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Clube faz novo movimento para tentar mudar administradora da liga FFU

Autor de ação no Cade, CSA toma a frente de investida contra gestão do bloco em meio a disputas por formação de liga única sob chancela da CBF

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
12/09/2026 16:26
Atualizado há 1 minutos
CSA notificou Gabriel Lima, que administra o CFU, por negociações sem conhecimento dos membros
Reprodução de notificação extrajudicial obtida pelo Lance! feita nesta sexta pelo CSA

A guerra nos bastidores continua e a administradora do Condomínio Forte União (CFU), estrutura empresarial que faz a gestão da liga de clubes Futebol Forte União (FFU), sofre novo ataque do CSA, de Alagoas. É mais um movimento que faz parte de um cenário mais abrangente que envolve disputas comerciais entre emissoras, a Connfederação Brasileira de Futebol (CBF) e gigantes do mercado financeiro como General Atlantic e XP Investimentos. O clube acusa o administrador do CFU, Gabriel Ribeiro Lima, de conduzir negociações sem conhecimento dos integrantes do grupo.

As tratativas que, segundo o time alagoano, configuram descumprimento contratual foram com o Itaú, e com a Liga do Futebol Brasileiro, a Libra, o outro bloco de clubes que se formou a partir da impossibilidade de união há algus anos com os membros da atual FFU. Nos documentos obtidos pelo Lance!, o CSA afirma que tais alegações justificam abertura de processo para substituição de Gabriel Lima.

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Leila Pereira critica falta de união entre clubes e defende liga organizada pela CBF

Consultada pela reportagem, a adminstradora do CFU emitiu o seguinte comunicado:

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"A notificação do CSA apresenta conclusões que não encontram respaldo nos fatos e documentos mencionados. Todos os questionamentos apresentados serão respondidos formalmente, com base nos registros e procedimentos previstos na governança do Condomínio Forte União".

As notificações

Foram enviadas quatro notificações nesta sexta-feira (11) pelo CSA: para Gabriel Lima, com cópia para Carlos Gamboa, sócio fundador da Life Capital Partners (LCP), que controla a Sports Media Entertainment (SME), principal investidora da FFU e também notificada; para a Itaú BBA Assessoria Financeira; e para a ODDZ Network, grupo que engloba de agência de marketing esportivo a produtora de conteúdo e tem como sócios fundadores o ex-jogador Ronaldo Fenôneno e Gabriel Lima.

A sociedade dos dois também já foi alvo de notificação anterior do CSA, questionando a relação que, segundo o clube, implica em conflito de interesses. Sobre essa questão, o próprio executivo emitiu nota negando qualquer tipo de compartilhamento indevido de informações.

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Comissão da FFU pede mudanças a investidor, que refuta recompra individual de direitos

Na notificação à SME, o CSA alega que: "entende haver indícios de descumprimento, pela administradora do Condomínio e pelo Sr. Gabriel Ribeiro Lima, dos deveres e dos limites fixados no contrato e no respectivo mandato — por haverem conduzido tratativas com o Banco Itaú S.A. e com a Libra sobre assunto estranho ao objeto contratado, sem a prévia e expressa autorização dos contratantes". Em seguida, o time alagoano diz que "pretende deflagrar o procedimento de substituição da administradora".

Outro trecho destaca o seguinte argumento: "A ata da reunião do Comitê Condominial de 22 de junho de 2026 registra que a Administradora compartilhou proposta comercial do Banco Itaú S.A. para assessoramento na formação de eventual liga unificada de clubes no futebol brasileiro e apresentou os principais termos de cooperação com a Libra, em documento não vinculante que, a princípio, seria assinado pelo Condomínio".

Samir Xaud, presidente da CBF, durante primeira reunião com clubes para debater liga
Primeira reunião na CBF com clubes para debater liga única, realizada em abril (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Nos ofícios para Itaú e ODDZ Network, o CSA destaca que não imputa às notificadas qualquer tipo de ilícito ou irregularidade, requerendo somente a preservação de dados e mensagens emitidas ou recebidas por Gabriel Lima e que digam respeito, direta ou indiretamente, ao CFU ou à FFU.

Já no documento enviado diretamente a Gabriel Lima, com cópia para Carlos Gamboa, o CSA requer, além da preservação dos registros e dados, uma remessa com o seguinte conteúdo:

"a) do histórico integral das tratativas com o Banco Itaú S.A. no âmbito da proposta referida na
ata — correspondência eletrônica, mensagens, apresentações, propostas, minutas e registros de
reunião —, desde o primeiro contato, com indicação de quem delas participou;

b) do histórico integral das tratativas com a Libra, nos mesmos termos, inclusive do documento
não vinculante e de suas versões anteriores;

c) da gravação audiovisual da reunião de 22 de junho de 2026 e das apresentações nela exibidas".

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CSA toma a frente de ataques à gestão do CFU

O CSA está literalmente na linha de frente dos ataques à estrutura da FFU que buscam, em última análise, liberar os direitos de transmissão dos clubes para negociação através de uma liga única a ser criada com a chancela da CBF. Além do alegado conflito de interesses pela sociedade entre Gabriel e Ronaldo, o clube de Alagoas também foi responsável pela ação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que analisa a operação da FFU e no fim de junho emitiu uma decisão proibindo que fossem criados obstáculos para a saída de membros.

A decisão provocou preocupação até nos membros de maior pujança no bloco, como o Corinthians, que chegou a cogitar em notificação ao investidor a saída do bloco caso a medida não fosse revertida. E ainda não foi. Esse processo é a principal aposta tanto dos membros insatisfeitos com a FFU, como veladamente da CBF, para a ruptura do acordo de cessão de percentuais dos direitos por 50 anos. Para a CBF, esse hoje é o principal entrave para a formação de uma liga única.

Clubes da FFU pedem troca de administradora por favorecimento a investidor

A entidade já deixou uma impressão digital na crise. O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com ação na Justiça de Brasília questionando a operação de emissão de R$ 950 milhões em debêntures pela SME. E o tribunal questionou a legitimitade do Sinafut, que tem em sua diretoria dois vice-presidentes da confederação.

Outro cacique da entidade tem enorme influência no futebol alagoano, terra do CSA. Gustavo Feijó, diretor de futebol masculino da CBF, é pai de Felipe Feijó, presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), reeleito em maio deste ano. É também irmão do empresário João Feijó, patrono do Corinthians-AL, mas que tem também estreita relação com o CSA, ainda que sem cargo oficial. Em 2025, ele ajudou até na montagem do elenco.

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