Dez respostas para explicar o fracasso do Brasil na Copa do Mundo
Lance! enumera motivos para a Seleção ter sido eliminada tão cedo no Mundial

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A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da Noruega (derrota por 2 a 1), expôs muito mais do que um resultado inesperado. O Mundial deixou uma sequência de decisões questionáveis de Carlo Ancelotti, erros de planejamento da CBF e do treinador, escolhas controversas e poucas certezas para o início do ciclo rumo a 2030.
Do ciclo com quatro treinadores (Ramon Meneses, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, finalmente, Carlo Ancelotti) à montagem da lista de convocados e ao modelo de jogo adotado nos Estados Unidos, passando pela convocação de Neymar, pelas lesões e pelas principais decepções e destaques do elenco, o Lance! responde às principais perguntas que ajudam a explicar por que o Brasil voltou a ficar pelo caminho antes das quartas de final.
Perguntas e respostas da Seleção Brasileira
Ancelotti errou na lista final de 26 convocados para a Copa do Mundo?
Sim. O principal equívoco de Carlo Ancelotti aconteceu ainda antes de a bola rolar. Ao fechar a lista com apenas cinco meio-campistas de origem — Casemiro, Bruno Guimarães, Fabinho, Lucas Paquetá e Danilo Santos —, o treinador deixou o elenco sem margem para lidar com imprevistos. Havia alternativas testadas ao longo do ciclo, como Andrey Santos e Gerson, além de Matheus Pereira, que vivia grande fase no Cruzeiro e poderia oferecer criatividade em um setor que acabou ficando carente.
O problema apareceu rapidamente. Com a lesão de Wesley, Ancelotti precisou corrigir a própria convocação, chamando Éderson, da Atalanta, para aumentar as opções no meio. Depois, contra a Noruega, perdeu Lucas Paquetá e acabou improvisando Gabriel Martinelli por dentro. A sequência mostrou que o elenco foi montado sem profundidade suficiente justamente na faixa do campo onde as partidas são controladas.
Por que Ancelotti convocou Neymar? Foi por convicção ou por obrigação?
Os bastidores da convocação indicam que Neymar esteve longe de ser uma escolha exclusivamente técnica. Na manhã de 18 de maio, no Museu do Amanhã, Ancelotti apresentou duas listas diferentes, preservando alternativas até os instantes finais. A decisão acabou passando pela cúpula da CBF, algo que o próprio treinador costuma admitir como parte da relação entre comissão técnica e dirigentes.
O episódio ganhou ainda mais peso quando Francisco Mendes, filho de Gilmar Mendes e um dos nomes mais influentes da entidade, afirmou a interlocutores que foi o responsável pelo retorno do camisa 10. A declaração reforçou a percepção de que a convocação teve forte componente político. Dentro de campo, Neymar terminou a Copa sem conseguir mudar o destino da Seleção na eliminação diante da Noruega.
Qual jogador fez mais falta na Copa?
Wesley foi, provavelmente, a ausência que mais alterou os planos de Ancelotti. O lateral-direito se lesionou no último amistoso antes da estreia, quando a equipe titular já estava praticamente definida. Sem ele, o treinador precisou recorrer a Danilo e perdeu uma das principais opções de profundidade pelo lado direito.
Ao mesmo tempo, Rodrygo e Estêvão também fizeram enorme falta. Os dois eram referências ofensivas durante o ciclo e ofereciam características que faltaram ao Brasil na Copa: capacidade de desequilíbrio individual, mobilidade e versatilidade para atuar tanto pelos lados quanto por dentro. A ausência dos dois reduziu significativamente o repertório ofensivo da equipe.
O estilo reativo mostrado pela Seleção na Copa pode ser mantido para 2030?
A ideia fazia sentido no papel. Ancelotti tentou reproduzir na Seleção um modelo semelhante ao que utilizou no Real Madrid, campeão da Champions League de 2023/24, explorando transições rápidas e colocando Vini Jr como principal arma ofensiva. O plano funcionou contra Haiti e Escócia, mas apresentou limitações contra adversários mais organizados.
Nas oitavas de final, diante da Noruega, o Brasil terminou com apenas 32% de posse de bola, um dos índices mais baixos da história da Seleção em Copas. A equipe já não recuperava bolas com a mesma eficiência nem conseguia acelerar os contra-ataques. O melhor exemplo foi o único grande lance de transição, quando Vini Jr encontrou Endrick, que desperdiçou a chance. Para 2030, o Brasil precisa ser capaz de alternar estilos, e não depender exclusivamente da reatividade.
