LANCE! Opina: Briga vai além do Atletiba
O modelo de negociação dos direitos de televisão que predomina no nosso fut tem uma série de equívocos que explicam o impasse entre Coritiba, Atlético e Federação Paranaense

O modelo de negociação dos direitos de televisão que predomina no nosso fut tem uma série de equívocos que explicam o impasse entre Coritiba, Atlético e Federação Paranaense. São erros que começam na origem, na legislação que rege o setor, passam pela interferência das federações no processo e terminam na incapacidade dos clubes em valorizar seu próprio produto.
A legislação brasileira estabelece que, para transmitir um jogo, uma emissora tem de ter contrato com os dois clubes. Em boa parte das ligas europeias, por exemplo, o direito é do mandante. Quando recusaram a proposta da Globo, Coritiba e Atlético chegaram a buscar alternativas, mas quando os outros dez clubes fecharam contrato com a emissora, qualquer negociação ficou inviabilizada, já que apenas o jogo entre os dois poderia ser transmitido por outro canal. Foi aí que surgiu a ideia de usarem seus canais no youtube.
São os clubes que investem, contratam jogadores, pagam taxas e custos para jogar, levam o torcedor às arenas. Portanto, são eles que deveriam negociar seus direitos. E fazer da sua imagem o que quiserem. No Rio, no Paraná, em São Paulo e outros estados, contudo, são as federações que negociam, ou no mínimo recebem comissões sobre os valores acertados. São elas, por vezes, que definem a distribuição das cotas entre os clubes. Ganham sem fazer nada. Ganham em cima de quem realmente faz a roda do futebol girar.
Por fim, na outra ponta da cadeia, os próprios clubes não se valorizam. Poucos tem capacidade de fazer uma negociação profissional. A venda de propriedades casadas, de TVs aberta e fechada, pay per view e internet, há anos já não existe na Europa. Isso reduz o preço das propriedades, desestimula a concorrência. Isso torna os clubes escravos de um único senhor.
A entrada do Esporte Interativo negociando diretamente com os clubes mexeu com o mercado e elevou as cotas. É um sinal de mudança. Mas ainda é pouco. Atlético e Coritiba, ao se recusarem a jogar sem poder exibir seu jogo por conta própria, estão exercendo seu direito. Quem deve ser punida nessa história é a Federação Paranaense, que impediu a transmissão e o jogo. Que levem até o fim essa briga que não deveria ser só deles, mas de todos. É uma briga pelo futebol.

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