Copa do Mundo de 1986: Todos os resultados

Relembre placares, a genialidade de Maradona e o bi da Argentina em 1986.

PorLance!São Paulo (SP)
10/06/2026 12:39
O capitão Diego Maradona levanta a Taça da Copa do Mundo no Estádio Azteca lotado, coroando sua atuação lendária no México. (FIFA)
O capitão Diego Maradona levanta a Taça da Copa do Mundo no Estádio Azteca lotado, coroando sua atuação lendária no México. (FIFA)
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A Copa do Mundo de 1986 ocorreu no México, que se reelegeu como sede após a desistência da Colômbia.
O torneio teve o incremento das oitavas de final e uma atmosfera festiva e visual marcante.
Diego Maradona teve uma atuação lendária, conduzindo a Argentina ao título com gols memoráveis.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima segunda edição da história dos Mundiais retornou à América do Norte em maio de 1986 sob condições extraordinárias de superação. Originalmente, a Colômbia havia sido escolhida como sede, mas problemas econômicos forçaram o país a desistir do evento em 1982. O México assumiu a responsabilidade às pressas, tornando-se a primeira nação a sediar o torneio duas vezes. O desafio ganhou contornos dramáticos quando um terremoto devastador atingiu a Cidade do México em 1985, mas o povo mexicano demonstrou uma resiliência fantástica para reconstruir as estruturas e garantir a realização da Copa do Mundo de 1986.

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Os bastidores regulamentares mantiveram a expansão para 24 seleções nacionais introduzida na edição anterior da Copa do Mundo, mas trouxeram uma alteração crucial no formato de disputa. A FIFA descartou a confusa fase de grupos secundária que havia sido testada na Espanha e restabeleceu o emocionante sistema de mata-mata direto. A grande novidade foi a introdução das oitavas de final, classificando os dois melhores de cada chave e os quatro melhores terceiros colocados, o que aumentou a voltagem tática e a competitividade desde o início da competição.

No aspecto cultural e atmosférico, as arquibancadas mexicanas proporcionaram um espetáculo visual inesquecível que contagiou as transmissões da Copa do Mundo de televisão ao redor do planeta. Foi em 1986 que o mundo conheceu e popularizou a famosa "Ola", a coreografia sincronizada dos torcedores que transformava os estádios em verdadeiros mares humanos em movimento. O forte calor do meio-dia e a elevada altitude continuaram a impor um enorme desgaste físico aos atletas, mas o nível técnico e a plasticidade das partidas alcançaram patamares históricos.

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Para a Seleção Brasileira, a Copa do Mundo no México representou o encerramento doloroso de uma das gerações mais queridas e vistosas do país. Novamente sob o comando técnico de Telê Santana, o Brasil exibiu uma defesa sólida e um ataque eficiente, avançando até as quartas de final sem sofrer um único gol. O confronto decisivo contra a França de Michel Platini transformou-se em uma obra-prima do futebol, mas o empate no tempo normal, marcado por um pênalti perdido por Zico no retorno de sua lesão, culminou na eliminação brasileira nas penalidades máximas.

Apesar da beleza coletiva de várias equipes, a Copa do Mundo de 1986 em solo mexicano acabou completamente monopolizada pela maior exibição individual da história das Copas, protagonizada por Diego Armando Maradona. O camisa 10 e capitão da Argentina atingiu o ápice absoluto de sua genialidade tática, técnica e psicológica. Liderando um elenco operário e focado, Maradona assombrou o mundo nas fases eliminatórias com lances imortais, carregando a sua nação com extrema autoridade rumo a uma decisão épica no místico Estádio Azteca.

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Resultados da Copa do Mundo de 1986

Grupo A

O grupo de abertura da Copa do Mundo entregou confrontos equilibrados e marcou o início da arrancada da futura campeã mundial. A Argentina confirmou a liderança de forma invicta, mostrando grande imposição física. A atual campeã, Itália, avançou com segurança na segunda colocação, enquanto a Bulgária se beneficiou do regulamento para carimbar sua vaga histórica como um dos melhores terceiros colocados da chave.

