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Efeito Thiago Silva: por que o retorno do capitão transforma o Fluminense

Zagueiro chega para resolver carência tricolor

PorPedro BrandãoRio de Janeiro (RJ)
25/06/2026 05:50
Thiago Silva em Fluminense x Bahia
Thiago Silva comemora gol do Fluminense (Foto: Lucas Merçon / FFC)

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Quando o Fluminense anunciou o retorno de Thiago Silva, a reação imediata do torcedor foi emocional. Afinal, trata-se de um dos maiores ídolos da história do clube. Mas basta olhar para os números para entender que a contratação vai muito além do simbolismo. O retorno do zagueiro representa, provavelmente, a solução para o principal problema que acompanhou o Tricolor durante boa parte da temporada: a instabilidade defensiva.

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Os dados da segunda passagem do camisa 3 deixam pouca margem para discussão. Com Thiago Silva em campo, o Fluminense mudou completamente de patamar na fase defensiva. Não foi apenas uma equipe que sofreu menos gols. Foi um time que concedeu menos espaços, sofreu menos finalizações, cedeu menos grandes chances e passou a controlar melhor os jogos.

Antes da chegada do zagueiro, em 2024, o cenário era outro. Em 38 partidas, o Fluminense sofreu 42 gols, média de 1,1 por jogo. Conseguiu passar sem ser vazado em apenas 10 oportunidades, o equivalente a 26% das partidas. Os adversários criavam, em média, 1,9 grande chance por confronto e finalizavam 13 vezes por jogo.

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A transformação começou logo após a estreia de Thiago Silva. Nos 67 jogos disputados pelo defensor em sua segunda passagem, o Fluminense sofreu apenas 53 gols — média de 0,8 por partida. Mais impressionante é o número de jogos sem sofrer gols: foram 32, praticamente metade das partidas (48%). Além disso, a equipe reduziu para 1,3 a média de grandes chances cedidas e caiu de 13 para 10,9 finalizações sofridas por jogo.

Os números, levantados em parceria com o "Sofascore" mostram que Thiago não melhora apenas o desempenho individual da defesa. Ele reorganiza todo o sistema.

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Essa diferença também aparece quando o zagueiro ficou fora durante sua própria passagem. Sem Thiago Silva em campo, o Fluminense sofria novamente defensivamente. A média de gols sofridos sobe para um por partida, o número de jogos sem sofrer gols cai para apenas 30%.

O contraste ficou ainda mais evidente após sua saída para o Porto, no fim de 2025. Desde então, o Fluminense disputou 36 partidas. Sofreu 38 gols, voltou à média de 1,1 gol sofrido por jogo e conseguiu terminar apenas nove partidas sem ser vazado — somente 25% dos confrontos. O time também passou a cometer mais erros defensivos. Foram sete falhas que resultaram diretamente em gols adversários, número superior ao registrado durante toda a segunda passagem de Thiago.

 Infográfico do impacto defensivo de Thiago Silva no Fluminense
Infográfico do impacto defensivo de Thiago Silva no Fluminense (Foto: Arte/ Lance!)

A percepção de que a saída de Thiago Silva afetou o rendimento defensivo não é apenas estatística. O próprio Luis Zubeldía admitiu, ainda durante o primeiro semestre, que reconstruir o sistema após a saída do capitão foi um dos maiores desafios encontrados no trabalho.

— Não podemos esquecer que tivemos que montar uma nova dupla de zaga. Somos um time muito ofensivo, muito ofensivo mesmo. Outro dia estavam me falando que o Fluminense é um dos times que mais gera expectativa de gol no Brasileirão. Acho que só Palmeiras, ou Palmeiras e Flamengo, têm mais gols marcados do que nós. E, ao mesmo tempo, temos sofrido muitos gols. Isso passa por vários fatores. Quando cheguei, em setembro, a presença de um jogador como Thiago Silva na defesa não era um detalhe pequeno. Estamos falando de um jogador com experiência absurda, liderança, segurança e influência sobre os companheiros. Desmontar essa estrutura e montar outra rapidamente não é fácil.

Não por acaso, o setor virou alvo constante de críticas ao longo do primeiro semestre. Ignácio, Freytes e, mais recentemente, Jemmes passaram a conviver com cobranças da torcida. Mas existe um detalhe importante nessa análise. Ignácio e Freytes são praticamente os mesmos jogadores que, há poucos meses, formavam uma das defesas mais elogiadas do futebol brasileiro ao lado de Thiago Silva.

A campanha na Copa do Mundo de Clubes de 2025 talvez seja o maior exemplo. Diante de equipes de alto nível internacional, o sistema defensivo do Fluminense foi um dos pontos altos da equipe. Ignácio e Freytes receberam elogios pelas atuações.

Sua influência nunca esteve restrita aos desarmes ou aos cortes. O camisa 3 comandava posicionamento, cobertura, altura da linha, pressão, saída de bola e organização sem posse. Poucos zagueiros no futebol mundial conseguem impactar tanto o desempenho coletivo quanto ele.

Thiago Silva pode ter ainda mais impacto

Agora, existe um fator que pode tornar esse retorno ainda mais promissor. Freytes chega ao reencontro com Thiago muito mais experiente. Se no ano passado ainda dividia responsabilidades dentro da defesa, hoje assumiu naturalmente uma posição de liderança após meses como titular absoluto. Foi mais exigido, enfrentou momentos de pressão e amadureceu. A tendência é que a nova dupla Thiago Silva-Freytes apresente um nível ainda superior ao observado anteriormente, justamente porque o argentino evoluiu individualmente nesse período.

Se Thiago retorna para reorganizar o sistema defensivo, Hulk chega para resolver outro problema que acompanhou o Fluminense durante o primeiro semestre: a falta de um goleador ao lado de John Kennedy. As duas principais movimentações do mercado atacam exatamente os setores que mais precisavam de reforços.

Mas talvez exista um aspecto ainda mais importante do que o desempenho dentro das quatro linhas. A saída de Thiago Silva deixou um vazio de liderança que jamais foi completamente preenchido. O elenco perdeu uma referência diária de cobrança, organização e exemplo. Agora, além da volta do capitão, o grupo ganha outro líder experiente com a chegada de Hulk.

Fluminense nunca quis perder Thiago

Os bastidores do retorno mostram o quanto o clube desejava essa volta. Desde que Thiago rescindiu com o Porto, a diretoria iniciou contatos para entender se existia a possibilidade de um novo acordo. Inicialmente, o zagueiro avaliava permanecer na Europa ou até iniciar uma nova etapa da carreira fora dos gramados. As conversas avançaram apenas nos últimos dias e foram conduzidas sob absoluto sigilo. Nem mesmo funcionários de diferentes departamentos do clube ou parceiros comerciais tinham conhecimento da negociação até poucas horas antes do anúncio oficial.

Thiago Silva em campo pelo Fluminense no Brasileirão (Foto: Lucas Merçon/FFC)
Thiago Silva em campo pelo Fluminense no Brasileirão (Foto: Lucas Merçon/ Fluminense FC)

Fluminense de volta das férias

O elenco tricolor se reapresentou nesta terça-feira (22) após o período de férias durante a Copa do Mundo e iniciou uma espécie de intertemporada no CT Carlos Castilho. Thiago Silva segue de férias após finalizar a temporada europeia e ainda não se reapresentou. A chegada do defensor tem previsão inicial para o dia 1º de julho, mas pode acontecer depois disso, no decorrer da primeira semana do mês que vem.

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