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Cunha, Endrick e Luiz Henrique se destacam na marcação e 'pressionam' Ancelotti por vaga

Atacantes disputam vaga diante do Haiti

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
17/06/2026 07:00
Matheus Cunha em ação em Brasil x Marrocos na Copa do Mundo 2026
Matheus Cunha em ação em Brasil x Marrocos na Copa do Mundo 2026 (Foto: Mauro PIMENTEL/AFP)
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O empate por 1 a 1 com Marrocos não comprometeu a caminhada do Brasil na Copa do Mundo, mas expôs um problema que apareceu logo nos primeiros minutos no MetLife Stadium, em Nova Jersey: o Brasil teve a bola, trocou mais passes que o adversário e terminou a partida com números de posse favoráveis, mas passou boa parte do jogo correndo atrás do meio-campo marroquino.

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A próxima oportunidade para corrigir a rota chega na sexta-feira, às 21h30 (de Brasília), diante do Haiti. Até lá, Carlo Ancelotti terá de lidar com uma discussão que ganhou força depois da estreia: a equipe precisa de mais intensidade sem a bola.

Por isso, uma eventual mudança para enfrentar o Haiti não passa apenas pela escolha de um nome. A discussão envolve o perfil do ataque. O Brasil que enfrentou Marrocos teve posse, mas raramente impôs pressão. Teve volume de passes, mas não conseguiu controlar os espaços centrais. Teve mais finalizações certas, cinco contra três, mas passou longos períodos sem conseguir ditar o ritmo do jogo.

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Análise da reportagem a partir de dados da SofaScore mostra que os atacantes convocados por Ancelotti são capazes de fazer a pressão necessária na defesa adversária.

Os números da temporada mostram que Matheus Cunha é hoje o atacante brasileiro mais participativo defensivamente. O jogador, titular em grande parte da "Era Ancelotti", foi reserva diante do Marrocos e só entrou na segunda etapa. Em seus jogos pelo Manchester United, da Inglaterra, registra média de 1,3 desarme e 0,5 interceptação por partida, além de 1,5 posse recuperada no terço defensivo e outras 1,5 no terço central do campo. É alguém que frequentemente atua como o primeiro marcador da equipe.

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Luiz Henrique, do Zenit, da Rússia, aparece logo atrás. Tem média de 1,1 desarme por jogo, 1,3 posse recuperada tanto no campo defensivo quanto no setor central e ainda lidera, ao lado de Neymar, a eficiência nos duelos individuais, com 50%.

Endrick é o atacante mais agressivo

Endrick também chama atenção. No Lyon, da França, recupera em média 2,5 posses no terço ofensivo por partida, número que o coloca como o atacante mais agressivo da lista na pressão alta. É o tipo de jogador que transforma a marcação em oportunidade de ataque.

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Em comparação, Vinícius Júnior registra 0,7 desarme por jogo, enquanto Neymar aparece com 0,5. Ambos participam da pressão coletiva, mas concentram suas energias principalmente na criação e na definição das jogadas.

Endrick não entrou na partida de estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos (Foto: Alexandre Brum/Agencia Enquadrar/Folhapress)
Endrick não entrou na partida de estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos (Foto: Alexandre Brum/Agencia Enquadrar/Folhapress)

Os números ajudam a explicar a sensação deixada em campo. O Brasil trocou 514 passes, contra 486 de Marrocos. À primeira vista, parece um sinal de controle. O comportamento da partida contou outra história. Nos dez minutos iniciais, os marroquinos finalizaram cinco vezes, enquanto a Seleção chutou apenas uma. Aos 30 minutos, os africanos já haviam acumulado 12 finalizações, mais do que o Brasil havia permitido em qualquer uma de suas seis partidas completas anteriores em Copas do Mundo.

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Marrocos entrou em campo sem reverência. Durante os primeiros minutos, chegou a controlar mais de 70% da posse de bola. Ocupou o campo ofensivo, acelerou as transições e encontrou espaço justamente na região em que o Brasil mais sofreu para competir: o centro do gramado.

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A diferença de intensidade apareceu também nos dados físicos. Os marroquinos percorreram 104,1 quilômetros durante a partida, contra 98,6 da Seleção. Deram 111 sprints, diante de 92 dos brasileiros. Recuperaram mais bolas, 52 a 46, fizeram mais desarmes, 26 a 23, e ainda terminaram o jogo sem cometer um único erro que resultasse em finalização adversária. O Brasil cometeu três.

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A estreia contra Marrocos acabou reforçando essa diferença. O empate não foi consequência apenas de um gol sofrido cedo ou de uma noite inspirada dos marroquinos. Ele nasceu também de uma diferença de intensidade que apareceu desde o apito inicial.

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Contra o Haiti, a Seleção terá uma nova chance de vencer pela primeira vez nesta Copa do Mundo e encaminhar a classificação para a próxima fase sem sustos. Para isso, terá de apresentar mais eficiência em todos os setores contra o Haiti.

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