Copa do Mundo de 1982: Todos os resultados

Relembre os placares, a Tragédia do Sarriá e o tri da Itália em 1982.

PorLance!São Paulo (SP)
10/06/2026 10:28
O capitão e experiente goleiro Dino Zoff levanta o troféu da Copa do Mundo de 1982 após a Itália derrotar a Alemanha Ocidental na final, igualando o Brasil em títulos mundiais. (FIFA)
O capitão e experiente goleiro Dino Zoff levanta o troféu da Copa do Mundo de 1982 após a Itália derrotar a Alemanha Ocidental na final, igualando o Brasil em títulos mundiais. (FIFA)
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A Copa do Mundo de 1982 ocorreu na Espanha, destacando o significado social e político do evento sob uma nova democracia.
A competição expandiu para 24 seleções, introduzindo um formato de disputa complexo e inédito.
O Brasil apresentou um futebol arte sob Telê Santana, mas foi eliminado na famosa "Tragédia do Sarriá" pela Itália.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A década de 1980 começou para o futebol internacional com os olhos voltados para a Península Ibérica. A Espanha foi a grande escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1982, um evento que carregava um enorme significado social e político para o país anfitrião, que consolidava de vez a sua transição democrática. Com uma atmosfera festiva personificada pelo carismático mascote Naranjito, os espanhóis prepararam uma infraestrutura monumental, espalhando a competição por modernos palcos que uniram o país em torno do esporte.

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Os bastidores técnicos da competição registraram a maior revolução estrutural promovida pela FIFA até aquele período. Pela primeira vez na história, o torneio expandiu o número de participantes de 16 para 24 seleções nacionais, ampliando o alcance global da disputa e abrindo espaço para estreias marcantes de delegações como Argélia, Camarões, Honduras, Kuwait e Nova Zelândia. Essa expansão exigiu uma logística complexa, dividindo os confrontos por 17 estádios em 14 cidades diferentes.

O formato de disputa desenhado para aquela edição acabou sendo um dos mais peculiares, complexos e controversos já vistos. O regulamento dividiu as equipes em uma primeira fase com seis grupos de quatro integrantes, classificando os dois melhores de cada lado. Na sequência, em vez do tradicional mata-mata de quartas de final, os doze sobreviventes foram reorganizados em uma segunda fase com quatro triangulares repletos de rivalidade, em que apenas o líder de cada mini-chave avançaria para as semifinais.

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Para a Seleção Brasileira, o torneio na Espanha transformou-se no sinônimo absoluto do futebol arte encantador, mas de desfecho profundamente trágico. Sob o comando técnico do mestre Telê Santana, o Brasil reuniu um dos meio-campos mais talentosos e geniais da história do esporte, composto por Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo. A Amarelinha desfilou exibições exuberantes de toque de bola e criatividade ofensiva que apaixonaram o mundo, mas acabou surpreendida defensivamente no fatídico duelo que ficou eternizado como a "Tragédia do Sarriá".

Por outro lado, a grande e surpreendente epopeia daquela edição foi escrita pela desacreditada seleção da Itália, que viveu um verdadeiro arco de redenção. A Azzurra começou o torneio de forma terrível, avançando na primeira fase sem vencer nenhum jogo e sob pesadas críticas da imprensa de seu país. Contudo, liderados pelo faro de gol do atacante Paolo Rossi e pela experiência do veterano goleiro Dino Zoff, os italianos cresceram de forma avassaladora no momento decisivo para bater gigantes e reconquistar o planeta.

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Resultados da Copa do Mundo de 1982

Primeira fase - Grupo 1

O grupo de abertura da Copa do Mundo de 1982 caracterizou-se pelo extremo equilíbrio tático e pela enorme escassez de gols. A Polônia garantiu a liderança isolada após aplicar uma grande goleada sobre o Peru na rodada final. A futura campeã Itália avançou de forma milagrosa e muito vaiada em segundo lugar, empatando todos os seus confrontos e superando o valente e invicto Camarões apenas no critério de gols marcados.

