Copa do Mundo de 1982: Todos os resultados
Relembre os placares, a Tragédia do Sarriá e o tri da Itália em 1982.

A década de 1980 começou para o futebol internacional com os olhos voltados para a Península Ibérica. A Espanha foi a grande escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1982, um evento que carregava um enorme significado social e político para o país anfitrião, que consolidava de vez a sua transição democrática. Com uma atmosfera festiva personificada pelo carismático mascote Naranjito, os espanhóis prepararam uma infraestrutura monumental, espalhando a competição por modernos palcos que uniram o país em torno do esporte.
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Os bastidores técnicos da competição registraram a maior revolução estrutural promovida pela FIFA até aquele período. Pela primeira vez na história, o torneio expandiu o número de participantes de 16 para 24 seleções nacionais, ampliando o alcance global da disputa e abrindo espaço para estreias marcantes de delegações como Argélia, Camarões, Honduras, Kuwait e Nova Zelândia. Essa expansão exigiu uma logística complexa, dividindo os confrontos por 17 estádios em 14 cidades diferentes.
O formato de disputa desenhado para aquela edição acabou sendo um dos mais peculiares, complexos e controversos já vistos. O regulamento dividiu as equipes em uma primeira fase com seis grupos de quatro integrantes, classificando os dois melhores de cada lado. Na sequência, em vez do tradicional mata-mata de quartas de final, os doze sobreviventes foram reorganizados em uma segunda fase com quatro triangulares repletos de rivalidade, em que apenas o líder de cada mini-chave avançaria para as semifinais.
Para a Seleção Brasileira, o torneio na Espanha transformou-se no sinônimo absoluto do futebol arte encantador, mas de desfecho profundamente trágico. Sob o comando técnico do mestre Telê Santana, o Brasil reuniu um dos meio-campos mais talentosos e geniais da história do esporte, composto por Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo. A Amarelinha desfilou exibições exuberantes de toque de bola e criatividade ofensiva que apaixonaram o mundo, mas acabou surpreendida defensivamente no fatídico duelo que ficou eternizado como a "Tragédia do Sarriá".
Por outro lado, a grande e surpreendente epopeia daquela edição foi escrita pela desacreditada seleção da Itália, que viveu um verdadeiro arco de redenção. A Azzurra começou o torneio de forma terrível, avançando na primeira fase sem vencer nenhum jogo e sob pesadas críticas da imprensa de seu país. Contudo, liderados pelo faro de gol do atacante Paolo Rossi e pela experiência do veterano goleiro Dino Zoff, os italianos cresceram de forma avassaladora no momento decisivo para bater gigantes e reconquistar o planeta.
Resultados da Copa do Mundo de 1982
Primeira fase - Grupo 1
O grupo de abertura da Copa do Mundo de 1982 caracterizou-se pelo extremo equilíbrio tático e pela enorme escassez de gols. A Polônia garantiu a liderança isolada após aplicar uma grande goleada sobre o Peru na rodada final. A futura campeã Itália avançou de forma milagrosa e muito vaiada em segundo lugar, empatando todos os seus confrontos e superando o valente e invicto Camarões apenas no critério de gols marcados.
- 14 de junho – Itália 0 x 0 Polônia – Estádio de Balaídos (Vigo)
- 15 de junho – Peru 0 x 0 Camarões – Estádio de Riazor (A Coruña)
- 18 de junho – Itália 1 x 1 Peru – Estádio de Balaídos (Vigo)
- 19 de junho – Polônia 0 x 0 Camarões – Estádio de Riazor (A Coruña)
- 22 de junho – Polônia 5 x 1 Peru – Estádio de Riazor (A Coruña)
- 23 de junho – Itália 1 x 1 Camarões – Estádio de Balaídos (Vigo)
Primeira fase - Grupo 2
Esta chave entrou para os livros de história devido a uma das maiores e mais ruidosas polêmicas de bastidores do esporte. A estreante Argélia chocou o mundo ao bater a Alemanha Ocidental na estreia, mas acabou eliminada de forma cruel na última rodada. Alemães e austríacos sabiam o placar exato de 1 a 0 que classificaria ambos e promoveram um jogo de compadrio vergonhoso, eternizado como o "Pacto de Não-Agressão de Gijón".
- 16 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 2 Argélia – Estádio El Molinón (Gijón)
- 17 de junho – Áustria 1 x 0 Chile – Estádio Carlos Tartiere (Oviedo)
- 20 de junho – Alemanha Ocidental 4 x 1 Chile – Estádio El Molinón (Gijón)
- 21 de junho – Áustria 2 x 0 Argélia – Estádio Carlos Tartiere (Oviedo)
- 24 de junho – Argélia 3 x 2 Chile – Estádio Carlos Tartiere (Oviedo)
- 25 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Áustria – Estádio El Molinón (Gijón)
Primeira fase - Grupo 3
Sediado na Catalunha, o grupo contou com a atual campeã Argentina, que promovia a aguardada estreia do jovem craque Diego Maradona em Copas. Os argentinos avançaram na segunda colocação após tropeçarem na forte e física equipe da Bélgica, líder invicta da chave. O grande destaque estatístico foi a Hungria, que aplicou a maior goleada da história dos Mundiais ao triturar El Salvador pelo placar de 10 a 1.
