Brasileiro vê medalha inédita escapar no arremesso de peso
Vice-líder do ranking, Darlan Romani tem marca ultrapassada por americano na última rodada. No revezamento 4x100m, Brasil quebra recorde sul-americano e termina em 4º

O brasileiro Darlan Romani viu escapar um lugar inédito no pódio no Campeonato Mundial de atletismo, em Doha, no Qatar, apesar do favoritismo que carregava no arremesso de peso. Neste sábado, a medalha de bronze mudou de mãos na última rodada, após o vice-líder do ranking mundial ter obtido como melhor marca um expressivo 22,53m.
A decepção veio com o arremesso do americano Joe Kovacs, que vinha em quarto lugar e não tinha arremessado acima de 22m até o momento. Quando Darlan ocupava o terceiro lugar, o rival alcançou 22,91m na última tentativa, estabeleceu o novo recorde do campeonato e deixou o brasileiro fora do top 3.
O americano Rayn Crouse faturou a prata, com 22,90m, também no último arremesso, e registrou sua melhor marca pessoal. Tomas Walsh, da Nova Zelândia, levou o bronze, com 22,90m.
– Não tem muito o que falar, mas amanhã a batalha continua e a gente sabe que tem de trabalhar mais ainda para chegar nessas marcas. Eu estava tranquilo, porque o que a gente tinha planificado para o ano era arremessar acima de 22m no Pan e de 22,50m no Mundial. E deu certinho. Ficar fora do pódio com 22,53m? Incrível! Meu treinador falou que 22,50m seria medalha no Mundial. Quem diria, 22,90m! Mas vamos em frente – afirmou Darlan, que tem como melhor marca pessoal 22,61m, o recorde sul-americano, obtido na etapa de Stanford da Liga Diamante, no dia 30 de junho deste ano.
– Queria muito levar uma medalha para casa. Nosso Brasil merece, precisava de uma medalha, mas, infelizmente não deu – completou o atleta.
4x100m masculino também fica em quarto
No mesmo dia, o Brasil registrou o melhor resultado de sua história no revezamento 4x100m masculino, com 37s72, quebrando o recorde sul-americano que durava 19 anos, mas também ficou fora do pódio, em quarto lugar. O tempo foi obtido por Rodrigo Nascimento, Vitor Hugo dos Santos, Derick de Souza e Paulo André de Oliveira.
A medalha de ouro ficou com os Estados Unidos, em 37s10, o melhor tempo do ano. Foi também a segunda melhor marca de todos os tempos depois dos 36s84 da Jamaica de Usain Bolt, nos Jogos de Londres-2012. A prata foi para a Grã-Bretanha, com 37s36, e o bronze para o Japão, com 34s43.
O Brasil também assegurou qualificação para a Olimpíada de Tóquio, Japão, em 2020, ao terminar o Mundial entre os oito melhores. A Seleção Brasileira já havia igualado o recorde sul-americano na qualificação em Doha - a marca de 37s90 era do Brasil, dos Jogos de Sydney-2000.
– Os Estados Unidos acertaram, mas viemos com esse pensamento de melhorar, sabíamos do nível da competição e da nossa qualidade. Conseguimos correr na casa dos 37s. Ficamos felizes com tudo o que aconteceu na temporada, não só com o revezamento, mas também no individual. Vou enaltecer esse resultado de quarto, correndo bem. Vamos treinar para os Jogos Olímpicos, que é o nosso principal ponto – disse Rodrigo.
Paulo André repetiu que todos os atletas ficaram felizes com a marca, mas queriam mais.
– Somos uma equipe qualificada, o resultado foi muito bom, a gente 'amassou' o recorde. Corremos bem - e temos quatro atletas prontos para correr na casa dos 9 (segundos). É continuar melhorando individualmente para virmos bem novamente em Tóquio – avaliou o velocista.
No salto em distância, Eliane Martins não se classificou para a final. A brasileira fez a marca de 6,50m na qualificação e terminou em 15º no geral.

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