Artilheiro da Copa de 1986: Gary Lineker, da Inglaterra
Relembre a trajetória de Gary Lineker, o artilheiro inglês da Copa de 1986.

A décima terceira edição da Copa do Mundo, realizada no México em 1986, é eternamente lembrada como o torneio em que um único jogador elevou o esporte ao status de arte quase individual. O país latino-americano, que já havia encantado o planeta ao sediar o evento em 1970, organizou a competição com maestria, mesmo após sofrer com um devastador terremoto meses antes. Sob o calor escaldante e a temida altitude, o Mundial se tornou o palco definitivo para consagrações épicas que mudariam a história do futebol. O Lance! relembra a trajetória do artilheiro da Copa de 1986: Gary Lineker, da Inglaterra.
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A seleção da Inglaterra chegou ao continente americano sob o comando do respeitado técnico Bobby Robson, carregando a tradicional esperança britânica de repetir a glória alcançada em 1966. No entanto, o início da campanha inglesa beirou o desastre absoluto. O time sofreu uma derrota surpreendente para Portugal na estreia e amargou um modesto empate sem gols contra o Marrocos. Para piorar o cenário, o capitão Bryan Robson sofreu uma grave lesão e o meia Ray Wilkins foi expulso, deixando a equipe à beira de uma eliminação vexatória na primeira fase.
Desesperado por uma mudança de rumo, o treinador decidiu alterar a formação tática da equipe para a última e decisiva rodada da fase de grupos. A principal mudança foi apostar na velocidade e na criatividade do meia-atacante Peter Beardsley para atuar mais próximo do centroavante titular. Esse homem de referência, dono de um estilo de jogo refinado e extremamente leal, precisava apenas que a bola chegasse com o mínimo de decência dentro da grande área para resolver o problema de finalização e salvar o orgulho da pátria.
Artilheiro da Copa de 1986: Gary Lineker, da Inglaterra
Diferente dos clássicos centroavantes ingleses que baseavam seu jogo quase que exclusivamente na força física e na jogada aérea, esse atacante era um autêntico "rato de área" (ou fox in the box, na terminologia britânica). Disputando o torneio com uma inconfundível proteção de gesso no pulso devido a uma pequena fratura sofrida dias antes da competição, ele tinha um dom quase científico para ler a trajetória da bola. Em um esporte de muito contato, ele também entraria para a história por uma estatística inacreditável: nunca recebeu um único cartão amarelo ou vermelho em toda a sua carreira profissional.
O dono desse perfil letal e cavalheiroso era Gary Lineker, que salvou a nação britânica de um vexame e se consagrou como o grande Artilheiro da Copa de 1986. Mesmo disputando o torneio na mesma época em que Diego Armando Maradona assombrava o mundo com a camisa argentina, o inglês roubou a cena no quesito faro de gol. Com atuações implacáveis a partir da terceira rodada, Lineker balançou as redes seis vezes, faturando a Chuteira de Ouro de forma isolada e provando que a inteligência na hora de se posicionar também é uma forma de genialidade.
O hat-trick salvador de Lineker contra a Polônia
A ameaça real de voltar para casa mais cedo transformou o terceiro jogo do Grupo F em uma verdadeira final para a Inglaterra. O adversário era a dura e física seleção da Polônia, e apenas a vitória interessava aos britânicos. Foi exatamente nesse momento de imensa pressão psicológica que a estrela de Gary Lineker brilhou pela primeira vez nos gramados mexicanos, mostrando um entrosamento perfeito com as mudanças táticas propostas pelo treinador.
Com um instinto predatório formidável, Lineker precisou de menos de quarenta minutos de jogo no primeiro tempo para resolver a partida. Mostrando sua especialidade em finalizações de primeiro toque dentro da pequena área, o atacante marcou simplesmente todos os gols da vitória inglesa por 3 a 0. Esse espetacular hat-trick (três gols) não apenas espantou a crise técnica e emocional, mas devolveu a confiança necessária para que a equipe avançasse às oitavas de final com o moral elevado.
A letalidade britânica nas oitavas de final
Embalada pela grande atuação anterior, a Inglaterra encarou a seleção do Paraguai nas oitavas de final, no imponente e famoso Estádio Azteca. Os sul-americanos apostavam em uma defesa forte para tentar segurar o ímpeto europeu, mas o camisa 10 britânico estava em estado de graça e não perdoou as falhas de marcação da linha defensiva adversária.
Lineker abriu o placar logo no primeiro tempo, aproveitando uma sobra na área com o seu habitual oportunismo cirúrgico. Na segunda etapa, após uma grande jogada coletiva, ele voltou a balançar as redes, marcando seu segundo tento na vitória tranquila por 3 a 0. Com cinco gols anotados em um curtíssimo espaço de duas partidas consecutivas, o centroavante consolidou de vez o seu nome como o atacante mais perigoso daquela fase eliminatória.
A Batalha do Azteca e a eliminação contra a Argentina
O destino colocou a Inglaterra diante da forte Argentina nas quartas de final, em um dos jogos mais polêmicos, tensos e inesquecíveis da história do esporte, cercado por rivalidades políticas extracampo devido à Guerra das Malvinas. Foi nessa partida que Maradona destruiu o sonho inglês marcando o folclórico gol com "A Mão de Deus" e, logo em seguida, o antológico "Gol do Século", arrancando do meio-campo e driblando metade do time britânico.
Mesmo diante do maior espetáculo individual já visto em um Mundial e com o placar adverso de 2 a 0, a Inglaterra não se entregou. Fiel ao seu estilo de aparecer no lugar certo e na hora certa, Gary Lineker marcou de cabeça na reta final da partida, descontando para 2 a 1. Ele ainda esteve a centímetros de empatar o jogo nos acréscimos, mas a bola foi cortada providencialmente pela zaga argentina. Apesar da dolorosa eliminação, aquele tento derradeiro levou Lineker a seis gols no torneio, assegurando sua inquestionável Chuteira de Ouro e cravando seu nome na história de ouro das Copas.
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