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Ancelotti busca respostas para o Brasil em 'filosofia' que moldou sua carreira

Seleção encara o Egito no próximo sábado

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Thiago Braga
São Paulo (SP)
Dia 05/06/2026
07:00
Ancelotti conversa com Marquinhos durante treino da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
imagem cameraAncelotti conversa com Marquinhos, capitão da Seleção, durante treino nos EUA (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

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À medida que a estreia do Brasil na Copa do Mundo se aproxima, fica claro que Carlo Ancelotti ainda procura respostas. O treinador italiano jogou no 4-2-4 durante toda a preparação, mas as conversas recentes com os jogadores abriram espaço para novos testes. Entre os pedidos feitos ao técnico está a possibilidade de reforçar o meio-campo com mais um jogador, transformando a equipe em um 4-3-3. A dúvida sobre a formação ideal acompanha os últimos dias de treinamento da seleção antes do duelo contra o Egito, no próximo sábado (6), antes de debutar no Mundial, diante do Marrocos, no próximo dia 13.

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A necessidade de encontrar soluções de improviso não é inédita na trajetória de Ancelotti. Ao longo de mais de três décadas no futebol de elite, o treinador construiu uma reputação associada à capacidade de resolver problemas que surgiam no caminho.

Em diferentes momentos da carreira, mudou sistemas, reposicionou jogadores, reformulou conceitos e até revisitou crenças que pareciam inabaláveis.

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O curioso é que essa flexibilidade convive com uma ideia de futebol que o acompanha desde os primeiros passos como treinador. Em 1997, ao concluir o curso de formação da Federação Italiana, Ancelotti apresentou uma tese que revelava o pensamento que serviria de base para sua carreira: "O futuro do futebol? Mais dinamismo".

O documento de 14 páginas reúne reflexões táticas, físicas e psicológicas sobre o jogo. Naquele trabalho, Ancelotti defende um futebol capaz de ser ao mesmo tempo espetacular, divertido e eficaz.

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— No futebol atual há uma demanda crescente, por parte do público, por um produto cada vez mais espetacular e divertido, além de rentável. Atualmente vemos com frequência partidas cada vez menos emocionantes. O público busca emoções e, no futebol, essas emoções são determinadas certamente por um desenvolvimento rápido de soluções ofensivas variadas e imprevisíveis, com o objetivo final de alcançar o que é nosso propósito: o gol — escreveu, em 1997.

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Essa visão também aparecia nos detalhes. O italiano dedica espaço à fisiologia, à psicologia e à nutrição quando esses temas ainda ocupavam um papel secundário em muitos clubes. Defendia trabalhos específicos de posse de bola para desenvolver a resistência aeróbica, exercícios de explosão para aprimorar o sistema anaeróbico e atenção permanente ao estado emocional dos atletas.

Quase três décadas depois, esse princípio ajuda a explicar por que o treinador tem mantido conversas frequentes com os jogadores da seleção antes de tomar uma decisão definitiva sobre a estrutura da equipe.

— Torna-se necessário, por parte do treinador, conseguir prevenir (mais que curar) este tipo de cansaço psicológico, antes de tudo, com um contínuo controle da situação através do diálogo com o grupo e, em segundo lugar, prestando muita atenção ao comportamento do jogador durante o treinamento — pontuou.

Se a tese de 1997 mostra o que Ancelotti acreditava, o livro "O Sonho: Quebrando o recorde de vitórias da Champions League", lançado em 2025, revela como ele aprendeu a adaptar essas convicções à realidade dos elencos que encontrou pelo caminho.

Nas páginas da obra, o treinador admite que alguns dos erros mais importantes da carreira surgiram justamente quando tentou encaixar grandes jogadores em sistemas rígidos.

O primeiro arrependimento envolve o meia italiano Gianfranco Zola. Segundo Ancelotti, ele não conseguiu encontrar uma forma de conciliar o talento do jogador com suas ideias de jogo durante a passagem pelo Parma. O episódio foi seguido por outra decisão que o treinador ainda recorda.

— Cometi o erro de deixar passar a oportunidade de contratar Roberto Baggio, um jogador brilhante, que eu conhecia bem da seleção italiana, tanto como companheiro na Copa de 1990, quanto como assistente técnico em 1994. Para mim, o problema era que, com minha ideia fixa sobre formações, ele não se encaixava no padrão que eu usava. E por isso resisti à contratação — escreve o treinador na obra.

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A reflexão se transformou em aprendizado quando outro camisa 10 apareceu em seu caminho, já quando Ancelotti treinava a Juventus.

— Eu não iria cometer o terceiro erro com Zidane. Ele era simplesmente bom demais no que fazia para ser limitado por uma formação. Um jogador de puro talento. Tive que encontrar uma forma de moldar meu pensamento em torno das habilidades únicas de um camisa 10 completo — contou.

Ancelotti durante o treino da Seleção no CT de Morristown
Ancelotti durante o treino da Seleção no CT de Morristown (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Esse processo de adaptação voltou a aparecer anos depois, no Milan, quando o elenco reunia talentos de perfis muito diferentes. Entre eles estava Rivaldo, campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002.

Ao recordar aquele período, Ancelotti descreve um quebra-cabeça formado por nomes como Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, Rui Costa, Filippo Inzaghi e Andriy Shevchenko.

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— Para ajudar no projeto de jogar um futebol atraente, o clube contratou naquele verão uma das estrelas da Copa do Mundo. Rivaldo tinha marcado cinco gols, atrás apenas de seu companheiro Ronaldo, que fez oito. Juntos, venceram o torneio, derrotando a Alemanha na final. Naturalmente, tanto Rivaldo quanto Berlusconi esperavam que essa estrela entrasse em campo. Ao começar a nossa campanha oficial da Champions League, eu estava com um abacaxi na mão. Um belo abacaxi, mas ainda assim um abacaxi. Eu precisava encontrar espaço no meio-campo para Gattuso, Rui Costa, Pirlo e Seedorf e outros bons jogadores. E no ataque eu tinha Inzaghi, Shevchenko e o dinamarquês alto Jon Dahl Tomasson. De algum modo, era preciso abrir uma casa para o Rivaldo nesse tabuleiro de xadrez.

A maior questão era como gerenciar minutos em campo com a necessidade de cada jogador, que não queria ficar de fora da equipe.

— O desafio era manter todos os jogadores felizes individualmente enquanto tentava fazê-los funcionar como um time — explicou Ancelotti.

Agora, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, Ancelotti enfrenta a pergunta sobre qual estrutura permite que a Seleção Brasileira extraia o máximo de seus jogadores.

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