  1. 14 de junho – Itália 0 x 0 Polônia – Estádio de Balaídos (Vigo)
  2. 15 de junho – Peru 0 x 0 Camarões – Estádio de Riazor (A Coruña)
  3. 18 de junho – Itália 1 x 1 Peru – Estádio de Balaídos (Vigo)
  4. 19 de junho – Polônia 0 x 0 Camarões – Estádio de Riazor (A Coruña)
  5. 22 de junho – Polônia 5 x 1 Peru – Estádio de Riazor (A Coruña)
  6. 23 de junho – Itália 1 x 1 Camarões – Estádio de Balaídos (Vigo)

Primeira fase - Grupo 2

Esta chave entrou para os livros de história devido a uma das maiores e mais ruidosas polêmicas de bastidores do esporte. A estreante Argélia chocou o mundo ao bater a Alemanha Ocidental na estreia, mas acabou eliminada de forma cruel na última rodada. Alemães e austríacos sabiam o placar exato de 1 a 0 que classificaria ambos e promoveram um jogo de compadrio vergonhoso, eternizado como o "Pacto de Não-Agressão de Gijón".

  1. 16 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 2 Argélia – Estádio El Molinón (Gijón)
  2. 17 de junho – Áustria 1 x 0 Chile – Estádio Carlos Tartiere (Oviedo)
  3. 20 de junho – Alemanha Ocidental 4 x 1 Chile – Estádio El Molinón (Gijón)
  4. 21 de junho – Áustria 2 x 0 Argélia – Estádio Carlos Tartiere (Oviedo)
  5. 24 de junho – Argélia 3 x 2 Chile – Estádio Carlos Tartiere (Oviedo)
  6. 25 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Áustria – Estádio El Molinón (Gijón)

Primeira fase - Grupo 3

Sediado na Catalunha, o grupo contou com a atual campeã Argentina, que promovia a aguardada estreia do jovem craque Diego Maradona em Copas. Os argentinos avançaram na segunda colocação após tropeçarem na forte e física equipe da Bélgica, líder invicta da chave. O grande destaque estatístico foi a Hungria, que aplicou a maior goleada da história dos Mundiais ao triturar El Salvador pelo placar de 10 a 1.

  • 13 de junho – Argentina 0 x 1 Bélgica – Estádio Camp Nou (Barcelona)
  • 15 de junho – Hungria 10 x 1 El Salvador – Estádio Nuevo Altabix (Elche)
  • 18 de junho – Argentina 4 x 1 El Salvador – Estádio José Rico Pérez (Alicante)
  • 19 de junho – Bélgica 1 x 0 Hungria – Estádio Nuevo Altabix (Elche)
  • 22 de junho – Bélgica 1 x 1 El Salvador – Estádio Nuevo Altabix (Elche)
  • 23 de junho – Argentina 2 x 0 Hungria – Estádio José Rico Pérez (Alicante)

Primeira fase - Grupo 4

A tradicional seleção da Inglaterra comandou as ações neste grupo com imensa autoridade, vencendo todos os seus compromissos com um futebol vertical e dinâmico. A forte equipe da França, liderada pelo craque Michel Platini, assegurou a segunda vaga sem grandes sustos. O momento bizarro da chave ocorreu no jogo dos franceses contra o Kuwait, quando um xeque desceu ao gramado para anular um gol adversário.

  1. 16 de junho – Inglaterra 3 x 1 França – Estádio San Mamés (Bilbao)
  2. 17 de junho – Tchecoslováquia 1 x 1 Kuwait – Estádio José Zorrilla (Valladolid)
  3. 20 de junho – Inglaterra 2 x 0 Tchecoslováquia – Estádio San Mamés (Bilbao)
  4. 21 de junho – França 4 x 1 Kuwait – Estádio José Zorrilla (Valladolid)
  5. 24 de junho – França 1 x 1 Tchecoslováquia – Estádio José Zorrilla (Valladolid)
  6. 25 de junho – Inglaterra 1 x 0 Kuwait – Estádio San Mamés (Bilbao)

Primeira fase - Grupo 5

O grupo dos anfitriões transformou-se em uma enorme e dolorosa provação para os torcedores locais, diante de atuações muito nervosas e burocráticas da Espanha. A surpreendente e disciplinada seleção da Irlanda do Norte chocou o público de Valência ao bater os espanhóis na rodada final e avançar na liderança invicta. A Espanha garantiu a classificação em segundo lugar nos critérios de desempate, sob intensas vaias.

