Alexandre Gama supera xenofobia na Ásia e revela sonho de treinar o Flu
Desde 2014 na Ásia, técnico do Muangthong United falou da carreira vitoriosa fora do país e comentou sobre momento difícil do Tricolor no Campeonato Brasileiro

O bom desempenho dos técnicos estrangeiros no Brasil, em 2019, abriu o debate sobre a xenofobia no futebol brasileiro. Mais de uma vez, o argentino Jorge Sampaoli, do Santos e português Jorge Jesus, do Flamengo, têm sido alvos de críticas dos colegas de trabalho. Fora do país, os treinadores brasileiros não passam imunes à situações semelhantes. Na Ásia desde 2014, Alexandre Gama comanda o Muangthong United, da Tailândia e tem uma carreira vitoriosa no continente. O caminho até conquistar o respeito em terras estrangeiras não foi fácil. Gama precisou superar a desconfiança dos locais e mostrar serviço.
– No começo os treinadores locais não gostaram da presença de estrangeiros aqui, por tirarmos o lugar deles, assim como os brasileiros não ficaram felizes com isso no Brasil. Mas é um mercado, faz parte e temos que saber conviver e trabalhar para mostrar quem é o melhor. Hoje na Tailândia sou considerado o treinador número um, mas não posso me acomodar. Estou sempre estudando e querendo mais. Sou competitivo, busco bater meus próprios recordes – contou Gama.
Com 14 títulos no currículo, desde que deixou o Brasil, o treinador brasileiro de 51 anos não vê a nacionalidade como fator determinante para medir o trabalho dos profissionais. Para ele, o bom desempenho dos gringos vai ajudar aos profissionais que trabalham em solo nacional a sair da zona de conforto.
– Não gosto da comparação. Não vejo diferença. Todo mundo fala de Jorge Jesus. Sem tirar o mérito dele, acho que ele caiu no time certo, na hora certa. Prefiro o estilo e a filosofia do Sampaoli. Vai ser bom porque os treinadores brasileiros agora não podem se acomodar. O grande problema do Brasil é não apostar nos trabalhos, mas em nomes. Acredito que os técnicos brasileiros vão dar uma resposta. São profissionais que estudam muito e trabalham bem sob pressão. Cada um faz o seu trabalho, sem grandes diferenças, mas temos a tendência a achar que a grama do vizinho é mais verde.

Sonho antigo
No Brasil, quando o assunto é o nome do treinador Alexandre Gama, a primeira lembrança dos torcedores é a polêmica com Romário. Em 2004, quando assumiu interinamente o Fluminense, Gama barrou o ídolo e foi alvo de alfinetada do hoje senador.
- Ele acabou de sentar no ônibus e já quer ir na janela? - disparou o Baixinho, à época.
O início de carreira de Alexandre Gama foi no Tricolor, primeiro como comandante do Sub-20 e alguns jogos no comando do time profissional como interino. Passou por Inter de Limeira, Macaé, Volta Redonda, Madureira e Duque de Caxias, antes de se aventurar fora do país em 2014. Passou pela Coréia do Sul e Qatar, até chegar à Tailândia.
De longe, acompanha o Fluminense no Campeonato Brasileiro e torce para uma recuperação que evite o rebaixamento para a Série B. Gama também revela uma mágoa por nunca ter tido oportunidade de fazer o nome como técnico no clube, mas revela um sonho antigo de comandar o clube das Laranjeiras.
– Fico magoado porque quem está no Fluminense ou já passou por lá viu meu trabalho e sabe do que sou capaz. Fui bem quando passei no profissional. Se fosse hoje, um momento que os treinadores jovens viram solução, eu teria feito o meu nome. Naquela época não era assim. Me sinto preparado, mas um pouco desvalorizado por tudo que já conquistei e não é reconhecido. No Brasil, não se procura por trabalho, mas nome para agradar a torcida e patrocinadores. Tenho ainda o sonho de trabalhar no Fluminense, foi onde tudo começou. A minha vontade é voltar e mostrar toda a minha evolução e acredito que tenho grandes chances de dar certo – revelou Gama.

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