  • 31 de maio – Itália 1 x 1 Bulgária – Estádio Azteca (Cidade do México)
  • 2 de junho – Argentina 3 x 1 Coreia do Sul – Estádio Olímpico Universitário (Cidade do México)
  • 5 de junho – Itália 1 x 1 Argentina – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)
  • 5 de junho – Bulgária 1 x 1 Coreia do Sul – Estádio Olímpico Universitário (Cidade do México)
  • 10 de junho – Argentina 2 x 0 Bulgária – Estádio Olímpico Universitário (Cidade do México)
  • 10 de junho – Itália 3 x 2 Coreia do Sul – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)

Grupo B

Os donos da casa comandaram as ações neste grupo empurrados pela atmosfera ensurdecedora e festiva do Azteca. O México avançou invicto na liderança isolada demonstrando um futebol muito vertical na Copa do Mundo. O Paraguai assegurou a segunda colocação com exibições consistentes, e a talentosa seleção da Bélgica garantiu a sua vaga na fase eliminatória terminando entre os melhores terceiros posicionados.

  1. 3 de junho – México 2 x 1 Bélgica – Estádio Azteca (Cidade do México)
  2. 4 de junho – Paraguai 1 x 0 Iraque – Estádio Nemesio Díez (Toluca)
  3. 7 de junho – México 1 x 1 Paraguai – Estádio Azteca (Cidade do México)
  4. 8 de junho – Bélgica 2 x 1 Iraque – Estádio Nemesio Díez (Toluca)
  5. 11 de junho – México 1 x 0 Iraque – Estádio Azteca (Cidade do México)
  6. 11 de junho – Bélgica 2 x 2 Paraguai – Estádio Nemesio Díez (Toluca)

Grupo C

Esta chave testemunhou o domínio técnico e tático absoluto de duas das escolas mais organizadas do futebol europeu no período. A União Soviética apresentou um futebol dinâmico de altíssima velocidade para liderar o grupo pelo saldo de gols favorável, aplicando a maior goleada daquela fase. A França, sob a batuta de Michel Platini, avançou de braços dados na segunda colocação e sem sofrer sustos.

  • 1 de junho – Canadá 0 x 1 França – Estádio León (León)
  • 2 de junho – União Soviética 6 x 0 Hungria – Estádio Irapuato (Irapuato)
  • 5 de junho – França 1 x 1 União Soviética – Estádio León (León)
  • 6 de junho – Hungria 2 x 0 Canadá – Estádio Irapuato (Irapuato)
  • 9 de junho – França 3 x 0 Hungria – Estádio León (León)
  • 9 de junho – União Soviética 2 x 0 Canadá – Estádio Irapuato (Irapuato)

Grupo D

O grupo da Seleção Brasileira teve a cidade de Guadalajara como sede e registrou uma campanha impecável da retaguarda da Amarelinha. O Brasil venceu todos os seus três compromissos com enorme maturidade tática e sem sofrer nenhum gol. A forte equipe da Espanha assegurou a segunda colocação da chave com autoridade, deixando para trás as frágeis e eliminadas delegações da Argélia e da Irlanda do Norte.

  1. 1 de junho – Espanha 0 x 1 Brasil – Estádio Jalisco (Guadalajara)
  2. 3 de junho – Argélia 1 x 1 Irlanda do Norte – Estádio Tres de Marzo (Zapopan)
  3. 6 de junho – Brasil 1 x 0 Argélia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
  4. 7 de junho – Espanha 2 x 1 Irlanda do Norte – Estádio Tres de Marzo (Zapopan)
  5. 12 de junho – Brasil 3 x 0 Irlanda do Norte – Estádio Jalisco (Guadalajara)
  6. 12 de junho – Espanha 3 x 0 Argélia – Estádio Tecnológico (Monterrey)

Grupo E

Considerada a maior "chave da morte" do torneio mexicano, reuniu potências tradicionais e proporcionou exibições memoráveis. A Dinamarca assombrou o continente ao praticar um futebol ofensivo e envolvente que rendeu o apelido de "Dinamáquina", liderando o grupo com 100% de aproveitamento. A Alemanha Ocidental avançou em segundo, e o Uruguai carimbou a vaga em terceiro após sofrer uma goleada histórica dos dinamarqueses.