- 13 de junho – Argentina 0 x 1 Bélgica – Estádio Camp Nou (Barcelona)
- 15 de junho – Hungria 10 x 1 El Salvador – Estádio Nuevo Altabix (Elche)
- 18 de junho – Argentina 4 x 1 El Salvador – Estádio José Rico Pérez (Alicante)
- 19 de junho – Bélgica 1 x 0 Hungria – Estádio Nuevo Altabix (Elche)
- 22 de junho – Bélgica 1 x 1 El Salvador – Estádio Nuevo Altabix (Elche)
- 23 de junho – Argentina 2 x 0 Hungria – Estádio José Rico Pérez (Alicante)
Primeira fase - Grupo 4
A tradicional seleção da Inglaterra comandou as ações neste grupo com imensa autoridade, vencendo todos os seus compromissos com um futebol vertical e dinâmico. A forte equipe da França, liderada pelo craque Michel Platini, assegurou a segunda vaga sem grandes sustos. O momento bizarro da chave ocorreu no jogo dos franceses contra o Kuwait, quando um xeque desceu ao gramado para anular um gol adversário.
- 16 de junho – Inglaterra 3 x 1 França – Estádio San Mamés (Bilbao)
- 17 de junho – Tchecoslováquia 1 x 1 Kuwait – Estádio José Zorrilla (Valladolid)
- 20 de junho – Inglaterra 2 x 0 Tchecoslováquia – Estádio San Mamés (Bilbao)
- 21 de junho – França 4 x 1 Kuwait – Estádio José Zorrilla (Valladolid)
- 24 de junho – França 1 x 1 Tchecoslováquia – Estádio José Zorrilla (Valladolid)
- 25 de junho – Inglaterra 1 x 0 Kuwait – Estádio San Mamés (Bilbao)
Primeira fase - Grupo 5
O grupo dos anfitriões transformou-se em uma enorme e dolorosa provação para os torcedores locais, diante de atuações muito nervosas e burocráticas da Espanha. A surpreendente e disciplinada seleção da Irlanda do Norte chocou o público de Valência ao bater os espanhóis na rodada final e avançar na liderança invicta. A Espanha garantiu a classificação em segundo lugar nos critérios de desempate, sob intensas vaias.
- 16 de junho – Espanha 1 x 1 Honduras – Estádio Luis Casanova (Valência)
- 17 de junho – Iugoslávia 0 x 0 Irlanda do Norte – Estádio de La Romareda (Zaragoza)
- 20 de junho – Espanha 2 x 1 Iugoslávia – Estádio Luis Casanova (Valência)
- 21 de junho – Honduras 1 x 1 Irlanda do Norte – Estádio de La Romareda (Zaragoza)
- 24 de junho – Honduras 0 x 1 Iugoslávia – Estádio de La Romareda (Zaragoza)
- 25 de junho – Espanha 0 x 1 Irlanda do Norte – Estádio Luis Casanova (Valência)
Primeira fase - Grupo 6
O grupo da Seleção Brasileira transformou-se no maior palco de espetáculo plástico e ofensivo da primeira fase em Sevilha. O Brasil superou um susto na estreia contra a forte barreira física da União Soviética e engrenou goleadas espetaculares e consecutivas, jogando por música. A Amarelinha sobrou na liderança com 100% de aproveitamento, avançando de fase de braços dados com os soviéticos.
- 14 de junho – Brasil 2 x 1 União Soviética – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán (Sevilha)
- 15 de junho – Escócia 5 x 2 Nova Zelândia – Estádio La Rosaleda (Málaga)
- 18 de junho – Brasil 4 x 1 Escócia – Estádio Benito Villamarín (Sevilha)
- 19 de junho – União Soviética 3 x 0 Nova Zelândia – Estádio La Rosaleda (Málaga)
- 22 de junho – União Soviética 2 x 2 Escócia – Estádio La Rosaleda (Málaga)
- 23 de junho – Brasil 4 x 0 Nova Zelândia – Estádio Benito Villamarín (Sevilha)
Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo A
O inovador formato de triangulares reuniu Polônia, União Soviética e Bélgica em duelos de forte imposição física e tática na cidade de Barcelona. Contando com uma exibição inspirada e hat-trick do craque Zbigniew Boniek diante dos belgas, a seleção da Polônia segurou um empate tenso contra os soviéticos na última rodada para carimbar sua vaga nas semifinais pelo critério de saldo de gols.
- 28 de junho – Polônia 3 x 0 Bélgica – Estádio Camp Nou (Barcelona)
- 1 de julho – Bélgica 0 x 1 União Soviética – Estádio Camp Nou (Barcelona)
- 4 de julho – Polônia 0 x 0 União Soviética – Estádio Camp Nou (Barcelona)
Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo B
A chave sediada na capital Madrid colocou frente a frente a dona da casa Espanha e as potências da Alemanha Ocidental e da Inglaterra. Demonstrando enorme frieza e consistência tática, a Alemanha superou a pressão das arquibancadas para bater os espanhóis e segurar o ímpeto dos ingleses, garantindo a classificação isolada e eliminando os inventores do futebol sem sofrer derrotas no triangular.
