RD Congo já disputou a Copa do Mundo com outro nome; entenda

Na Copa de 1974, o atual RD Congo jogou contra a Seleção Brasileira e perdeu por 3 a 0

PorDavi CaldasSão Paulo (SP)
17/06/2026 10:26

Supervisionado porNathalia Gomes,
Em 1974, RD Congo jogou a Copa do Zaire (Foto: Reprodução / Fifa)
Em 1974, RD Congo jogou a Copa do Zaire (Foto: Reprodução / Fifa)

A República Democrática do Congo irá fazer a sua estreia na Copa do Mundo de 2026 nesta quarta-feira (17), às 14h, contra a seleção de Portugal. Apesar de esta ser a primeira vez que o país disputa a competição com o nome atual, ele já esteve presente na edição de 1974 com o nome de Zaire e chegou a enfrentar a Seleção Brasileira.

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RD Congo, ou Zaire, em 1974

Em 1971, o ditador Mobutu Sese Seko lançou a política de "Autenticidade", que buscava eliminar símbolos considerados coloniais. O nome "República Democrática do Congo" foi abandonado e o país passou a se chamar República do Zaire.

Com nove gols de Mulamba Ndaye, o país venceu a Copa Africana de Nações em 1974 e conquistou a vaga direta à Copa do Mundo daquele mesmo ano, na Alemanha Ocidental. O Zaire se tornou o terceiro país africano a se classificar para um Mundial (depois de Egito e Marrocos), e o primeiro da África Subsaariana.

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Contudo, o país não teve vida fácil no torneio. Em um grupo difícil, com Brasil, Escócia e Iugoslávia, o Zaire saiu da Copa do Mundo com três derrotas e sem conseguir fazer nenhum gol. Na verdade, a seleção sofreu 14 gols durante a sua breve participação na fase de grupos.

Na estreia, contra a Escócia, a equipe foi derrotada por 2 a 0. No jogo seguinte, contra a Iugoslávia, sofreu com um placar de 9 a 0, o suficiente para colocar a partida na lista de maiores goleadas da história das Copas do Mundo. Contudo, o episódio que mais marcou a participação do país no Mundial foi justamente contra o Brasil.

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O lance incompreendido: Mwepu Ilunga chuta a bola antes da cobrança de Rivelino, um gesto de desespero que escondia ameaças de morte nos bastidores. (Foto: Arquivo / CBF)
O lance incompreendido: Mwepu Ilunga chuta a bola antes da cobrança de Rivelino, um gesto de desespero que escondia ameaças de morte nos bastidores (Foto: Arquivo / CBF)

➡️Zaire na Copa de 1974; a falta mais estranha da história

O ditador Mobutu Sese Seko ameaçou a própria seleção do país, caso o Zaire perdesse por quatro ou mais gols de diferença para a Seleção Brasileira, fato que só foi descoberto anos mais tarde. O país africano já não contava com seu artilheiro Mulamba Ndaye, expulso na partida anterior, e teria que segurar a atual campeã mundial da época.

A situação resultou em um dos episódios mais curiosos das Copas: quando o zagueiro Mwepu Ilunga, em uma falta para o Brasil e já perdendo por 3 a 0, disparou da barreira e isolou a bola para longe antes mesmo de qualquer toque brasileiro. Na época, a jogada foi tratada com deboche pela imprensa internacional, que interpretava o lance como ignorância e desconhecimento das regras. Mais tarde, o próprio jogador explicou que se tratava de um protesto em meio ao caos vivido pela delegação.

Mobutu Sese Seko usava a seleção nacional para promover o regime ditatorial. Não à toa, a camisa da equipe utilizava a cor verde e a figura de um leopardo, animal símbolo do país e favorito do ditador. Em 1997, Mobutu foi derrubado, e uma das primeiras decisões do novo governo foi abandonar o nome Zaire e restaurar o nome República Democrática do Congo.

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Copa do Mundo de 2026

Ausente do torneio desde 1974, a República Democrática do Congo encerrou um jejum de mais de meio século e retorna à Copa impulsionada por uma geração talentosa e cada vez mais conectada ao futebol europeu. A classificação veio após uma vitória contra a Jamaica por 1 a 0 na prorrogação, na final da repescagem mundial, e coroou um processo de crescimento que já havia dado sinais na Copa Africana de Nações, quando os Leopardos alcançaram as semifinais.

O treinador Sébastien Desabre foi um dos principais responsáveis pela reconstrução da equipe congolesa. O francês organizou uma seleção competitiva, disciplinada e capaz de potencializar jogadores espalhados por diversos campeonatos europeus. Seu trabalho devolveu identidade e confiança aos congoleses, que se destacam pela sua força física e intensidade, mas com dificuldades na criação de jogadas.

Seleção da RD Congo (Foto: Reprodução/X)
Seleção do RD Congo (Foto: Reprodução / X)

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