Entenda a diferença entre Congo e RD Congo, país que está na Copa do Mundo
A República Democrática do Congo irá estrear na Copa contra Portugal e já o torneio em 1974

A República Democrática do Congo irá fazer a sua estreia na Copa do Mundo de 2026 nesta quarta-feira (17), às 14h, contra a seleção de Portugal. Contudo, o país africano carrega a peculiaridade de ter um vizinho no continente africano com quase o mesmo nome: a República do Congo.
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Diferença entre Congo e RD Congo
Os dois países compartilham muito mais do que o nome. Com o mesmo gentílico (congolês), esses países vizinhos têm histórias entrelaçadas e, hoje, ainda compartilham algumas línguas bantas, como o kikongo (mais falado na versão conhecida como kituba) e o lingala, além da própria língua francesa. Além disso, Brazzaville, capital da República do Congo, e Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, estão separadas apenas pelo Rio Congo, tornando-se as duas capitais mais próximas do planeta.
Na verdade, a existência de dois Congos é uma consequência direta da Partilha da África, no final do século XIX, quando as potências europeias dividiram o continente sem considerar as populações locais. O lado oeste da região foi ocupado pela França, criando o Congo Francês (atual República do Congo). Do lado leste, Leopoldo II, rei da Bélgica, ocupou o que ficaria conhecido como o Congo Belga (atual República Democrática do Congo).
Dessa forma, a colonização separou o país, e o Rio Congo serviu como fronteira natural entre os impérios coloniais. Mesmo após as independências dos territórios, em 1960, os dois países mantiveram as fronteiras e enfrentaram destinos distintos.

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RD Congo já teve outros cinco nomes
Durante o domínio de Leopoldo II (1885-1908), o território ficou conhecido como Estado Livre do Congo, período em que foi vítima de várias atrocidades do ditador, cometidas durante a exploração de recursos como borracha, marfim e minerais. Nessa época, o ato de decepar a mão ou o braço dos nativos era comum quando eles não conseguiam cumprir as metas de extração dos recursos naturais.
Após milhões de mortes e muita pressão da Europa, o Parlamento Belga tomou o território do próprio rei e o transformou no Congo Belga. Depois, o país conseguiu a independência, em 30 de junho de 1960, virando a República do Congo.
Poucas semanas depois, o Congo Francês também conquistou a independência e adotou o mesmo nome. Para diferenciar os países, o governo congolês de colonização belga, em 1964, mudou o nome do território para República Democrática do Congo.
Em 1971, o país voltou a mudar de nome, já que o ditador Mobutu Sese Seko lançou a política de "Autenticidade", buscando eliminar símbolos considerados coloniais. O nome República Democrática do Congo foi abandonado e o país passou a se chamar República do Zaire. Em 1997, Mobutu foi derrubado e o novo governo restaurou o nome República Democrática do Congo, que é usado até hoje.
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RD Congo já disputou a Copa
Em 1974, ainda com o nome de Zaire, o país chegou a disputar a Copa do Mundo, na Alemanha Ocidental. A classificação representou o recorde de primeiro país da África Subsaariana a ir para um Mundial. Contudo, o Zaire perdeu os três jogos da fase de grupos, incluindo uma goleada de 9 a 0 para a Iugoslávia.
Na edição, o país chegou a jogar contra a Seleção Brasileira, partida em que perdeu por 3 a 0. O jogo ficou marcado por um lance inusitado durante uma cobrança de falta para o Brasil, em que o zagueiro Mwepu Ilunga disparou da barreira e isolou a bola para longe antes mesmo de qualquer toque brasileiro. Anos depois, o jogador explicou que se tratava de um protesto em meio ao caos vivido pela delegação.

➡️RD Congo já disputou a Copa do Mundo com outro nome; entenda
Mobutu Sese Seko usava a seleção nacional para promover o regime ditatorial. Não à toa, a camisa da equipe utilizava a cor verde e a figura de um leopardo, animal símbolo do país e favorito do ditador. Após as duas primeiras derrotas do Zaire na Copa, o ditador ameaçou a própria seleção do país, caso perdesse por quatro ou mais gols de diferença para a Seleção Brasileira.
Copa do Mundo de 2026
Ausente do torneio desde 1974, a seleção congolesa encerrou um jejum de mais de meio século e retorna à Copa impulsionada por uma geração talentosa e cada vez mais conectada ao futebol europeu. A classificação veio após uma vitória contra a Jamaica por 1 a 0 na prorrogação, na final da repescagem mundial, e coroou um processo de crescimento que já havia dado sinais na Copa Africana de Nações, quando os Leopardos alcançaram as semifinais.
O treinador Sébastien Desabre foi um dos principais responsáveis pela reconstrução da equipe. O francês organizou uma seleção competitiva, disciplinada e capaz de potencializar jogadores espalhados por diversos campeonatos europeus. Seu trabalho devolveu identidade e confiança aos congoleses, que se destacam pela sua força física e intensidade, mas com dificuldades na criação de jogadas.

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