Calor extremo e tempestades: as preocupações europeias com os desafios climáticos da Copa de 2026

Imprensa europeia destaca que o Mundial pode ser afetado por calor extremo

PorTiago Teixeira MendesRio de Janeiro (RJ)
10/06/2026 13:46

Supervisionado porNathalia Gomes,
Pausa para hidratação: calor nos EUA nesta época de Copa do Mundo é intenso
Pausa para hidratação: calor nos EUA nesta época de Copa do Mundo é intenso (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a preocupação das seleções já vai muito além de escalações, esquemas táticos e adversários. Veículos da imprensa europeia têm chamado atenção para uma série de fatores externos que prometem transformar esta edição do torneio em uma das mais desafiadoras da história recente. Entre eles, um aparece com destaque absoluto: o calor.

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Reportagens publicadas por veículos como "BBC", "Marca", "L'Équipe", "The Athletic" e "Bloomberg" apontam que as condições climáticas encontradas nos Estados Unidos, México e Canadá podem ter impacto direto no rendimento dos jogadores. A combinação entre altas temperaturas, umidade elevada, tempestades frequentes, altitude, longas viagens e até problemas de qualidade do ar passou a ocupar espaço central no planejamento das delegações.

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O tema não é novo. Durante o Super Mundial de Clubes realizada nos Estados Unidos em 2025, diversas partidas sofreram interrupções por tempestades e raios. Houve ainda críticas públicas de jogadores e treinadores às condições climáticas enfrentadas durante a competição. Agora, com um torneio muito maior e espalhado por três países, a preocupação ganhou outra dimensão.

Calor se torna principal adversário do Mundial

O fator mais citado pela imprensa internacional é o calor que deverá acompanhar boa parte da competição. Diversas cidades-sede registram temperaturas acima dos 30°C durante o verão do hemisfério norte. Em locais como Dallas, Houston, Miami, Atlanta e Monterrey, os termômetros frequentemente se aproximam dos 35°C durante o dia. Em períodos de onda de calor, cenário comum na região, os valores podem ficar ainda maiores.

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Especialistas destacam que a temperatura real nem sempre representa o principal problema. A combinação entre calor e umidade aumenta significativamente a sensação térmica e dificulta a dissipação do calor corporal. Em Miami, por exemplo, uma temperatura próxima de 32°C pode gerar sensação térmica superior a 40°C.

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Segundo estudos citados pela imprensa britânica, 14 das 16 cidades-sede apresentaram índices considerados preocupantes para atletas de alto rendimento durante tardes de verão. Em algumas delas, o nível de estresse térmico pode alcançar patamares classificados como extremos.

A preocupação é tão grande que a Fifa determinou pausas obrigatórias para hidratação em todos os jogos da competição. Ainda assim, pesquisadores e especialistas ouvidos por veículos europeus afirmam que a medida pode não ser suficiente em determinadas circunstâncias.

A experiência da Copa do Mundo de 1994, também realizada nos Estados Unidos, continua servindo de referência. Naquele torneio, disputado sob forte calor, jogadores relataram dificuldades para manter intensidade física durante os 90 minutos. Mais de três décadas depois, o cenário volta a preocupar.

Algumas seleções podem sofrer mais que outras

Estudos divulgados pela Bloomberg apontam que os efeitos das condições climáticas não serão distribuídos de forma igual entre os participantes. A análise considera horários dos jogos, localização das sedes, histórico climático das cidades e condições previstas para o período da competição.

Entre as seleções que tendem a enfrentar os ambientes mais severos aparecem Tunísia, França, Gana, Equador, Iraque, Senegal, Panamá, Costa do Marfim, Noruega e Brasil. No caso francês, o problema é ampliado pela tabela. A equipe deverá disputar suas três partidas da fase de grupos em horários considerados desfavoráveis, incluindo confrontos programados para o meio da tarde.

A Noruega também virou exemplo do impacto climático. Durante a preparação para o torneio, jogadores da seleção escandinava chegaram a realizar atividades sob forte calor nos Estados Unidos para acelerar o processo de adaptação.

Jogadores da Noruega descansando após treino em uma temperatura de 30ºC (Foto: Reprodução/Noruega)
Jogadores da Noruega descansando após treino em uma temperatura de 30ºC (Foto: Reprodução/Noruega)

Já a Espanha aparece entre as seleções mais beneficiadas pelas circunstâncias. Além de ter parte de seus compromissos em horários mais amenos, a equipe deverá atuar em estádios equipados com sistemas de climatização.