  • 4 de junho – Uruguai 1 x 1 Alemanha Ocidental – Estádio Corregidora (Querétaro)
  • 4 de junho – Escócia 0 x 1 Dinamarca – Estádio Neza 86 (Ciudad Nezahualcóyotl)
  • 8 de junho – Alemanha Ocidental 2 x 1 Escócia – Estádio Corregidora (Querétaro)
  • 8 de junho – Dinamarca 6 x 1 Uruguai – Estádio Neza 86 (Ciudad Nezahualcóyotl)
  • 13 de junho – Dinamarca 2 x 0 Alemanha Ocidental – Estádio Corregidora (Querétaro)
  • 13 de junho – Uruguai 0 x 0 Escócia – Estádio Neza 86 (Ciudad Nezahualcóyotl)

Grupo F

Este grupo caracterizou-se pelo extremo equilíbrio defensivo, escassez notável de gols e uma surpresa histórica nos gramados de Monterrey. A disciplinada seleção de Marrocos surpreendeu os prognósticos europeus, segurou gigantes e avançou de forma inédita na liderança isolada e invicta da chave. A Inglaterra garantiu a segunda vaga graças a um hat-trick de Gary Lineker, e a Polônia avançou em terceiro lugar.

  1. 2 de junho – Marrocos 0 x 0 Polônia – Estádio Universitario (San Nicolás de los Garza)
  2. 3 de junho – Portugal 1 x 0 Inglaterra – Estádio Tecnológico (Monterrey)
  3. 6 de junho – Marrocos 0 x 0 Inglaterra – Estádio Tecnológico (Monterrey)
  4. 7 de junho – Polônia 1 x 0 Portugal – Estádio Universitario (San Nicolás de los Garza)
  5. 11 de junho – Marrocos 3 x 1 Portugal – Estádio Tres de Marzo (Zapopan)
  6. 11 de junho – Inglaterra 3 x 0 Polônia – Estádio Universitario (San Nicolás de los Garza)

Oitavas de final da Copa do Mundo

A introdução da nova fase eliminatória direta da Copa do Mundo incendiou a competição com partidas dramáticas e muitos gols por todo o país. O Brasil desfilou categoria ao golear os poloneses em Guadalajara, a Espanha interrompeu o embalo da Dinamarca com uma grande atuação de Emilio Butragueño, e a Argentina superou o clássico platino contra o Uruguai com autoridade tática.

  1. 15 de junho – México 2 x 0 Bulgária – Estádio Azteca (Cidade do México)
  2. 15 de junho – União Soviética 3 x 4 Bélgica (Prorrogação) – Estádio León (León)
  3. 16 de junho – Brasil 4 x 0 Polônia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
  4. 16 de junho – Argentina 1 x 0 Uruguai – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)
  5. 17 de junho – Itália 0 x 2 França – Estádio Olímpico Universitário (Cidade do México)
  6. 17 de junho – Marrocos 0 x 1 Alemanha Ocidental – Estádio Universitario (San Nicolás de los Garza)
  7. 18 de junho – Inglaterra 3 x 0 Paraguai – Estádio Azteca (Cidade do México)
  8. 18 de junho – Dinamarca 1 x 5 Espanha – Estádio Corregidora (Querétaro)

Quartas de final da Copa do Mundo

Esta fase da Copa do Mundo entrou definitivamente para a antologia do esporte com três disputas de pênaltis tensas e o jogo mais emblemático de todos os tempos. No Azteca, Maradona assinou suas duas obras-primas contra a Inglaterra: o polêmico gol com a mão, conhecido como "La Mano de Dios", e o "Gol do Século", enfileirando metade do time inglês. Paralelamente, o Brasil caía de pé diante da França em uma batalha de gigantes.

