Danilo supera desconfiança na Copa do Mundo e se torna peça-chave da Seleção
Defensor assumiu a lateral após a estreia e alia liderança fora de campo com atuações sólidas

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A convocação de Danilo para a Copa do Mundo gerou dúvidas, ainda mais pela certeza de Ancelotti, que garantiu a ida do defensor para o Mundial antes mesmo da convocação final. Reserva no Flamengo, muitos questionavam se ainda havia espaço para o defensor na Seleção Brasileira. Mas, bastaram três partidas para o cenário mudar completamente.
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Hoje, é difícil imaginar o time de Ancelotti sem o camisa 13. Desde que entrou no intervalo da estreia contra o Marrocos, quando Ibañez fez um primeiro tempo muito abaixo, Danilo não deixou mais a equipe titular. Trouxe segurança para um setor que vivia instabilidade e se consolidou como um dos jogadores mais regulares do Brasil nesta Copa do Mundo.
A ascensão passa longe de ser coincidência. Ela é fruto de uma reinvenção construída ao longo dos últimos anos e que, curiosamente, acontece justamente quando muitos imaginavam que sua carreira caminhava para a reta final.
A lateral direita era um problema evidente da Seleção. Com as lesões de Éder Militão, ainda antes da convocação, e Wesley, Ancelotti apostou inicialmente em Ibañez improvisado. Os primeiros 45 minutos, porém, demonstraram a necessidade de mudança. Danilo entrou no intervalo, reorganizou o setor e nunca mais saiu.
Desde então, o Brasil ganhou estabilidade defensiva pelo lado direito e encontrou um jogador capaz de interpretar diferentes momentos da partida. Não por acaso, a equipe passou a sofrer menos naquele corredor e apresentou mais equilíbrio sem a bola.
Danilo é realista na autoanálise
A melhora do jogador não aconteceu apenas pela experiência acumulada em clubes como Real Madrid, Manchester City e Juventus. Danilo entende exatamente o tipo de lateral que é.
- Eu sempre disse: se você precisar de um lateral que faça corredor e dê profundidade a todo tempo, eu não sirvo. Mas se precisar de um jogador que entenda os momentos, encurte distâncias e seja um equilibrador, eu sirvo bastante.
A frase resume perfeitamente sua Copa do Mundo. Ele não é o lateral explosivo que vive de ultrapassagens constantes, ainda mais em uma Seleção com pontas velozes. É um defensor que ocupa espaços, antecipa jogadas e faz a equipe funcionar coletivamente.
Contra a Escócia, por exemplo, foi justamente essa leitura que originou o segundo gol brasileiro. Danilo pressionou alto, roubou a bola no campo ofensivo e iniciou a jogada que terminou no cruzamento de Bruno Guimarães para Vini Júnior marcar.

Alto vigor físico chama atenção: números impressionam
O vigor físico de Danilo vem chamando atenção. Aos 34 anos, surpreendeu pelos números de velocidade diante da Escócia e mostrou que ainda consegue competir em alto nível, derrubando um dos principais argumentos utilizados contra sua convocação.
Danilo foi o atleta do Brasil que atingiu a maior velocidade na vitória por 3 a 0, na última quarta-feira (24), em Miami, nos Estados Unidos. Segundo dados da Fifa, o defensor alcançou 34,2 km/h. Além do camisa 13 do Brasil, apenas Gabriel Martinelli superou a barreira dos 34 km/h, com 34,1 km/h.
O jogador do Flamengo ficou atrás apenas de Vini Jr no quesito metros percorridos acima de 25 km/h, com 354,3 metros, contra 466,8 metros do atacante do Real Madrid.
Contra os escoceses, Danilo foi o quarto jogador que mais correu em metros percorridos, com 9.662,4 m, atrás apenas de Vini Jr, Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães.
Nos dois jogos anteriores, contra Haiti e Marrocos, o lateral-direito do Brasil também ultrapassou a marca dos 30 km/h, com 32,1 contra os haitianos e 32,7 contra os marroquinos. Nos três jogos, o atleta foi quem atingiu a maior velocidade na equipe de Carlo Ancelotti.
No quesito metros percorridos acima de 25 km/h, apenas os atacantes Raphinha e Vini Jr tiveram números melhores nas duas partidas anteriores.
Perfil de liderança e sinceridade de Danilo também são destaques na Seleção
Talvez o aspecto mais importante de Danilo esteja longe das estatísticas. Poucos jogadores desta Seleção assumem discursos tão francos quanto o rubro-negro. Em vez de alimentar euforia, o defensor costuma colocar os pés no chão sempre que necessário.
- Nós temos que ser claros: nós não temos a maturidade da França ou da Argentina. Nós não temos essa maturidade enquanto equipe. O que não quer dizer que a gente não possa fazer um bom papel.
Dentro do elenco, Danilo se tornou uma referência natural para os mais jovens. Fora dele, ajuda a administrar expectativas em torno de uma Seleção que ainda busca sua identidade. Para Athirson, ex-lateral do Flamengo e da Seleção Brasileira, esse perfil explica por que Ancelotti nunca deixou de confiar no defensor.
— Vejo o Danilo vivendo um momento de muita maturidade. Ele talvez não tenha mais o mesmo vigor físico de alguns anos atrás, mas compensa isso com inteligência tática, posicionamento e leitura de jogo. Em uma competição como a Copa do Mundo, experiência pesa muito. Se o treinador o mantém entre os convocados, é porque ele entrega equilíbrio, liderança e confiança ao grupo. Na minha opinião, ele vem justificando a convocação justamente por oferecer muito mais do que apenas o desempenho individual — disse Athirson, em entrevista ao Lance!.

— Uma Copa do Mundo é decidida não só pela qualidade técnica, mas também pelo controle emocional e pela força do grupo. Um líder como o Danilo ajuda a manter o ambiente equilibrado, orienta os mais jovens e transmite tranquilidade nos momentos de pressão. Muitas vezes, esse tipo de liderança não aparece nas estatísticas, mas faz toda a diferença dentro do vestiário e em campo. As grandes seleções campeãs sempre tiveram jogadores com esse perfil, capazes de unir o grupo e manter todos focados no objetivo — completou.
Talvez o maior mérito de Danilo seja justamente ter conseguido se reinventar quando poucos esperavam. Depois de atuar como zagueiro no Flamengo, voltou a exercer a função de lateral na Seleção, posição que o projetou para o futebol europeu. Transformou o status de reserva no Rubro-Negro em titular absoluto da Amarelinha.
A Copa do Mundo mostra que Ancelotti enxergava algo que muitos ainda não viam. Ao lado de Vini Jr, Danilo se tornou um dos jogadores mais consistentes do Brasil. Não pelos lances plásticos ou pelos números ofensivos, mas pela segurança que transmite em cada minuto dentro de campo.
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