Artilheiro da Copa de 1986: Gary Lineker, da Inglaterra

Relembre a trajetória de Gary Lineker, o artilheiro inglês da Copa de 1986.

PorLance!São Paulo (SP)
15/07/2026 04:00
Gary Lineker hoje é comentarista.
Gary Lineker hoje é comentarista (Foto: DARREN STAPLES / AFP)
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Copa do Mundo de 1986 foi marcada pela performance de Gary Lineker
Inglaterra enfrentou dificuldades na fase de grupos, com uma vitória decisiva sobre a Polônia
Lineker marcou um hat-trick contra a Polônia e seguiu marcando na vitória sobre o Paraguai
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima terceira edição da Copa do Mundo, realizada no México em 1986, é eternamente lembrada como o torneio em que um único jogador elevou o esporte ao status de arte quase individual. O país latino-americano, que já havia encantado o planeta ao sediar o evento em 1970, organizou a competição com maestria, mesmo após sofrer com um devastador terremoto meses antes. Sob o calor escaldante e a temida altitude, o Mundial se tornou o palco definitivo para consagrações épicas que mudariam a história do futebol. O Lance! relembra a trajetória do artilheiro da Copa de 1986: Gary Lineker, da Inglaterra.

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A seleção da Inglaterra chegou ao continente americano sob o comando do respeitado técnico Bobby Robson, carregando a tradicional esperança britânica de repetir a glória alcançada em 1966. No entanto, o início da campanha inglesa beirou o desastre absoluto. O time sofreu uma derrota surpreendente para Portugal na estreia e amargou um modesto empate sem gols contra o Marrocos. Para piorar o cenário, o capitão Bryan Robson sofreu uma grave lesão e o meia Ray Wilkins foi expulso, deixando a equipe à beira de uma eliminação vexatória na primeira fase.

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Desesperado por uma mudança de rumo, o treinador decidiu alterar a formação tática da equipe para a última e decisiva rodada da fase de grupos. A principal mudança foi apostar na velocidade e na criatividade do meia-atacante Peter Beardsley para atuar mais próximo do centroavante titular. Esse homem de referência, dono de um estilo de jogo refinado e extremamente leal, precisava apenas que a bola chegasse com o mínimo de decência dentro da grande área para resolver o problema de finalização e salvar o orgulho da pátria.

Artilheiro da Copa de 1986: Gary Lineker, da Inglaterra

Diferente dos clássicos centroavantes ingleses que baseavam seu jogo quase que exclusivamente na força física e na jogada aérea, esse atacante era um autêntico "rato de área" (ou fox in the box, na terminologia britânica). Disputando o torneio com uma inconfundível proteção de gesso no pulso devido a uma pequena fratura sofrida dias antes da competição, ele tinha um dom quase científico para ler a trajetória da bola. Em um esporte de muito contato, ele também entraria para a história por uma estatística inacreditável: nunca recebeu um único cartão amarelo ou vermelho em toda a sua carreira profissional.

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O dono desse perfil letal e cavalheiroso era Gary Lineker, que salvou a nação britânica de um vexame e se consagrou como o grande Artilheiro da Copa de 1986. Mesmo disputando o torneio na mesma época em que Diego Armando Maradona assombrava o mundo com a camisa argentina, o inglês roubou a cena no quesito faro de gol. Com atuações implacáveis a partir da terceira rodada, Lineker balançou as redes seis vezes, faturando a Chuteira de Ouro de forma isolada e provando que a inteligência na hora de se posicionar também é uma forma de genialidade.

O hat-trick salvador de Lineker contra a Polônia

A ameaça real de voltar para casa mais cedo transformou o terceiro jogo do Grupo F em uma verdadeira final para a Inglaterra. O adversário era a dura e física seleção da Polônia, e apenas a vitória interessava aos britânicos. Foi exatamente nesse momento de imensa pressão psicológica que a estrela de Gary Lineker brilhou pela primeira vez nos gramados mexicanos, mostrando um entrosamento perfeito com as mudanças táticas propostas pelo treinador.

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Com um instinto predatório formidável, Lineker precisou de menos de quarenta minutos de jogo no primeiro tempo para resolver a partida. Mostrando sua especialidade em finalizações de primeiro toque dentro da pequena área, o atacante marcou simplesmente todos os gols da vitória inglesa por 3 a 0. Esse espetacular hat-trick (três gols) não apenas espantou a crise técnica e emocional, mas devolveu a confiança necessária para que a equipe avançasse às oitavas de final com o moral elevado.

A letalidade britânica nas oitavas de final

Embalada pela grande atuação anterior, a Inglaterra encarou a seleção do Paraguai nas oitavas de final, no imponente e famoso Estádio Azteca. Os sul-americanos apostavam em uma defesa forte para tentar segurar o ímpeto europeu, mas o camisa 10 britânico estava em estado de graça e não perdoou as falhas de marcação da linha defensiva adversária.

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Lineker abriu o placar logo no primeiro tempo, aproveitando uma sobra na área com o seu habitual oportunismo cirúrgico. Na segunda etapa, após uma grande jogada coletiva, ele voltou a balançar as redes, marcando seu segundo tento na vitória tranquila por 3 a 0. Com cinco gols anotados em um curtíssimo espaço de duas partidas consecutivas, o centroavante consolidou de vez o seu nome como o atacante mais perigoso daquela fase eliminatória.

A Batalha do Azteca e a eliminação contra a Argentina

O destino colocou a Inglaterra diante da forte Argentina nas quartas de final, em um dos jogos mais polêmicos, tensos e inesquecíveis da história do esporte, cercado por rivalidades políticas extracampo devido à Guerra das Malvinas. Foi nessa partida que Maradona destruiu o sonho inglês marcando o folclórico gol com "A Mão de Deus" e, logo em seguida, o antológico "Gol do Século", arrancando do meio-campo e driblando metade do time britânico.

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Mesmo diante do maior espetáculo individual já visto em um Mundial e com o placar adverso de 2 a 0, a Inglaterra não se entregou. Fiel ao seu estilo de aparecer no lugar certo e na hora certa, Gary Lineker marcou de cabeça na reta final da partida, descontando para 2 a 1. Ele ainda esteve a centímetros de empatar o jogo nos acréscimos, mas a bola foi cortada providencialmente pela zaga argentina. Apesar da dolorosa eliminação, aquele tento derradeiro levou Lineker a seis gols no torneio, assegurando sua inquestionável Chuteira de Ouro e cravando seu nome na história de ouro das Copas.

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