Fluminense x Inter de Milão: há um ano, o Tricolor fazia história no Mundial
Relembre como foi o jogo

Há exatamente um ano, o Fluminense entrava em campo para uma daquelas partidas que, antes da bola rolar, pareciam maiores do que qualquer previsão. Do outro lado estava a Inter de Milão, finalista da Champions League, elenco milionário, camisa pesada, jogadores acostumados ao mais alto nível do futebol europeu. Do lado tricolor, um time que carregava a Libertadores de 2023 no peito, a experiência de Thiago Silva e Fábio e o faro de gol de Germán Cano.
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O palco era o Bank of America Stadium, em Charlotte, nos Estados Unidos. O jogo valia vaga nas quartas de final do Mundial de Clubes. E, em 90 minutos, o Fluminense transformou uma tarde de desconfiança em uma página histórica.
A vitória por 2 a 0 sobre a Inter não foi apenas um resultado. Foi uma afirmação. Foi o tipo de jogo que o torcedor lembra onde estava, com quem viu e o que sentiu quando a bola de Hércules entrou no fim.
O gol cedo que mudou tudo para o Fluminense
O roteiro perfeito começou antes mesmo de o jogo esquentar. Aos três minutos, Jhon Arias avançou pela direita, a bola desviou no meio do caminho e encontrou Germán Cano livre dentro da área. O argentino, em seu jogo de número 200 pelo Fluminense, fez o que a torcida se acostumou a ver: atacou o espaço e colocou a bola para dentro.
O gol mudou o jogo, mas não mudou a postura tricolor. O Fluminense não se encolheu de qualquer jeito. Renato Gaúcho montou uma equipe com três zagueiros, espelhando a estrutura da Inter e fechando os caminhos por dentro. Ignácio, Thiago Silva e Freytes sustentaram a última linha. Samuel Xavier e Renê trabalharam pelos lados. No meio, Martinelli, Bernal e Nonato deram combate. Na frente, Arias e Cano incomodaram o tempo inteiro.
Foi uma partida de coragem, mas também de leitura. O Fluminense entendeu onde podia sofrer e onde podia machucar.
Arias em modo Mundial
Se Cano deu o primeiro golpe, Arias foi quem manteve a Inter desconfortável. O colombiano fez uma das grandes atuações individuais do Fluminense naquele Mundial. Atacou espaço, puxou contra-ataques, prendeu a bola quando era preciso respirar e colocou a defesa italiana em alerta permanente.
A Inter tinha mais posse, como era esperado. Mas o Fluminense tinha mais clareza quando conseguia sair. A sensação era de que cada transição tricolor podia virar alguma coisa. E quase virou ainda no primeiro tempo, quando Ignácio chegou a marcar o segundo, anulado por impedimento.
Fábio, Thiago Silva e a resistência tricolor
O segundo tempo trouxe a pressão italiana. A Inter começou a empurrar o Fluminense para trás, colocou mais gente no campo ofensivo e tentou transformar o jogo em ataque contra defesa. Lautaro Martínez apareceu, De Vrij perdeu chance importante, Dimarco também assustou.
Foi aí que a partida ganhou outro personagem: Fábio. Aos 44 anos, o goleiro virou símbolo daquela classificação. Seguro, frio e bem posicionado, sustentou o zero no placar em um momento em que qualquer desvio poderia mudar tudo. Ao lado dele, Thiago Silva comandou a defesa com a autoridade de quem conhece esse tipo de jogo como poucos.
O Fluminense sofreu, mas não perdeu a cabeça. Recuou quando precisou, competiu em cada bola, travou cruzamentos e comprou todos os duelos possíveis. Era o tipo de atuação que não cabe só na estatística. Era resistência, concentração e casca.
Hércules e o gol do alívio
O jogo caminhava para os minutos finais com aquela sensação conhecida do torcedor: o relógio não anda. A Inter rondava a área, o Fluminense defendia como podia, e cada bola afastada parecia uma pequena classificação. Até que veio o contra-ataque, a sobra, o espaço e Hércules.
Nos acréscimos, o volante recebeu na entrada da área, ajeitou o corpo e bateu de esquerda. A bola entrou no canto. Sommer não alcançou. A Inter caiu. O Fluminense explodiu.
O Fluminense eliminou a Inter de Milão em um Mundial de Clubes. Não foi em amistoso, não foi em torneio de verão, não foi em jogo sem peso. Foi em mata-mata, contra a finalista da Champions, diante dos olhos do mundo.
Não era sobre dinheiro. Não era sobre favoritismo. Não era sobre o tamanho da folha salarial. Era sobre 11 contra 11, como disse Renato. E naquele dia, o Fluminense foi mais time.

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