  1. 21 de junho – Brasil 1 x 1 França (3 x 4 nos pênaltis) – Estádio Jalisco (Guadalajara)
  2. 21 de junho – México 0 x 0 Alemanha Ocidental (1 x 4 nos pênaltis) – Estádio Universitario (San Nicolás de los Garza)
  3. 22 de junho – Argentina 2 x 1 Inglaterra – Estádio Azteca (Cidade do México)
  4. 22 de junho – Espanha 1 x 1 Bélgica (4 x 5 nos pênaltis) – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)

Semifinais da Copa do Mundo

As semifinais da Copa do Mundo colocaram frente a frente a força coletiva europeia e o brilhantismo individual sul-americano sob imensa expectativa pública. A Alemanha Ocidental demonstrou enorme maturidade tática para frear e eliminar a França de Platini, enquanto Maradona dava mais um show particular espetacular ao anotar dois gols belíssimos para despachar a surpreendente equipe da Bélgica.

  • 25 de junho – França 0 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Jalisco (Guadalajara)
  • 25 de junho – Argentina 2 x 0 Bélgica – Estádio Azteca (Cidade do México)

Disputa do terceiro lugar

O confronto de consolação reuniu duas equipes fisicamente exaustas e abatidas pelo trauma da eliminação anterior, mas dispostas a encerrar o torneio em alta. França e Bélgica travaram um duelo aberto e repleto de alternativas táticas na cidade de Puebla, terminando com a comemoração francesa pela conquista da medalha de bronze na prorrogação.

  • 28 de junho – França 4 x 2 Bélgica (Prorrogação) – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)

Final da Copa do Mundo de 1986

A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1986 reuniu Argentina e Alemanha Ocidental no majestoso e completamente lotado Estádio Azteca perante mais de 114 mil espectadores em uma atmosfera sufocante. O confronto começou sob intensa disputa tática, com o técnico alemão Franz Beckenbauer escalando o jovem Lothar Matthäus para realizar uma marcação implacável e individual sobre Maradona. A estratégia de liberar os companheiros funcionou perfeitamente para a Argentina: José Luis Brown abriu o placar de cabeça e Jorge Valdano ampliou em um contra-ataque veloz no início da etapa complementar, desenhando o que parecia ser um título tranquilo. No entanto, exibindo a tradicional e assombrosa resiliência germânica, a Alemanha buscou uma reação heroica em apenas seis minutos, empatando o clássico com gols idênticos de Karl-Heinz Rummenigge e Rudi Völler após cobranças de escanteio.

Com o placar em 2 a 2 e o momento psicológico totalmente favorável aos europeus, a genialidade cirúrgica de Diego Maradona decidiu os rumos da história aos 39 minutos do segundo tempo. Cercado por três defensores no círculo central, o camisa 10 desferiu um passe de primeira milimétrico que quebrou completamente a linha de impedimento alemã. Jorge Burruchaga recolheu a bola em velocidade, resistiu à aproximação da marcação e tocou rasteiro por baixo das pernas do goleiro Harald Schumacher para decretar o placar final de 3 a 2. O triunfo dramático e incontestável coroou a Argentina como bicampeã mundial e imortalizou a geração de 1986.

  • 29 de junho – Argentina 3 x 2 Alemanha Ocidental – Estádio Azteca (Cidade do México)

Classificação final da Copa do Mundo de 1986

Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1986, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols das nações:

    1.
  1. Argentina (Campeã)
  2. 2.
  3. Alemanha Ocidental (Vice-campeã)
  4. 3.
  5. França
  6. 4.
  7. Bélgica
  8. 5.
  9. Brasil
  10. 6.
  11. México
  12. 7.
  13. Espanha
  14. 8.
  15. Inglaterra
  16. 9.
  17. União Soviética
  18. 10.
  19. Dinamarca
  20. 11.
  21. Paraguai
  22. 12.
  23. Itália
  24. 13.
  25. Bulgária
  26. 14.
  27. Polônia
  28. 15.
  29. Marrocos
  30. 16.
  31. Uruguai
  32. 17.
  33. Portugal
  34. 18.
  35. Hungria
  36. 19.
  37. Escócia
  38. 20.
  39. Coreia do Sul
  40. 21.
  41. Argélia
  42. 22.
  43. Iraque
  44. 23.
  45. Canadá
  46. 24.
  47. El Salvador

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