Gêmeo de Romero lutou contra xenofobia na Argentina; no Brasil, corintiano não dá entrevistas
Duelo de irmãos chegou perto de acontecer pela Copa Sul-Americana, mas Óscar hoje atua na Europa, meses após se posicionar contra um canto preconceituoso da torcida do Racing

Por conta de poucos meses que o estádio Presidente Perón, chamado de El Cilindro, não recebe um inédito confronto entre os irmãos gêmeos Óscar e Ángel Romero, da seleção do Paraguai. O primeiro dos "melli", como são conhecidos no futebol sul-americano, foi vendido ao mercado chinês no início do ano e atualmente defende o Alavés (ESP), por empréstimo. Já o outro estará em campo nesta quarta-feira, com a camisa do Corinthians, pela volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana.
Em Avellaneda, localizada na grande Buenos Aires e onde fica o estádio do Racing, o irmão do atacante corintiano fez história. Foram mais de 70 partidas, dez gols (inclusive na Copa Libertadores), duas temporadas de sucesso e uma das cifras mais altas da história do clube em vendas de jogadores: 9 milhões de dólares (cerca de R$ 30 milhões). Foi com uma declaração, no entanto, que ele mudou um pouco da história do futebol na Argentina.
Em fevereiro de 2016, o Racing vencia o Bolívar (BOL) com tranquilidade pela Libertadores quando a torcida puxou um canto em provocação ao Boca Juniors, que seria o próximo adversário na temporada. Em tradução livre, o tal canto dizia: "São todos bolivianos, paraguaios, que só servem para serem explorados". Óscar Romero é paraguaio e se ofendeu com a manifestação xenófoba. Além de ter sinalizado para as arquibancadas contrariamente, ele deu entrevistas fortes na sequência.
- Eu não sou ninguém para mudar o canto do povo. É uma torcida maravilhosa a do Racing, mas sendo paraguaio não gostei de ser discriminado. Dói muito escutar algo contra o meu país, então olhei para a torcida e pedi para que parassem um pouco. Espero que não voltem a cantar estas músicas racistas. Sempre vai doer ao escutar - disse Óscar Romero à imprensa local, na ocasião.
O canto foi praticamente abolido desde então. Segundo pessoas ouvidas pelo LANCE! em Buenos Aires, a música xenófoba não foi mais executada enquanto Romero defendeu o Racing. Depois da saída dele, no início de 2017, tem sido evitada, mas trata-se de um desafio diário para os torcedores o abandono de velhas práticas preconceituosas.
Enquanto o irmão lutou contra a xenofobia e se posicionou politicamente na Argentina, Ángel Romero vive uma fase de silêncio com a imprensa do Brasil. Ele não concede entrevistas desde que uma reportagem de TV viralizou na internet mostrando um lance em que ele não conseguiu dominar uma bola jogada pelo entrevistador. Isso ocorreu em maio e desde então o paraguaio fala apenas com a imprensa de seu país e com os veículos oficiais do Timão.
O último gol de Romero pelo Corinthians foi em junho, no clássico contra o São Paulo, quando ele marcou somente pela quinta vez na temporada. No país onde o irmão rompeu fronteiras, ele tentará ajudar o Timão na Sul-Americana.
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