Barcelona transforma base em motor da recuperação financeira
O time blaugrana voltou ao segundo lugar entre os clubes com maior receita do mundo

Com 15 jogadores na Copa do Mundo, oito deles na seleção da Espanha, e receita próxima de 1 bilhão de euros, o Barcelona vive um novo momento após atravessar uma das maiores crises financeiras de sua história recente. A aposta na formação de atletas volta a ser um dos pilares da reconstrução esportiva e econômica do clube catalão.
A presença maciça de jogadores ligados ao clube na seleção espanhola é um dos principais reflexos desse processo. Yamal, Pedri, Gavi, Cubarsí, Dani Olmo, Ferran Torres, Eric García e Joan García integram o elenco da atual campeã mundial, que busca o bicampeonato na Copa do Mundo. Ao todo, o clube tem 15 representantes no torneio.
– O atual momento do Barcelona é um grande exemplo de como a excelência na formação de atletas é um ativo extremamente eficiente tanto na questão financeira, gerando lucro expressivo, quanto no âmbito esportivo, fortalecendo a equipe e trazendo títulos. O clube catalão tem provado que apostar na juventude não é apenas uma resposta à crise, mas uma estratégia inteligente e sustentável, com redução do custo com contratações e valorização global da marca – afirma Pedro Weber, especialista em finanças do esporte.
A reconstrução acontece poucos anos depois de um dos períodos mais turbulentos da história recente do clube. Em 2021, o alto endividamento, aliado às restrições impostas pelo fair play financeiro da La Liga, culminou na saída de Messi e obrigou a diretoria a recorrer a medidas emergenciais para equilibrar as contas, incluindo a venda de participações em ativos futuros e receitas comerciais.
Cinco anos depois, o cenário é diferente. Segundo a "Deloitte Football Money League 2026", o time blaugrana voltou ao segundo lugar entre os clubes com maior receita do mundo ao registrar faturamento de 974,8 milhões de euros na temporada 2024/25. O valor representa um crescimento significativo em relação aos 760,3 milhões de euros contabilizados no levantamento anterior e recoloca o clube próximo da marca de 1 bilhão de euros em receitas anuais. Apenas o Real Madrid aparece à frente, com 1,16 bilhão de euros.
Base do Barcelona fortalece marca e patrimônio esportivo
A retomada financeira é explicada, em parte, pela reestruturação conduzida nos últimos anos e por receitas extraordinárias. Ao mesmo tempo, o desempenho esportivo e a valorização dos atletas formados ou desenvolvidos pelo clube também ajudam a consolidar esse novo cenário.
– A presença de oito jogadores do Barcelona na seleção espanhola mostra a força de um modelo que une formação de atletas e geração de valor para o clube. Quando jogadores revelados ou desenvolvidos em casa ganham protagonismo em uma Copa do Mundo, o impacto vai além do campo: fortalece a marca, aumenta o interesse de patrocinadores, amplia o engajamento dos torcedores e contribui para a valorização dos ativos do clube. O clube volta a mostrar que investir na base pode ser uma das estratégias mais eficientes para combinar desempenho esportivo e crescimento financeiro – disse Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo e sócio-diretor da "Wolff Sports".
Para Roger Machado, treinador e professor da "CBF Academy", a recuperação do clube está diretamente ligada à integração entre gestão financeira e planejamento esportivo.
– O Barcelona mostra como a recuperação de um clube passa pela integração entre gestão financeira e planejamento esportivo. Ao mesmo tempo em que reorganizou suas contas, manteve uma aposta forte na formação de jogadores, algo que sempre fez parte da sua identidade. A presença de tantos atletas ligados ao clube na seleção espanhola evidencia a força desse trabalho. São jogadores que entregam desempenho em campo, fortalecem a cultura do clube e ainda se transformam em ativos valiosos, mostrando que investir na base continua sendo um dos caminhos mais sustentáveis para construir competitividade no futebol – analisa Roger Machado.
Além do impacto esportivo, a valorização dos atletas também amplia o potencial financeiro do clube. Segundo Sven Muller, CMO da "CUJU", empresa alemã especializada em avaliação de atletas por inteligência artificial, o desenvolvimento de jovens jogadores deixou de ser apenas uma estratégia esportiva para se tornar um ativo relevante na sustentabilidade dos clubes.
– A formação de talentos deixou de ser apenas uma questão esportiva e passou a ser um ativo estratégico para a sustentabilidade financeira dos clubes. Quando uma instituição consegue identificar, desenvolver e acompanhar jovens atletas de forma consistente, ela cria valor tanto dentro de campo quanto no mercado de transferências. Ver oito jogadores da seleção espanhola com forte ligação ao Barcelona evidencia a força de um modelo baseado no desenvolvimento de atletas a longo prazo. O uso de tecnologias modernas e móveis permite coletar dados de talentos em estágios iniciais, inclusive fora das estruturas tradicionais dos clubes, dando origem a uma nova classe de ativos – afirma Sven Muller.
Valorização do elenco reforça estratégia do clube
Os reflexos desse trabalho também aparecem no valor de mercado dos jogadores. Dados da "Flashscore" apontam que a Espanha chega à Copa do Mundo de 2026 com o terceiro elenco mais valioso da competição, avaliado em cerca de 7,74 bilhões de reais. Parte dessa valorização passa pelos atletas formados ou desenvolvidos pelo Barcelona, especialmente Yamal. Aos 18 anos, o atacante divide com Mbappé o posto de jogador mais valioso do Mundial, com valor de mercado estimado em 1,33 bilhão de reais.

A valorização dos atletas vai além da possibilidade de futuras negociações. O desenvolvimento de jogadores reduz a necessidade de grandes investimentos em contratações, fortalece o patrimônio esportivo do clube e amplia o potencial de geração de receitas, ao mesmo tempo em que preserva a identidade construída historicamente pelo Barcelona.
– O valor estratégico das categorias de base já foi comprovado inúmeras vezes no futebol mundial. Clubes que investem de forma consistente na formação de atletas conseguem reduzir custos, aumentar a competitividade e criar importantes fontes de receita. No entanto, é um trabalho que demanda visão de longo prazo, algo que nem sempre encontra espaço em gestões focadas exclusivamente nos resultados de curto prazo – afirma Moises Assayag, sócio-diretor da "Channel Associados" e especialista em finanças do futebol.
A presença de oito jogadores na seleção espanhola também reforça o peso da formação de atletas dentro da estratégia adotada pelo clube. Em um cenário marcado por regras mais rígidas de controle financeiro e pela necessidade de equilibrar desempenho esportivo e sustentabilidade econômica, a aposta na base ganha ainda mais importância.
– Quando um clube consegue desenvolver jogadores para o mais alto nível, ele reduz a dependência do mercado, fortalece sua identidade esportiva, valoriza seus ativos e cria novas fontes de receita. Ter oito atletas na seleção espanhola não é apenas um indicador de sucesso técnico, é a demonstração de que investir na base pode gerar retorno esportivo e financeiro ao mesmo tempo. Em um cenário de regras cada vez mais rígidas de controle financeiro, passa a ser uma vantagem competitiva – afirma Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia durante o processo da SAF do clube com o Manchester City e atual CEO da "Squadra Sports", primeira plataforma de multiclubes no Brasil.
➡️Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
📲 De olho no Lance! e no Futebol Internacional. Todas as notícias, informações e acontecimentos em um só lugar.
+ Aposte em diversos jogos de futebol pelo mundo!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
Tudo sobre
Sugerida para você!






Mais LANCE!















