Flamengo mapeia carências, mas desafio da janela vai além da busca por reforços
Técnico Leonardo Jardim admitiu necessidades de contratações no elenco

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O Flamengo aproveita a pausa para a Copa do Mundo para fazer um diagnóstico do elenco e projetar possíveis movimentações no mercado. Apesar de identificar necessidades pontuais de correção no grupo, o clube carioca lida com um cenário delicado, principalmente pelo alto investimento realizado na primeira janela do ano e pela baixa arrecadação com vendas de jogadores até o momento. Isso, porém, não impede a busca por reforços, mas exige ainda mais cautela e precisão nas decisões.
A postura mais conservadora passa diretamente pelos investimentos feitos no início da temporada, especialmente pela contratação de Lucas Paquetá por 42 milhões de euros (cerca de R$ 260 milhões). Além do meia, o clube também contratou Vitão e Andrew por R$ 65 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente. Diante disso, a estratégia da diretoria agora passa menos por quantidade e mais por assertividade.
O cenário atual coloca o Flamengo em uma situação diferente da vivida no início da temporada. A necessidade de reforços permanece, mas a margem para erros diminuiu consideravelmente após os aportes realizados nos últimos meses.
Pontos de alerta no elenco do Flamengo
O departamento de futebol, comandado pelo português José Boto, segue mapeando oportunidades de mercado. Neste momento, duas posições aparecem como prioridades: centroavante e lateral-esquerdo.
No ataque, embora Pedro siga como referência ofensiva da equipe, Leonardo Jardim entende que o elenco necessita de um jogador com características diferentes das opções atuais. A busca passa por um atacante mais móvel, capaz de atacar espaços e oferecer soluções distintas das apresentadas por Pedro e Bruno Henrique.
— Se tivesse que escolher um atacante para a equipe, se essa fosse a prioridade, eu iria escolher um meio a meio entre Pedro e Bruno, para ficar com três soluções dentro da estrutura. Foi muito bom esse jogo para percebermos que temos mais uma solução como meia-avançado ou segundo atacante. Nosso lado esquerdo está sobrecarregado, temos muita gente que gosta de jogar daquele lado. No lado direito temos menos gente. Gosto de um plantel equilibrado. Se eu tivesse que escolher, teria três atacantes diferentes. Não quero um igual ao Pedro ou igual ao Bruno, porque já temos eles — disse Jardim, após a vitória do Flamengo diante do Coritiba, na última rodada do Brasileirão.

A declaração do treinador também sugere uma insatisfação com a composição atual do setor ofensivo. Hoje, Pedro e Bruno Henrique oferecem soluções bastante distintas, mas o elenco não conta com uma terceira alternativa capaz de atuar entre esses dois perfis. A busca por um atacante "meio termo" parece menos uma oportunidade de mercado e mais uma necessidade identificada pela comissão técnica.
Além disso, o Flamengo também entende que precisa de uma alternativa natural para Pedro. Desde a saída de Juninho, que nunca conseguiu se firmar como uma opção consistente para a posição, o clube não possui um substituto de origem para o camisa 9. Quando Pedro não está disponível, Jardim precisa improvisar jogadores como Bruno Henrique e Plata na função.
Lateral esquerda também exige atenção
A lateral esquerda do Flamengo também segue sendo monitorada. Embora não seja tratada internamente como uma urgência absoluta, a posição aparece entre os setores que podem receber reforços, dependendo das oportunidades de mercado.
Alex Sandro e Ayrton Lucas não vêm correspondendo plenamente às expectativas. Apesar de convocado para a Copa do Mundo e cotado para iniciar a competição como titular da Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti, Alex Sandro ainda não conseguiu manter uma sequência convincente de atuações no Flamengo. Parte da torcida questiona principalmente seu aspecto físico e a intensidade apresentada em campo.

Quando ele não joga, a responsabilidade recai sobre Ayrton Lucas, que nunca alcançou unanimidade entre os rubro-negros. Embora tenha vivido momentos importantes com a camisa do Flamengo, o lateral segue convivendo com críticas frequentes.
Perfis dos nomes analisados pelo Flamengo
Pensando não apenas no presente, mas também no futuro do elenco, o Flamengo pretende priorizar jogadores mais jovens. O departamento de scout trabalha com critérios bem definidos: atletas de até 26 anos, com boa condição física, velocidade e qualidade técnica, capazes de oferecer características diferentes das já existentes no grupo. A informação foi publicada inicialmente pelo "Ge" e confirmada pela reportagem do Lance!.
Além das duas posições, Jardim também apontou outra carência do elenco ao comentar as necessidades para a sequência da temporada. Uma delas, aliás, é uma reclamação antiga dos rubro-negros.
— Uma medida importante é saber quanto teremos para investir. Temos necessidades, mas vamos ver para o que o dinheiro será suficiente para buscar. Com essa diretriz, vamos reforçar a equipe com mais qualidade. Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam acrescentar. Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, no Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente. O Boto está a trabalhar essa situação. De resto, temos que ver posição por posição e colocar mais qualidade — disse o treinador.
A declaração reforça que, além das prioridades mais evidentes, o clube também monitora o mercado em busca de uma alternativa para a função de meia-armador, setor considerado dependente de Arrascaeta. Na ausência do camisa, o time sofre com a falta de criatividade na armação. Essa, aliás, é uma "bronca" constante dos torcedores.

Declaração de Jardim liga alerta
É evidente que a afirmação de Leonardo Jardim liga um alerta. O treinador reconheceu a necessidade de ir ao mercado em busca de reforços, mas também entende que, após gastar R$ 335 milhões no início do ano, o clube não terá uma tarefa fácil para encontrar peças importantes a baixo custo. Esse será o grande desafio da equipe nesta janela de meio de temporada.
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Movimentações também podem passar por saídas
As possíveis chegadas estão diretamente ligadas ao futuro de alguns jogadores do atual elenco. No ataque, Cebolinha vive reta final de contrato e já deu sinais de que pode deixar o clube ao término da temporada. Além dele, Wallace Yan e Luiz Araújo também podem ter seus cenários reavaliados em caso de propostas consideradas interessantes. O primeiro, inclusive, esteve perto de ser negociado ao RB Bragantino, mas a transação não foi para frente.
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Carrascal é outro nome que aparece cercado de incertezas. O meia convive com críticas de parte da torcida por conta das expulsões recorrentes e pode ter seu futuro debatido internamente. Vale lembrar que o colombiano foi adquirido por 12 milhões de euros (R$ 77 milhões). Ou seja, o clube não pretende ficar "tanto" no prejuízo nesse cenário.
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Dos jogadores citados, Cebolinha, Wallace Yan e Luiz Araújo ainda não atingiram a marca de 13 jogos no Brasileirão, o que permite uma eventual transferência para outro clube da competição.
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