Tempestades ameaçam cronograma dos jogos

Se o calor preocupa pelo desgaste físico, as tempestades aparecem como a principal ameaça ao andamento da competição. O verão norte-americano é marcado por forte atividade elétrica em várias regiões do país. Miami, Houston, Atlanta e Kansas City estão entre as cidades que historicamente registram grande incidência de raios durante os meses de junho e julho.

Nos Estados Unidos existe um protocolo rígido para eventos esportivos. Caso seja detectada atividade elétrica próxima ao estádio, a partida deve ser interrompida imediatamente. O jogo só pode ser retomado após 30 minutos sem novos registros de raios. Se houver nova ocorrência durante esse período, a contagem reinicia.

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O Super Mundial de Clubes do ano passado serviu como alerta. Diversas partidas sofreram atrasos, incluindo um confronto entre Chelsea e Benfica que demorou mais de quatro horas para ser concluído por causa de sucessivas interrupções climáticas.

Para as seleções, o problema vai além da paralisação em si. Mudanças repentinas de horário podem afetar aquecimento, alimentação, hidratação e preparação física dos atletas.

Altitude mexicana entra no radar

Outro desafio destacado pela imprensa europeia é a altitude. Embora a maior parte dos jogos aconteça em território norte-americano, o México também receberá partidas importantes da competição. Guadalajara está localizada a cerca de 1.500 metros acima do nível do mar. Já a Cidade do México supera os 2.200 metros. Nessas condições, a disponibilidade de oxigênio diminui, aumentando a exigência física sobre os atletas.

A adaptação costuma variar de jogador para jogador. Algumas equipes preferem chegar com antecedência para realizar aclimatação. Outras optam por desembarcar apenas poucos dias antes dos jogos, tentando reduzir os efeitos fisiológicos da exposição prolongada. Independentemente da estratégia escolhida, o tema tornou-se prioridade para departamentos médicos e preparadores físicos.

Copa terá distâncias inéditas

O formato da competição também chama atenção. Pela primeira vez, uma Copa do Mundo será disputada simultaneamente em três países e atravessará quatro fusos horários diferentes. As distâncias envolvidas impressionam até mesmo profissionais acostumados a grandes torneios internacionais.

Dependendo da campanha, uma seleção poderá percorrer milhares de quilômetros entre uma partida e outra. Para especialistas ouvidos pela imprensa francesa, o desgaste provocado pelos deslocamentos pode ser um dos fatores decisivos da competição. Mudanças constantes de fuso horário afetam o sono, alteram ciclos biológicos e dificultam a recuperação física. O chamado "jet lag esportivo" já é tratado por diversas seleções como um adversário tão relevante quanto qualquer rival dentro de campo.

Troféu da Copa do Mundo (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)
Troféu da Copa do Mundo (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Os problemas não param por aí. O Marca destacou que algumas delegações também monitoram questões relacionadas à qualidade do ar. Los Angeles e Cidade do México convivem historicamente com índices elevados de poluição atmosférica. Além disso, a temporada de incêndios florestais começou mais cedo em algumas regiões da América do Norte.

Nos últimos anos, episódios de fumaça provocados por queimadas chegaram a atingir cidades localizadas a milhares de quilômetros dos focos originais. Em 2023, incêndios no Canadá causaram problemas de qualidade do ar em diversas áreas dos Estados Unidos, incluindo Nova York.

A Fifa não possui um limite fixo para suspensão de partidas por poluição. Qualquer decisão dependerá das condições observadas em tempo real e das recomendações das autoridades locais. As alergias sazonais também preocupam. O período da Copa coincide com meses de alta concentração de pólen em várias regiões do continente. Para jogadores com histórico de rinite, asma ou outras sensibilidades respiratórias, o acompanhamento médico foi reforçado.

Além dos fatores climáticos e ambientais, a imprensa europeia também destaca os desafios de segurança de um torneio espalhado por três países. A organização envolverá centenas de órgãos policiais e dezenas de milhares de agentes de segurança. Especialistas consultados pelo jornal francês L'Équipe classificaram a operação como uma das mais complexas já realizadas em um evento esportivo.

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