Saiba mais sobre a história de Rose Volante, campeã mundial de Boxe
Maior nome do Boxe feminino brasileiro, Rose Volante terá um difícil teste nesta sexta-feira (15), quando enfrentará a irlandesa Katie Taylor; confira uma entrevista com a brasileira

Maior nome do Boxe feminino brasileiro, Rose Volante terá um difícil teste nesta sexta-feira (15). Campeã mundial peso leve, a brasileira enfrentará a irlandesa Katie Taylor na Filadélfia, com três cinturões em jogo: o cinturão peso leve da WBO, de Rose, e os da IBF e WBA, de Katie.
No duelo das lutadoras invictas, Rose preza pela maior experiência, aos 36 anos, com 14 vitórias em seu cartel. Entretanto, o desafio é bem complicado. Medalhista de ouro nas Olimpíadas de 2012, pentacampeã mundial amadora e hexacampeã europeia, Katie Taylor é indicada por muitos especialistas como a maior lutadora da atualidade. Consequentemente, é a ampla favorita nas bolsas de apostas.
A luta será transmitida pelo SporTV, nesta sexta-feira, a partir das 22h (horário de Brasília).
Conheça mais sobre Rose Volante, a sensação brasileira no Boxe feminino
Desconhecida pelo grande público, Rose Volante é a maior esperança do Boxe feminino brasileiro em tempos. Primeira campeã mundial na história do país, a paulista, de 36 anos, começou no esporte aos 25, em 2008. Mas não foi para lutar profissionalmente. Em entrevista à TATAME, Rose explicou como foi seu primeiro contato com as luvas e como foi sua trajetória até o profissionalismo.
- Bom, meu início no Boxe foi em 2008, quando procurei o Clube Escola da Prefeitura de São Paulo, em Pirituba, para perder peso. Escolhi por saúde e por ser uma modalidade que sempre gostei de assistir com minha mãe e família. Uma paixão, que nunca poderia imaginar que poderia se tornar profissão, não mesmo. Após perder 40kg, resolvi competir nos ringues. Ganhei por nocaute logo na primeira luta e a paixão e empenho só aumentaram.
Procurei uma equipe de competição do Tony Boxe, da Gracie Butantã, e dei início à carreira amadora. Fui quatro vezes campeã paulista, três campeã brasileira, campeã Sul-Americana no Chile e campeã da Europa. Fiz parte da seleção brasileira no ciclo olímpico de Londres-2012, sendo reserva da Adriana Araújo, que conquistou a primeira medalha para o Boxe feminino. Reserva eu fui devido a minha categoria ser amadora e não ser da categoria olímpica. Não entraram todas as categorias.
Em 2014, passei ao profissional. Contei com o apoio do grande amigo Genival Transgomes, que patrocinou algumas lutas. Com muita dificuldade e a ponto de parar de competir, o Felipe Moledas e Sr. Pepe, da Memorial Santos, entraram em contato comigo para trabalhar a minha carreira e dar início ao projeto ser campeã do mundo. Em outubro de 2017, me mudei para Santos - relatou a lutadora.
Se o boxe masculino ostenta lutas fantásticas e com estruturas fenomenais e pagamentos absurdos, a realidade do Boxe feminino é totalmente outra. Com lutas menos badaladas e muito menos atenção e estrutura, a modalidade ainda encontra dificuldades primárias, mas segue dando seus passos e crescendo cada vez mais. Rose falou sobre a diferença entre as modalidades e todas as dificuldades que encontrou. Ela ainda revela que quase se aposentou por conta das dificuldades financeiras.
- O Boxe feminino, assim como todas as modalidades femininas, tem crescido muito. Depois da Adriana Araújo, medalhista de bronze em Londres 2012, eu me tornei campeã do mundo na modalidade em 2017 e coloquei de vez o nome das mulheres boxeadoras brasileiras na história. Até chegar ao título não foi fácil, houve preconceito dos que acreditavam que o Boxe era só 'esporte de homem'. Superei e venci, assim como vejo muitas mulheres no meu dia a dia superando qualquer tipo de empecilho. Ainda falta muito apoio e patrocínio para o Boxe brasileiro. Se não fosse a Memorial, eu tinha parado. Essa é a dura realidade. Precisamos de cada vez mais apoio - afirmou Rose.
Por fim, Rose comentou sobre o seu desafio na noite de sexta-feira. Segundo a brasileira, a irlandesa é uma grande campeã, mas isso só lhe motivou mais ainda para descontar nos treinos e se preparar para a grande luta de sua vida.
- Já vi ela lutar, e sei que é uma grande campeã, isso fez com que eu treinasse muito mais para essa luta! Estou disposta a voltar para casa com os cinturões. Espero uma grande luta de duas campeãs. O combate irá promover um belo espetáculo para quem assistir. Quem vencer a disputa terá os 3 títulos do mundo, mas ainda faltará o da WBC e é isso que iremos atrás. A luta é decidida em cima do ringue. E vencerá quem estiver mais preparada - finalizou.

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