Por que Ancelotti optou por Rayan na vaga de Raphinha?
A tendência natural era Luiz Henrique assumir a vaga de Raphinha. No entanto, Ancelotti enxergou outro cenário durante a preparação. O Lance! apurou que Luiz Henrique não apresentou o rendimento esperado nos treinamentos e também teve atuação abaixo da média na estreia, contra o Marrocos.
Rayan, por outro lado, aproveitou a oportunidade quando foi acionado. Demonstrou personalidade, intensidade e capacidade de cumprir funções táticas importantes. A escolha acabou sendo uma das decisões mais acertadas do treinador durante a competição e mostrou que desempenho nos treinos pesou mais do que hierarquia.
O setor direito da Seleção deixou a desejar?
Foi, talvez, o lado mais vulnerável da equipe durante toda a Copa. A lesão de Wesley desmontou a principal ideia de Ancelotti para o corredor direito, e a ausência de um lateral de reposição evidenciou um erro de planejamento. Danilo trouxe experiência, mas perdeu intensidade física e sofreu principalmente na marcação diante da Noruega.
Na frente, Raphinha também ficou muito abaixo do esperado antes de se lesionar. Bruno Guimarães chegou a compensar defensivamente pelo setor, mas isso retirava presença do volante na construção das jogadas. O resultado foi um lado direito sem profundidade, criatividade ou consistência defensiva.
Por que Vini Jr não cobrou o pênalti contra a Noruega?
A justificativa oficial foi simples: Bruno Guimarães era o cobrador definido por Carlo Ancelotti naquele momento. O próprio Vini Jr confirmou isso após a partida. Sob a ótica interna da comissão técnica, a decisão respeitou uma hierarquia previamente estabelecida.
Mas o futebol costuma funcionar de outra maneira nos grandes momentos. Os protagonistas normalmente assumem esse tipo de responsabilidade. Messi faz isso pela Argentina, Mbappé pela França e Harry Kane pela Inglaterra. Faltou a Vini Jr exercer esse protagonismo quando a Seleção mais precisava. O pênalti perdido por Bruno Guimarães acabou simbolizando também essa ausência de liderança técnica dentro de campo.
Quem sai por cima? Quem sai por baixo?
Entre os destaques positivos, Douglas Santos consolidou seu espaço e Rayan aproveitou a oportunidade para se firmar como uma das principais promessas da nova geração. Bruno Guimarães, apesar do pênalti desperdiçado contra a Noruega, manteve bom nível durante praticamente toda a competição. Foi o líder de assistências do Brasil no torneio, com quatro.
No lado oposto, Raphinha foi uma das maiores decepções. Nunca conseguiu reproduzir na Seleção o desempenho apresentado no Barcelona e acabou deixando a Copa lesionado. Outros jogadores mais experientes também encerram o ciclo com a sensação de oportunidade desperdiçada, especialmente aqueles que chegaram ao torneio sem conseguir justificar a confiança recebida.
O que Ancelotti precisa fazer para dar certo em 2030?
O maior desafio do treinador passa por construir uma base sólida. Em pouco mais de um ano de trabalho, Ancelotti chegou à Copa ainda cercado de dúvidas. Iniciou o ciclo imaginando um time em 4-2-4, mudou para o 4-4-2 às vésperas do torneio e, durante a competição, precisou adaptar novamente a equipe diante das lesões.
Os cinco compromissos restantes de 2026 serão fundamentais para iniciar o projeto rumo a 2030. A meta deve ser chegar à Copa América de 2028 com uma espinha dorsal consolidada, reduzindo improvisações e formando um grupo que tenha identidade de jogo, algo que faltou durante a campanha nos Estados Unidos.
Quais jogadores devem seguir no grupo para o ciclo de 2030?
A renovação será inevitável. O gol deverá passar por mudanças, assim como as laterais e a função de primeiro volante. São setores que encerraram a Copa com sinais claros de desgaste e pouca perspectiva de continuidade dos titulares.
Por outro lado, o ataque oferece uma base promissora. Vini Jr, Endrick, Estêvão e Rayan têm tudo para liderar a próxima geração. Gabriel Magalhães deve assumir protagonismo na defesa, enquanto Bruno Guimarães continua sendo uma referência para o meio-campo. A partir da reapresentação na CBF, em agosto, Ancelotti terá a missão de transformar esse grupo de talentos em uma equipe com identidade, continuidade e capacidade de chegar forte ao Mundial de 2030.

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