcos Aoás Corrêa, o Marquinhos, nasceu em 14 de maio de 1994. Filho de um comerciante e de uma professora, ele já falou inúmeras vezes sobre a importância da mãe em sua educação e no desenvolvimento no futebol. Ao mesmo tempo que tinha na bola a principal diversão da infância e o sonho de carreira para o futuro, o capitão do Brasil na Copa do Mundo (quase) sempre foi um aluno dedicado.

— Eu era um bom aluno. Tive uma época, na mudança de escola, mais afastado da minha área, da minha família. Acabei morando um pouco fora. Tive um deslize, mas minha mãe me chamou na chincha, disse que se eu tirasse nota ruim, se ficasse em recuperação, teria que parar de jogar bola. Bastou isso e eu comecei a me dedicar — contou o zagueiro há alguns anos, ao site "AtaNews", do interior paulista.
Foi a família também quem ajudou a carreira de Marquinhos quando ele começou a despontar na base do Corinthians. Um tio, um primo e o irmão Luan, que atuou na base do São Paulo, foram seus primeiros empresários. Atualmente, o zagueiro é agenciado por Giuliano Bertolucci, um dos mais poderosos do Brasil e do mundo.
Marquinhos, capitão do PSG e da Seleção
O jeito calmo, e familiar, de Marquinhos não impede que o zagueiro exerça liderança nas equipes de forma até natural. Além de capitão do PSG, atual bicampeão europeu, ele também ostenta a braçadeira da Seleção Brasileira, a mais vitoriosa do futebol mundial.
E essa dupla função ficou muito evidente há poucas semanas. No fim de maio, na final da Uefa Champions League, Marquinhos foi protagonista de duas das cenas mais icônicas da decisão entre PSG e Arsenal.
Uma delas foi repetir o gesto de ser o primeiro jogador a erguer a taça após o a confirmação do título, ato que cabe aos capitães e feito que apenas ele e o lateral Marcelo, então do Real Madrid, alcançaram entre os brasileiros na história da Champions.

A outra foi deixar a comemoração momentaneamente de lado para consolar Gabriel Magalhães, zagueiro que perdeu o pênalti decisivo do Arsenal, mas com quem dividirá a defesa do Brasil nesta Copa do Mundo. Em coletiva, já em solo norte-americano, o zagueiro explicou a reação.
— Vivemos o mesmo momento ali, talvez… Não sei a dimensão que foi para ele também esse momento, mas para mim realmente foi difícil. Assim como ele, eu gostaria de ter recebido um abraço ali naquele momento — explicou Marquinhos.
O comentário foi uma referência a um dos momentos mais difíceis da carreira de Marquinhos. Em 2022, ele perdeu um dos pênaltis do Brasil na eliminação para a Croácia na Copa do Mundo do Catar. O jogador ficou muito abalado e pensou na ocasião que nunca mais iria fazer uma cobrança.
O tempo e a família fizeram o jogador retomar a confiança, e hoje ele é um dos líderes da Seleção Brasileira. E exerce esse liderança do mesmo jeito que aprendeu com a mãe, quando foi chamado na chincha: ouvindo.
— Não pode ser simplesmente nós, os veteranos, os mais velhos. A gente não é o dono da verdade. É uma troca com os mais jovens, a molecada. Todos nós temos a responsabilidade. Vivo este momento cada vez mais como se fosse meu último jogo, minha última Copa, minha última oportunidade de estar conquistando títulos.
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