- 29 de junho – Alemanha Ocidental 0 x 0 Inglaterra – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)
- 2 de julho – Espanha 1 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)
- 5 de julho – Espanha 0 x 0 Inglaterra – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)
Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo C
Considerada a maior e mais espetacular "chave da morte" de todos os tempos, reuniu os rivais sul-americanos Brasil e Argentina contra a Itália no acanhado Estádio de Sarriá. Após italianos e brasileiros baterem a Argentina de Maradona (que acabou expulso), o duelo final transformou-se em uma decisão épica. O Brasil jogava pelo empate, mas sucumbiu diante de uma atuação cirúrgica de Paolo Rossi, autor de três gols. A vitória italiana por 3 a 2 decretou a dolorosa "Tragédia do Sarriá".
- 29 de junho – Itália 2 x 1 Argentina – Estádio de Sarriá (Barcelona)
- 2 de julho – Brasil 3 x 1 Argentina – Estádio de Sarriá (Barcelona)
- 5 de julho – Itália 3 x 2 Brasil – Estádio de Sarriá (Barcelona)
Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo D
O último triangular da competição testemunhou o desabrochar técnico do refinado meio-campo da seleção da França, conhecido mundialmente como o "Quadrado Mágico". Sob a batuta tática e a genialidade de Michel Platini, os franceses dominaram completamente os compromissos em Madrid, despachando Áustria e Irlanda do Norte com extrema facilidade para avançar.
- 28 de junho – França 1 x 0 Áustria – Estádio Vicente Calderón (Madrid)
- 1 de julho – Áustria 2 x 2 Irlanda do Norte – Estádio Vicente Calderón (Madrid)
- 4 de julho – França 4 x 1 Irlanda do Norte – Estádio Vicente Calderón (Madrid)
Semifinais da Copa do Mundo
As semifinais entregaram exibições completamente distintas em termos de emoção e dramaticidade. Enquanto a Itália despachava a Polônia de forma segura com mais dois gols iluminados de Paolo Rossi, Alemanha Ocidental e França travaram uma das partidas mais dramáticas e violentas da história das Copas. Após empate no tempo normal e prorrogação com direito a uma agressão brutal do goleiro Schumacher, os alemães avançaram na primeira disputa de pênaltis da história do torneio.
- 8 de julho – Itália 2 x 0 Polônia – Estádio Camp Nou (Barcelona)
- 8 de julho – Alemanha Ocidental 3 x 3 França (5 x 4 nos pênaltis) – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán (Sevilha)
Disputa do terceiro lugar
O confronto de consolação serviu para premiar a excelente, regular e histórica campanha construída pela brilhante geração do futebol polonês. Enfrentando uma França visivelmente abatida emocionalmente e fisicamente pelo trauma da eliminação anterior, a Polônia impôs sua velocidade no segundo tempo para garantir o triunfo e assegurar a medalha de bronze.
- 10 de julho – Polônia 3 x 2 França – Estádio José Rico Pérez (Alicante)
Final da Copa do Mundo de 1982
A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1982 colocou frente a frente Itália e Alemanha Ocidental no majestoso e completamente lotado Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, perante mais de 90 mil espectadores eletrizados. O confronto começou sob enorme tensão tática e física, com as duas equipes se marcando palmo a palmo. O drama italiano aumentou consideravelmente na etapa inicial quando o zagueiro Antonio Cabrini cobrou um pênalti para fora, mantendo o placar zerado antes do intervalo e elevando os níveis de ansiedade nas arquibancadas.
No segundo tempo, a impressionante preparação física e o oportunismo cirúrgico da seleção da Itália ditaram completamente o ritmo das ações no gramado madrilenho. O iluminado artilheiro Paolo Rossi abriu o placar de cabeça aos 12 minutos, anotando o seu sexto gol no torneio. Pouco depois, Marco Tardelli ampliou a vantagem com um chute potente da entrada da área, protagonizando uma das comemorações mais icônicas e viscerais da história do esporte ao correr chorando e balançando a cabeça.
Alessandro Altobelli transformou a vitória em goleada após um contra-ataque veloz, e Paul Breitner descontou para os alemães nos minutos finais, decretando o placar final de 3 a 1. O apito derradeiro do árbitro Arnaldo Cezar Coelho consagrou a Itália como tricampeã mundial, coroando uma das jornadas de superação mais espetaculares do futebol.
- 11 de julho – Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)
Classificação final da Copa do Mundo de 1982
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1982, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base no desempenho técnico e nas duas fases de grupos de cada país:
- Itália (Campeã)
- Alemanha Ocidental (Vice-campeã)
- Polônia
- França
- Brasil
- União Soviética
- Inglaterra
- Irlanda do Norte
- Áustria
- Espanha
- Bélgica
- Argentina
- Argélia
- Hungria
- Iugoslávia
- Honduras
- Chile
- Peru
- Camarões
- Escócia
- Kuwait
- El Salvador
- Nova Zelândia
- México
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