  • 16 de junho – Espanha 1 x 1 Honduras – Estádio Luis Casanova (Valência)
  • 17 de junho – Iugoslávia 0 x 0 Irlanda do Norte – Estádio de La Romareda (Zaragoza)
  • 20 de junho – Espanha 2 x 1 Iugoslávia – Estádio Luis Casanova (Valência)
  • 21 de junho – Honduras 1 x 1 Irlanda do Norte – Estádio de La Romareda (Zaragoza)
  • 24 de junho – Honduras 0 x 1 Iugoslávia – Estádio de La Romareda (Zaragoza)
  • 25 de junho – Espanha 0 x 1 Irlanda do Norte – Estádio Luis Casanova (Valência)

Primeira fase - Grupo 6

O grupo da Seleção Brasileira transformou-se no maior palco de espetáculo plástico e ofensivo da primeira fase em Sevilha. O Brasil superou um susto na estreia contra a forte barreira física da União Soviética e engrenou goleadas espetaculares e consecutivas, jogando por música. A Amarelinha sobrou na liderança com 100% de aproveitamento, avançando de fase de braços dados com os soviéticos.

  • 14 de junho – Brasil 2 x 1 União Soviética – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán (Sevilha)
  • 15 de junho – Escócia 5 x 2 Nova Zelândia – Estádio La Rosaleda (Málaga)
  • 18 de junho – Brasil 4 x 1 Escócia – Estádio Benito Villamarín (Sevilha)
  • 19 de junho – União Soviética 3 x 0 Nova Zelândia – Estádio La Rosaleda (Málaga)
  • 22 de junho – União Soviética 2 x 2 Escócia – Estádio La Rosaleda (Málaga)
  • 23 de junho – Brasil 4 x 0 Nova Zelândia – Estádio Benito Villamarín (Sevilha)

Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo A

O inovador formato de triangulares reuniu Polônia, União Soviética e Bélgica em duelos de forte imposição física e tática na cidade de Barcelona. Contando com uma exibição inspirada e hat-trick do craque Zbigniew Boniek diante dos belgas, a seleção da Polônia segurou um empate tenso contra os soviéticos na última rodada para carimbar sua vaga nas semifinais pelo critério de saldo de gols.

  1. 28 de junho – Polônia 3 x 0 Bélgica – Estádio Camp Nou (Barcelona)
  2. 1 de julho – Bélgica 0 x 1 União Soviética – Estádio Camp Nou (Barcelona)
  3. 4 de julho – Polônia 0 x 0 União Soviética – Estádio Camp Nou (Barcelona)

Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo B

A chave sediada na capital Madrid colocou frente a frente a dona da casa Espanha e as potências da Alemanha Ocidental e da Inglaterra. Demonstrando enorme frieza e consistência tática, a Alemanha superou a pressão das arquibancadas para bater os espanhóis e segurar o ímpeto dos ingleses, garantindo a classificação isolada e eliminando os inventores do futebol sem sofrer derrotas no triangular.

  • 29 de junho – Alemanha Ocidental 0 x 0 Inglaterra – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)
  • 2 de julho – Espanha 1 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)
  • 5 de julho – Espanha 0 x 0 Inglaterra – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)

Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo C

Considerada a maior e mais espetacular "chave da morte" de todos os tempos, reuniu os rivais sul-americanos Brasil e Argentina contra a Itália no acanhado Estádio de Sarriá. Após italianos e brasileiros baterem a Argentina de Maradona (que acabou expulso), o duelo final transformou-se em uma decisão épica. O Brasil jogava pelo empate, mas sucumbiu diante de uma atuação cirúrgica de Paolo Rossi, autor de três gols. A vitória italiana por 3 a 2 decretou a dolorosa "Tragédia do Sarriá".

  • 29 de junho – Itália 2 x 1 Argentina – Estádio de Sarriá (Barcelona)
  • 2 de julho – Brasil 3 x 1 Argentina – Estádio de Sarriá (Barcelona)
  • 5 de julho – Itália 3 x 2 Brasil – Estádio de Sarriá (Barcelona)

Segunda fase da Copa do Mundo - Grupo D

O último triangular da competição testemunhou o desabrochar técnico do refinado meio-campo da seleção da França, conhecido mundialmente como o "Quadrado Mágico". Sob a batuta tática e a genialidade de Michel Platini, os franceses dominaram completamente os compromissos em Madrid, despachando Áustria e Irlanda do Norte com extrema facilidade para avançar.

