Morre Paulo Angioni, diretor de futebol do Fluminense
Dirigente estava internado em hospital na Zona Sul do Rio de Janeiro

Morreu neste sábado (12), no Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Scudiere Angioni, aos 80 anos. O diretor de futebol do Fluminense estava internado em um hospital na Zona Sul da cidade desde o início de setembro para tratar um câncer no pâncreas. A informação foi confirmada pelo clube, que lamentou a morte do dirigente e destacou a importância de sua trajetória para o futebol brasileiro.
Com mais de quatro décadas dedicadas ao futebol, Angioni construiu uma carreira marcada pela passagem por alguns dos principais clubes do país e também pela Seleção Brasileira. Ele iniciou sua trajetória no Vasco, no fim dos anos 1970, onde permaneceu por 14 anos. No clube carioca, trabalhou na estruturação do departamento de futebol e participou de um período vitorioso da equipe, com títulos estaduais nos anos de 1982, 1987 e 1988.
A experiência no Vasco também o levou à Seleção Brasileira. No fim dos anos 1980, Angioni atuou como supervisor da equipe nacional durante o ciclo que antecedeu a Copa do Mundo de 1990, na Itália. O dirigente participou de competições e da preparação da Seleção naquele período, ampliando uma trajetória que já era marcada pela atuação nos bastidores do futebol.
Depois do Vasco, Angioni passou pelo Flamengo, entre 1993 e 1997, e posteriormente pelo Corinthians. No clube paulista, teve papel importante na profissionalização do departamento de futebol. Em 1997, chegou a assumir o comando do setor, em um momento em que o Corinthians buscava dar mais autonomia e estrutura profissional à gestão do futebol.
A carreira também teve passagens pelo Palmeiras e pelo Juventude. No clube gaúcho, durante o período em que atuou como executivo ligado à Parmalat, participou da campanha que terminou com o título da Copa do Brasil de 1999. No Bahia, onde trabalhou entre 2010 e 2013, esteve envolvido na reconstrução do departamento de futebol e na campanha que marcou o retorno do clube à elite nacional.
No Fluminense, Angioni construiu uma relação ainda mais longa. Antes de assumir sua última passagem pelo clube, trabalhou no Tricolor entre 2000 e 2002, teve uma breve passagem em 2004 e retornou em 2014. Em junho de 2018, foi novamente contratado para o cargo de diretor executivo de futebol, tornando-se uma das figuras mais longevas do futebol tricolor.
Foi justamente nessa quarta passagem que Angioni participou de um dos períodos mais importantes da história recente do Fluminense. O dirigente esteve nos bastidores da reconstrução do futebol do clube e acompanhou a formação de equipes que conquistaram títulos estaduais e continentais. Sob sua gestão, o Tricolor venceu a Taça Rio de 2020, as Taças Guanabara de 2022, 2023 e 2026, os Campeonatos Cariocas de 2022 e 2023, além da Copa Libertadores e da Recopa Sul-Americana.
Angioni também ficou marcado pela defesa da profissionalização dos departamentos de futebol e pelo diálogo com diferentes setores dos clubes. Em entrevista ao Lance!, em 2017, definiu o futebol como uma área que deveria funcionar como uma grande mesa de debates. Também foi um dos idealizadores do Footlink, seminário criado para discutir o desenvolvimento do futebol e a formação de profissionais para o mercado.
Formado em Psicologia pela Universidade Gama Filho, Angioni levou para o futebol uma visão voltada para a gestão de pessoas. Ao longo da carreira, trabalhou diretamente com jogadores de diferentes gerações, entre eles Romário, Bebeto, Edmundo e Tevez. A experiência acumulada fez dele um dos profissionais que ajudaram a consolidar a figura do diretor executivo de futebol no Brasil.
Nos últimos anos, Angioni preferiu uma atuação mais discreta, longe dos holofotes. Em entrevista ao ge, em 2022, destacou o processo de reestruturação do Fluminense e revelou o desejo de conquistar um título pelo clube de coração antes de encerrar a carreira. O objetivo acabou sendo alcançado com a conquista de troféus estaduais e, principalmente, da Libertadores de 2023 e da Recopa Sul-Americana.
A morte de Paulo Angioni encerra uma trajetória de mais de 40 anos nos bastidores do futebol brasileiro. Entre diferentes gerações, clubes, jogadores e conquistas, o dirigente deixou sua marca em uma função que ajudou a profissionalizar no país. No Fluminense, sua história se confunde com uma das fases mais vitoriosas da história recente do clube.
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