Luiz Gomes: 'Tite só, não basta! É preciso pensar na estruturação'
'O que precisamos agora é olhar para o futuro. E o futuro da Seleção começa no presente'

Dessa vez, não há cacos a juntar-se. Perdemos, como poderíamos ter vencido. Perdemos, pois dessa vez erramos mais, nos detalhes. Perdemos para um time organizado, uma geração de fato dourada do futebol belga. São águas passadas. O que precisamos agora é olhar para o futuro. E o futuro da Seleção começa no presente.
Desde que assumiu o comando, Tite fez soprar ventos de modernidade na Seleção. Seus métodos de trabalho sepultaram ao mesmo tempo o messianismo da família Felipão e o militarismo da era Dunga. Os números e os resultados comprovam o acerto: foram 26 jogos, com 20 vitórias, quatro empates e duas derrotas. 55 gols marcados e apenas oito sofridos. Jogadores voltaram a curtir a Seleção, e o torcedor, de certa forma, também.
Mas a questão não é apenas manter ou não Tite. Vai muito além disso. O sucesso da continuidade de seu trabalho está no que vai ser feito pela CBF, as mudanças que têm de ser feitas na estruturação do futebol brasileiro. Tite e sua comissão técnica precisam ampliar seus poderes. Devem passar a olhar por todas as Seleções de base, participar da escolha de seus treinadores, da convocação dos jogadores, da definição do estilo de jogo. É daí que vai tirar a consistência do jogo, é daí que poderão começar a redefinir algo que se possa chamar de novo de uma escola realmente brasileira de futebol.
Os exemplos de o quanto essa fórmula funciona são muitos. E nem vamos falar da Alemanha, que apesar do fiasco na Rússia e dos erros que ele mesmo reconheceu, manteve Joachin Löw na seleção dando continuidade ao projeto de renovação com olhos voltados para o Qatar. É assunto batido demais. Vamos falar, sim, do Uruguai, de Oscar Tabárez, e seus mais de dez anos à frente da seleção. Ele sim, talvez o maior exemplo do bônus que a continuidade pode dar. Professor, na essência da palavra, prepara os meninos desde a base, dá aulas sobre os valores, a história do futebol no pais, o peso da camisa celeste, a responsabilidade e os desafios de jogar na seleção e o orgulho de fazê-lo. Trabalhando em um país que tem a população que é metade do Rio, voltou a enfrentar de igual para igual os gigantes do mundo da bola. E não foi por acaso.
Os belgas, que nos mandaram de volta para casa mais cedo, são um outro exemplo de trabalho extracampo. Todas as seleções jogam igual, desde o sub-15. A ousadia do esquema 3-4-3 começa a ser aplicada nos primórdios da base. Mais do que isso, até os clubes como o Anderlecht, o Brugge e o Liége, os gigantes do país, foram instados a jogar da mesma forma. Os efeitos disso tornaram não apenas o futebol, mas o próprio país, um pouco mais forte. Numa sociedade profundamente dividida - 11 dos 23 jogadores vêm do sul e, por isso, falam francês, e 12, vindos do norte, falam neerlandês – a seleção adotou o inglês como língua oficial e conseguiu unificar-se, acabou com os grupinhos que dificultavam o trabalho dos treinadores. Não foi difícil já que 21 atuam fora do país, 11 dos quais na Premier League.
Questões sócio-políticas à parte, o fato é que no futebol globalizado de hoje não bastam o talento e a técnica – o que continuamos a ter de sobra por aqui. Mas, se o Brasil continuar a apostar nisso, vai ficar batendo na trave, com Tite ou sem Tite. As experiências de Uruguai, Alemanha, Bélgica – a Inglaterra e a Croácia poderiam ser incluídas nesse rol – contrastam com os fracassos de Argentina e Itália, por exemplo, incapazes, como nós, de desenvolver um trabalho que vá além de uma busca desordenada por resultados. É hora – ou já passou há muito tempo - de decidirmos de que lado queremos ficar.
Um momento de frustração como esta eliminação deve servir para reflexão e aprendizado – o que não fizemos após o vexame dos 7 a 1 quando voltamos ao passado, com Dunga, ao invés de fazer uma auto- crítica de fato, olhar para frente e começar as reformas necessárias. A caminhada até o Qatar é longa. No ano que vem tem Copa América por aqui, depois as Eliminatórias, a disputa pelo bicampeonato olímpico, em Tóquio. Não há, portanto, tempo a perder.

Copa do Mundo 2026
Com gols de Kane, Inglaterra vence RD Congo e entra na caminho do Brasil
Há 38 minutos
Seleção Brasileira
Brasil busca primeira vitória sobre a Noruega; histórico recente alimenta esperança
Há 2 horas
Seleção Brasileira
Rayan aproveita chance, cresce na Copa e se firma no ataque da Seleção Brasileira
Há 2 horas
Copa do Mundo 2026
Inglaterra x RD Congo pode definir caminho do Brasil na Copa; entenda
Há 3 horas
Colunas
Análise tática do Guffo: sem Paquetá, como o Brasil pode enfrentar a Noruega?
Há 3 horas
Copa do Mundo 2026
Neymar x Haaland: provocação na Champions de 2020 ganha novo capítulo na Copa do Mundo
Há 4 horasMais LANCE!

Técnico da Noruega manda recado a Ancelotti: 'Estamos indo atrás de você'

Romário dispara sobre desempenho de Vini Jr: 'Calou minha boca'

Torcedores pedem Olodum para Brasil responder provocação da Noruega

México vira possível rival do Brasil no mata-mata da Copa; entenda

Goleiro do Flamengo vive sonho na Copa do Mundo com a Seleção; veja fotos

Raphinha está próximo de voltar aos treinos com bola na Seleção

Gabriel Magalhães x Haaland: a rivalidade que promete agitar Brasil x Noruega

Não é só Haaland: os perigos da Noruega que o Brasil precisa conhecer

Gestão Esportiva na Prática: quem atravessa a corda é o atleta

Lesões voltam a assombrar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo

Sabe tudo sobre Haaland, próximo rival do Brasil na Copa? Responda ao quiz

Rodrygo, fora da Copa, faz pedido a Haaland antes de Brasil x Noruega






