Flu trabalha para que o Maracanã seja a casa tricolor na temporada
Em entrevista ao LANCE!, o diretor geral Marcus Vinicius Freire explicou a relação do Fluminense com os atuais administradores do estádio e falou sobre alternativas

Em busca de uma melhoria na situação financeira pela qual passa, o Fluminense pode costurar uma aliança de peso. A diretoria tem conversas avançadas para fazer do Maracanã a casa tricolor nesta temporada e, inclusive, já fechou alguns jogos para a disputa da Sul-Americana e Campeonato Brasileiro. A intenção é fazer com que, juntamente com a parceria com o estádio, possa vir uma série de medidas que leve rendimentos ao caixa do clube.
Em entrevista ao LANCE!, o diretor geral Marcus Vinicius Freire explicou a importância da iniciativa, lembrando as consequências geradas com o acordo.
- O Maracanã faz parte da solução do Fluminense. Para nós termos um melhor programa de sócio-torcedor, é preciso ter uma casa. Estamos negociando para que a casa seja o Maracanã. Enquanto não acertarmos 100%, não sei onde vamos jogar no dia 14 de agosto, contra o São Paulo. Com isso, não posso vender para o meu torcedor, oferecer um pacote completo. O estádio faz, sim, parte da solução financeira também. É a visão de uma parceria mesmo. Estamos tentado achar um caminho que seja bom para os dois lados. Estamos falando em venda de ingresso, alimentação, camarote, patrocínio, estacionamento... Um conjunto de possibilidade que faz com que os jogos sejam viáveis - disse.
"O estádio faz, sim, parte da solução financeira também. É a visão de uma parceria mesmo"
Neste ponto, o Fluminense já faz projeções em relação a valores e números. O preço médio das vendas dos ingressos deve girar em torno de R$ 50 (esse, por exemplo, será o valor para a estreia na Sul-Americana, quarta, contra o Nacional Potosí, da Bolívia) e, para que tanto o Tricolor quanto o Maracanã não saiam perdendo, há uma estimativa de quantos torcedores serão necessários no estádio.
- Para quarta, o preço definido está em R$ 50. Vamos usar a configuração que temos pensando no melhor para a redução de custo e aumento de receita (apenas a parte inferior aberta). Temos o interesse do Maracanã ser nossa casa, mas, para isso, não podemos ficar pagando para jogar. Temos trabalhado muito nesse item para, junto com o Maracanã, achar a melhor saída. Para o jogo ser acima do 0 a 0 na parte financeira, precisamos ter, ao menos, 18 mil torcedores - afirma.
Diante dos números já apresentados pelo Fluminense na Era do Novo Maraca, Marcus Vinicius demonstra otimismo para os próximos meses.
- O público do Fluminense é um público acostumado a ir ao Maracanã. Torcedor tricolor, muitas vezes, vai no dia comprar ingresso. Nos últimos cinco anos, se pegar o Novo Maracanã, tivemos uma média de 20 mil, mais ou menos, sem contar os clássicos. Se colocar os clássicos, esse número sobe. E isso nos dá uma luz para acreditarmos que o melhor projeto para o Fluminense é jogar lá - garante.
"O melhor projeto para o Fluminense é jogar no Maracanã"
"Todo domingo eu vou ver meu Fluzão, dar mais um show no Maraca.
Essa loucura que sinto aqui não se compara com nada". O trecho da música "Todo domingo", entoada pela torcida nas arquibancadas, ao que tudo indica, se tudo der certo, poderá ser cantada com propriedade.

Problemas e críticas ao Carioca
O Campeonato Carioca se mostrou um insucesso no quesito público e o Fluminense sofreu com enormes prejuízos ao longo das rodadas. Para se ter ideia, a única partida com lucro, no Maracanã, foi a final da Taça Rio, contra o Botafogo. Com 22.838 pagantes e 26.842 presentes, cada clube faturou quase R$ 44 mil. Usando o estádio, o total em prejuízo, no entanto, faz a quantia positiva sumir rapidamente. Foram R$ 492.862,32 de saldo negativo.
- Entendemos que nossa maior dificuldade no Carioca, primeiro, foi não ter tido uma casa. Exatamente por isso que estamos procurando um local em que a torcida tricolor chame de casa. A nossa torcida descobria onde seria o jogo da semana naquela semana. Isso, realmente, é muito difícil. Impossível para uma venda de pacote de ingresso. Não se consegue antecipar nada. A torcida não consegue se programar, não sabia se o jogo era no Tigres (Los Larios), no América (Edson Passos) ou se seria vendido para Vitória ou Cuiabá - disse Marcus Vinicius.
Maracanã, Giulite Coutinho, Los Larios, Nilton Santos e Arena Pantanal foram usados pelo Flu até o momento. A mudança constante de local incomodou a comissão técnica e os jogadores, que expressaram sua insatisfação em diversas oportunidades. Para Marcus Vinicius, o formato do Campeonato Carioca também dificultou a atração de público aos jogos.
"Tem de melhorar o formato do campeonato (Carioca) para que seja bom para todos. Teve uma média abaixo porque o calendário não foi agradável"
- Claro que depende de um calendário. Esse é um ano difícil. Copa do Mundo e o Carioca apertado, foi um ano complicado de calendário. Tem de sentar e conversar, os quatro grandes junto com a Ferj, que tem de melhorar o formato do campeonato para que seja bom para todos. Realmente, teve uma média abaixo porque o calendário não foi agradável nem para quem jogava e muito menos para quem torcia. Mas na reta final, quando os grandes se encontraram, a gente está vendo os números gigantes perto do que foi o começo do campeonato - completou.
BATE-BOLA
Acordo antigo e novas negociações
Quando cheguei aqui, na temporada passada, tínhamos, na verdade, uma dívida que a gente escalonou e acertou com o Maracanã. A partir do último jogo, estamos pagando, nestes primeiros, por jogo, mas estamos desenhando um pacote para que todos os jogos, dentro do perfil que façam sentido, joguemos no Maracanã. O futuro nosso no Maracanã é uma parceria de médio e longo prazo.
'Toda vez que escolhemos um lugar para jogar, temos de levar em consideração três públicos: o time, a torcida e o financeiro'
Decisão pelo Maracanã
Toda vez que escolhemos um lugar para jogar, temos de levar em consideração três públicos. O primeiro, é o time, aonde é melhor para jogar, onde o campo é melhor, está adaptado, conhece o entorno etc. O segundo, é onde minha torcida prefere ir: 'Ah, no Maracanã é mais fácil, média é maior que no Engenhão'. E terceiro, é financeiro. Temos de equilibrar. Toda vez que decide onde vai jogar, leva em conta isso tudo.
Anel superior
Cada jogo estudamos um formato. Essa é a vantagem de ter uma parceria com o Maracanã. É uma customização do espaço, do número de catracas, portões abertos, camarotes com a cara do nosso patrocinador - o que nos ajuda também -, o vestiário com a cara tricolor ajuda o time a chegar de outro jeito. Para a televisão, é uma experiência melhor, para o torcedor e quem está vendo de casa também. Toda parte do Maracanã terá um visual. Temos colocado uma loja pequena e temporária. Queremos ter uma loja fixa lá dentro, fazer as ativações com os produtos oficiais, usar o telão de forma diferente.

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