  • 28 de junho – França 1 x 0 Áustria – Estádio Vicente Calderón (Madrid)
  • 1 de julho – Áustria 2 x 2 Irlanda do Norte – Estádio Vicente Calderón (Madrid)
  • 4 de julho – França 4 x 1 Irlanda do Norte – Estádio Vicente Calderón (Madrid)

Semifinais da Copa do Mundo

As semifinais entregaram exibições completamente distintas em termos de emoção e dramaticidade. Enquanto a Itália despachava a Polônia de forma segura com mais dois gols iluminados de Paolo Rossi, Alemanha Ocidental e França travaram uma das partidas mais dramáticas e violentas da história das Copas. Após empate no tempo normal e prorrogação com direito a uma agressão brutal do goleiro Schumacher, os alemães avançaram na primeira disputa de pênaltis da história do torneio.

  1. 8 de julho – Itália 2 x 0 Polônia – Estádio Camp Nou (Barcelona)
  2. 8 de julho – Alemanha Ocidental 3 x 3 França (5 x 4 nos pênaltis) – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán (Sevilha)

Disputa do terceiro lugar

O confronto de consolação serviu para premiar a excelente, regular e histórica campanha construída pela brilhante geração do futebol polonês. Enfrentando uma França visivelmente abatida emocionalmente e fisicamente pelo trauma da eliminação anterior, a Polônia impôs sua velocidade no segundo tempo para garantir o triunfo e assegurar a medalha de bronze.

  1. 10 de julho – Polônia 3 x 2 França – Estádio José Rico Pérez (Alicante)

Final da Copa do Mundo de 1982

A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1982 colocou frente a frente Itália e Alemanha Ocidental no majestoso e completamente lotado Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, perante mais de 90 mil espectadores eletrizados. O confronto começou sob enorme tensão tática e física, com as duas equipes se marcando palmo a palmo. O drama italiano aumentou consideravelmente na etapa inicial quando o zagueiro Antonio Cabrini cobrou um pênalti para fora, mantendo o placar zerado antes do intervalo e elevando os níveis de ansiedade nas arquibancadas.

No segundo tempo, a impressionante preparação física e o oportunismo cirúrgico da seleção da Itália ditaram completamente o ritmo das ações no gramado madrilenho. O iluminado artilheiro Paolo Rossi abriu o placar de cabeça aos 12 minutos, anotando o seu sexto gol no torneio. Pouco depois, Marco Tardelli ampliou a vantagem com um chute potente da entrada da área, protagonizando uma das comemorações mais icônicas e viscerais da história do esporte ao correr chorando e balançando a cabeça.

Alessandro Altobelli transformou a vitória em goleada após um contra-ataque veloz, e Paul Breitner descontou para os alemães nos minutos finais, decretando o placar final de 3 a 1. O apito derradeiro do árbitro Arnaldo Cezar Coelho consagrou a Itália como tricampeã mundial, coroando uma das jornadas de superação mais espetaculares do futebol.

  • 11 de julho – Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental – Estádio Santiago Bernabéu (Madrid)

Classificação final da Copa do Mundo de 1982

Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1982, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base no desempenho técnico e nas duas fases de grupos de cada país:

    1.
  1. Itália (Campeã)
  2. 2.
  3. Alemanha Ocidental (Vice-campeã)
  4. 3.
  5. Polônia
  6. 4.
  7. França
  8. 5.
  9. Brasil
  10. 6.
  11. União Soviética
  12. 7.
  13. Inglaterra
  14. 8.
  15. Irlanda do Norte
  16. 9.
  17. Áustria
  18. 10.
  19. Espanha
  20. 11.
  21. Bélgica
  22. 12.
  23. Argentina
  24. 13.
  25. Argélia
  26. 14.
  27. Hungria
  28. 15.
  29. Iugoslávia
  30. 16.
  31. Honduras
  32. 17.
  33. Chile
  34. 18.
  35. Peru
  36. 19.
  37. Camarões
  38. 20.
  39. Escócia
  40. 21.
  41. Kuwait
  42. 22.
  43. El Salvador
  44. 23.
  45. Nova Zelândia
  46. 24.
  47. México

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